Administrador ligado a Paulo Bernardo é preso por coação de testemunha

Marcelo Maran é sócio do advogado Guilherme Gonçalves, responsável pela contabilidade do Fundo Consist, no qual eram movimentados valores recebidos de um esquema de desvio de recursos montado no Ministério do Planejamento. Investigações apontam que dinheiro era usado no pagamento de despesas pessoais do ex-ministro

A Polícia Federal (PF) prendeu Marcelo Maran nesta quinta-feira (11). Ele é acusado de pedir para uma das testemunhas da Operação Custo Brasil mudar o teor do depoimento dado ao Ministério Público Federal (MPF). Maran é o sócio do advogado Guilherme Gonçalves, responsável pela contabilidade do Fundo Consist, no qual eram movimentados valores recebidos de um esquema de desvio de recursos montado no Ministério do Planejamento entre 2010 e 2015. De acordo com as investigações, o dinheiro do fundo era usado no pagamento de despesas pessoais do ex-ministro da Pasta, Paulo Bernardo, e destinado a campanhas políticas.

A ordem foi da 6ª Vara Federal de São Paulo, mesma que acolheu, no último dia 4, a denúncia oferecida pelo MPF contra Paulo Bernardo, Maran, Gonçalves e mais 10 pessoas. Os três acusados são réus pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

A força-tarefa da Custo Brasil ouviu a testemunha – que já havia sido ouvida na fase de inquérito da Operação Lava Jato, em Curitiba, em julho passado – que, em depoimento, contou que o dinheiro do Fundo Consist pagava os gastos pessoais do ex-ministro. Ainda de acordo com a testemunha, Maran havia dito que o dinheiro era desviado para campanhas políticas e que o escritório fazia pagamentos por serviços não prestados. O MPF relatou que em depoimento anterior, a testemunha contou que Maran tentou cooptá-lo em agosto de 2015, quando ela pediu demissão do escritório de Gonçalves em virtude da Operação Pixuleco.

Um trecho do depoimento da testemunha foi usado na Custo Brasil. Segundo o Ministério Público, assim que Maran teve acesso à íntegra da denúncia, procurou o irmão do depoente que havia trabalhado um ano no escritório de Gonçalves, entregou a ele um envelope com o trecho da denúncia que mencionava o depoimento e disse:  “Entregue isto para seu pai e pede para ele conversar com seu irmão, para que ele mude o depoimento dele”.

Para os procuradores da República Andrey Borges de Mendonça, Rodrigo de Grandis, Silvio Luís Martins de Oliveira e Vicente Mandetta, responsáveis pelo caso, não há dúvida de que Maran tentava aliciar a testemunha e de que a ameaçou.

“A prisão preventiva é necessária para garantia da instrução quando o imputado  interfere na produção da prova. No caso, referida interferência se manifesta pela tentativa inicial de cooptar a testemunha  para a continuidade do esquema – com o oferecimento de vantagens semelhantes às que Maran recebia, para que não saísse do escritório – e, atualmente, em razão da tentativa de alterar o depoimento da testemunha. A ameaça, embora destinada ao irmão do depoente, possuía clara e certa finalidade: fazer com que a testemunha alterasse seu depoimento e deixasse de incriminar Marcelo Maran”, afirma o MPF no pedido de prisão, que foi aceito pelo juiz Paulo Bueno de Azevedo.

* Com informações do MPF

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