Advogado de Paulo Rocha também diz que dinheiro era para campanha

Defesa do deputado argumenta que verba recebida foi usada para pagar compromissos com outros partidos nas eleições de 2002. Para advogado de Anita Leocádia, ela só recebia ordens

O argumento de que o mensalão não existiu e o dinheiro foi usado para quitar dívidas de campanha retornou nesta terça-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na primeira sustentação oral do nono dia de julgamento da Ação Penal 470, João dos Santos Gomes Filho, advogado do ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA), disse que os R$ 820 mil que o petista teria recebido das empresas de Marcos Valério foram usados para pagar fornecedores da eleição de 2002.

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Na acusação da Procudoria-Geral da República (PGR), Paulo Rocha teria recebido R$ 820 mil de Marcos Valério pelo esquema. Na época, ele presidia o diretório regional do partido. Devido à série de denúncias, o petista renunciou ao mandato, na iminência de enfrentar processo por quebra de decoro, e se reelegeu deputado em 2006 – por isso, sofreu os efeitos da Lei da Ficha Limpa e, em 2010, teve negado seu pedido de registro de candidatura ao Senado.

De acordo com o advogado do ex-deputado, o PT aliou-se ao PSB e a outros partidos para as eleições de 2002 no estado. No acordo, estava combinado o pagamento dos custos de campanha. Rocha, que assumiria o diretório no ano seguinte, começou a ser cobrado das dívidas. Sem dinheiro, procurou o tesoureiro do PT nacional, Delúbio Soares, para conseguir recursos para zerar as finanças.

Caixa 2 é recorrente

O advogado rejeitou o uso de dinheiro para outros fins além de pagar as dívidas. Disse que não houve lavagem de dinheiro, E que Paulo Rocha não sabia a origem do valor. Para o petista, Delúbio tinha dito que o partido estava contraindo empréstimos em bancos. "Aquele dinheiro era para quitar dívidas de campanha. É um modelo recorrente no sistema eleitoral o caixa 2. É duro falar isso", afirmou.

Rocha é acusado de lavagem de dinheiro pela PGR. No entanto, para seu advogado, cometer a lavagem de dinheiro na forma como diz a PGR seria "como fazer uma nota de R$ 90". Ele disse que as transações ocorreram por meio de depósitos e saques identificados. Gomes Filho também comentou que, na agência do Banco Rural em Brasília, era preciso se identificar duas vezes para poder entrar. "O dinheiro já chegou limpo no diretório do PT. E o dinheiro foi para pagar as contas", comentou.

De acordo com o advogado, a acusação também não pode dizer que Rocha sabia do esquema. A reunião que selou a união do PT com o PL nas eleições de 2002 foi realizada no seu apartamento funcional, em Brasília. "Emprestar apartamento para reunião política não pode servir para juízo de valor", disse. Citando o escritor norte-americano Tom Wolfe, em A fogueira das vaidades, a defesa do ex-deputado finalizou: "A opinião pública não é a voz da Justiça. Ser justo é um ideário. Justiça é o que ensinaram nossos avós".

Assessora

Depois do advogado de Paulo Rocha, foi a vez da defesa de Anita Leocádia, ex-assessora do petista. Acusada de lavagem de dinheiro, a PGR diz que ela teve o papel de intermediária do ex-deputado no pagamento de propina a parlamentares. Em determinada ocasião, diz o MPF, recebeu R$ 200 mil em espécie do próprio Marcos Valério, apontado como o principal operador do esquema. O total de recursos que teria recebido no esquema pode ter chegado a R$ 600 mil, conclui a acusação.

Para seu defensor, Luís Maximiliano Mota, ela só cumpriu ordens da direção do partido. "Ela sacou o dinheiro e depositou em uma conta", disse. Na sustentação oral, Mota afirmou que ficaram de fora da denúncia pessoas que receberam dinheiro "em carro-forte". "Quem que tem a cara mais deslavada: a pessoa que entrega o dinheiro para o pagamento de uma conta ou quem entrega dinheiro para um deputado federal", questionou o advogado.

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