Adeus a Eduardo Campos pode reunir 100 mil pessoas

Uma missa campal e um enterro estão previstos assim que os corpos forem liberados. Dilma, Aécio e Lula devem comparecer. Para suceder chapa, cogita-se a dupla Marina Silva e Maurício Rands

Bruna Serra
Enviada especial a Recife (PE)

Na Rua do Chacon, onde o candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) cresceu, já não se vê movimentação. Um apinhado de jornalistas prefere se estabelecer em frente à casa do presidenciável, no bairro de Dois Irmãos, na tentativa de obter informações sobre o desfecho da tragédia que se abateu sobre o Brasil desde a última quarta-feira (13).

De acordo com as informações mais recentes, deverá começar na noite deste sábado (16) o velório coletivo na Praça da República, onde fica o Palácio do Campo das Princesas, sede da administração estadual, de onde Eduardo saiu para disputar a Presidência da República.

O porta-voz da família, o prefeito de Recife, Geraldo Julio (PSB), diz que a expectativa é que o processo de identificação seja concluído na manhã deste sábado e a viúva do candidato, Renata Campos, possa enterrar o marido antes da data de seu aniversário, a próxima segunda-feira (18). Assim o velório começaria entre o fim da tarde e a noite.

Partiu dela a decisão de realizar uma missa campal, após receber em sua residência o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. A previsão é de que a missa ocorra na manhã de domingo e que o enterro seja às 16 horas no cemitério de Santo Amaro, zona central do Recife.

O cerimonial está sendo montado pela equipe do Palácio com reforço da Casa Militar, Corpo de Bombeiros e Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU). Somente para a missa são esperadas 30 mil pessoas. Um altar está sendo montado em frente à entrada, a portaria principal do palácio.

O adeus dos pernambucanos a Eduardo Campos deverá ser nos moldes do velório e enterro de seu avô, Miguel Arraes de Alencar, quando mais de 100 mil pessoas estiveram na praça para se despedir. Esse é o número aguardado para as homenagens a Eduardo, neste fim de semana.

A vice de Campos, a ex-ministra Marina Silva (PSB), confirmou presença na despedida. Ela é a principal aposta para assumir a cabeça da chapa daqui pra frente. Além dela, estão confirmados a presidenta Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição; o senador Aécio Neves (PSDB), outro postulante ao Planalto; os ex-presidentes Lula (PT) e Fernando Henrique (PSDB); além de governadores, ministros, parlamentares e as principais lideranças políticas do país.

Controle político

Enquanto a família e os amigos mais próximos se dedicam à despedida, integrantes do PSB de Pernambuco tentam não perder o controle político da situação.

Nos bastidores, tentam organizar para a segunda-feira uma reunião no Recife para fazer a primeira discussão sobre quem será o representante da legenda na chapa. Na quarta-feira (20), estarão reunidos com integrantes da Rede Sustentabilidade em Brasília, buscando fechar o impasse até o prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Rede é o partido “clandestino” (segundo expressão usada por sua idealizadora) criado pela ex-petista Marina Silva e que, no ano passado, abrigou-se no PSB para viabilizar sua participação na disputa ao Planalto e, ao mesmo tempo, turbinar a campanha de Eduardo.

Muito ligado ao projeto de Eduardo Campos e um dos principais articuladores de seu programa de governo, o ex-deputado federal petista Maurício Rands poderá ser uma alternativa capaz de agradar à viúva, Renata Campos, e ao irmão, Antônio.

Rands é primo da ex-primeira-dama de Pernambuco e é visto como um homem de traquejo político capaz de reunir as alas distintas do partido. Mesmo assim, em Pernambuco, ele não é uma unanimidade entre os socialistas, especialmente aqueles considerados quadros históricos do partido, porque é recém-chegado às hostes do PSB.

 

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