Advogados da Odebrecht negociam com MPF delação de 53 executivos

Caso mais difícil é de Marcelo Odebrecht. Detido há um ano e quatro meses, prisão do ex-presidente é tida como "exemplo" pelo MP. Entretanto, delação do executivo é a que tem maior potencial de para derrubar políticos que ainda se sustentam

O empresário Emílio Odebrecht, patriarca do grupo Odebrecht, passou a última semana em um hotel de Brasília junto à filha, Mônica e o marido dela, Maurício Ferro, responsável pela área jurídica da empreiteira. O intuito deles é conseguir fechar acordo de delação premiada para 53 executivos da empresa, incluindo o filho de Emílio, e ex-presidente do conglomerado, Marcelo Odebrecht, preso há um ano e quatro meses pela Operação Lava Jato. Em apuração exclusiva, divulgada neste sábado (8), o Estadão acompanhou os encontros realizados entre advogados criminalistas que discursam junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) os motivos relacionados a cada executivo envolvido nas investigações para assinar os acordos de delação premiada para que, ao confessarem as penas, tenham punições menores.

De acordo com as informações divulgadas pelo jornal, a Odebrecht alugou cerca de 20 quartos para acomodar a equipe que participa das negociações com a PGR. O grupo contava ainda com um lounge anexo e com a sala de reuniões da cobertura do Windsor Plaza para se encontrar depois dos encontros entre advogados e procuradores. O acordo de delação proposto pela empreiteira é um dos maiores já firmados no mundo. O Ministério Público (MP) pretende impor uma multa de R$ 6 bilhões à empresa, e quer detalhes sobre a distribuição de dinheiro ilícito enviado a políticos para garantir à Odebrecht vantagem em licitações.

“Nunca na minha vida achei que ia ter que negociar assim”, comentou uma advogada com os colegas.

“Se você negocia só um é fácil. Se você negocia 50, cada um tem um caso. ‘Olha, minha mãe está doente’, ‘meu filho é menor de idade’...”, disse outro advogado ao falar sobre as justificativas apresentadas à PGR para diminuição das penas.

Entre os advogados estão criminalistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Brasília e do próprio corpo jurídico da Odebrecht, com sede na Bahia. O objetivo do grupo é um só e transparece na frase mais ouvida nas conversas travadas na sala de reuniões do hotel: “Virar a página da empresa”. Para isso, Emílio negocia, advogados estendem reuniões na Procuradoria-Geral da República e a irmã de Marcelo pede a uma das integrantes da equipe: “Não vamos desistir agora”.

Novas operações

Uma das negociações mais difíceis é a do ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht. Responsável pela criação do setor de operações estruturadas, destinada ao pagamento de propinas, Marcelo é o investigado que mais tem munição para delatar políticos investigados pela Lava Jato. Enquanto investigadores da força-tarefa avaliam que a prisão do executivo mais poderoso e rico detido na operação deve servir de exemplo, advogados tentam reduzir a pena alegando que Marcelo já passou muito tempo na prisão. Ele está preso há um ano e quatro meses na carceragem da PF, em Curitiba. Pena estipulada a ele, por enquanto, é de 19 anos e quatro meses.

"A delação de Marcelo, mais do que qualquer outra, provoca terror no meio político com potencial para derrubar líderes que ainda se sustentam após dois anos e sete meses de investigação ininterrupta. Enquanto bebia um vinho, um dos advogados previa muitas operações após o acordo", ressalta a matéria publicada pelo Estadão.

Outra negociação importante é a que envolve Alexandrino Alencar. Ele foi diretor de Relações Institucionais da empresa e vice-presidente da Braskem. O executivo tinha contato direto com líderes políticos, como o ex-presidente Lula, com quem foi flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal. Por isso, é pressionado a entregar mais informações.

Leia a íntegra da matéria do Estadão

 

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