A íntegra do discurso de Aécio na convenção do PSDB

Com ataques ao PT e aos governos Dilma e Lula, senador assume a presidência do partido defendendo unidade e resgate do legado de FHC

"Presidente Sérgio Guerra, em nome de quem saúdo os companheiros do nosso partido de todos os estados brasileiros hoje aqui presentes, governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças, mulheres do PSDB, jovens tucanos, militância do Tucanafro, trabalhadores do nosso Núcleo Sindical, representantes de outras legendas partidárias que aqui vêm reafirmar o seu compromisso com o Brasil.

Sejam muito bem-vindos!

Companheiras e companheiros, esta é a primeira vez que lhes falo como presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira. Antes de qualquer outra palavra, devo-lhes um sincero agradecimento por esta inquestionável demonstração de confiança. Sinto-me honrado e fortalecido para enfrentar a grande tarefa que me foi delegada: liderar, ao lado de cada um de vocês, o principal partido de oposição do país, depositário das esperanças de milhões de brasileiros. Ao ver aqui, neste momento, leais companheiros e companheiras com os quais tantas vezes caminhamos pelo Brasil, assumo o compromisso de responder a esta confiança realizando um mandato honrado.

Um mandato ancorado nos valores e ideais da social democracia que nos trouxeram até aqui. Um mandato dedicado às grandes causas nacionais, que são, em última instância, também as causas do PSDB. Busco inspiração no legado que nos deixaram mulheres e homens públicos da envergadura e dimensão de Ruth Cardoso, Franco Montoro, Mario Covas e José Richa, dentre tantos outros. Mas é, sobretudo, no legado emblemático e permanente do presidente que mudou, para sempre, a história do nosso país que busco referência: Fernando Henrique Cardoso.

Assumo a presidência do PSDB exatamente quando se completam 20 anos que Fernando Henrique assumiu o Ministério da Fazenda do governo Itamar Franco. E, dali, liderou aquela que seria a maior transformação que o país viveu em sua história recente: a implantação do Plano Real, que debelou a inflação, estabilizou a nossa moeda e melhorou a vida de milhões de brasileiros.

Amigos, acredito que este ato que nos reúne hoje representa muito mais que uma mera formalidade da legislação que rege a vida dos partidos. Entendo-o como um grande reencontro. Um reencontro com nossa história e, por consequência, com nosso destino.

Herdei dos meus, e muito especialmente de Minas, a prática de revisitar sempre as lições daqueles que vieram antes de nós. Para jamais nos esquecermos quem somos e de onde viemos. É esta trajetória, ao final, que nos dará o rumo para onde vamos. Somos, em essência, um partido modernizante e reformador. Nosso ideário é claro: a defesa intransigente da democracia; a luta pela igualdade, como parte de um projeto de país justo e transformador; o compromisso com a ética e o respeito ao interesse público. Foram justamente esses valores – e não outros – que guiaram as grandes reformas que realizamos nos anos 90, liderados por Fernando Henrique.

Penso, caro presidente, caros companheiros, que este é o momento adequado para não só lembrarmos os nossos êxitos, mas também reconhecer nossos equívocos. Erramos por não termos defendido, juntos, todo o partido, com o vigor e a convicção devidos, a grande obra realizada pelo PSDB, que representa a base do Brasil moderno! Se o tivéssemos feito, talvez não houvesse espaço para a apropriação do nossa obra por aqueles que antes a combatiam com ferocidade e oportunismo.

Enganam-se aqueles que acham que podem reescrever a história de acordo com a sua conveniência.

Conhecemos a nossa história. Sabemos quem somos. Somos o partido que estabilizou uma economia convulsionada pela hiperinflação e criou as bases para a melhoria das condições de vida da nossa gente. Somos o partido do respeito ao dinheiro público, da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Somos quem universalizou o acesso ao ensino fundamental, trazendo todas as nossas crianças para a escola. Quem implantou o Benefício de Prestação Continuada, de proporções tão significativas para milhões de famílias brasileiras.

Fomos nós, o PSDB, quem criamos os primeiros programas de transferência de renda; quem fizemos as maiores conquistas na saúde, implementadas na exemplar gestão do ministro José Serra. Somos também aqueles que fizeram a corajosa reforma do Estado e sua modernização institucional, com a criação das agências reguladoras e a racionalização da máquina pública. Garantimos a abertura da economia, com as privatizações. E abrimos as portas do mercado de consumo a milhões de brasileiros. Acredito que é para garantir conquistas e realizações como essas que serve a legítima construção de uma maioria congressual.

Mas queremos mais: queremos que as famílias pobres tenham o direito de deixar de ser pobres. Queremos que o cartão do Bolsa Família seja um passaporte para o futuro, não um documento aprisionado ao presente. Cerca de 40% dos brasileiros não tem sequer o ensino fundamental e, dos jovens que chegam ao ensino médio, 50% abandonam a escola antes de concluir. Está na hora de mudar o slogan do governo que diz: “País rico é país sem pobreza”. O correto seria: “País rico é país com educação”.

Amigos, aproveito este momento para fazer uma justa e necessária homenagem. E um reconhecimento. O importante trabalho de resgate da obra do PSDB e da renovação partidária tem nome e sobrenome: presidente Sérgio Guerra!

Devemos a você, caríssimo presidente, um permanente agradecimento pela dedicação com que conduziu esta importante fase de transformação do nosso partido. Sou testemunha pessoal dos enormes sacrifícios que você se impôs para levá-la adiante. Receba, de cada um de nós, nosso reconhecimento, nosso carinho e nossa gratidão. Continuaremos contando com seu talento e sua generosa visão nacional nesta nossa nova etapa de construção coletiva.

Amigos e amigas, acredito que hoje um sentimento une a todos nós: a certeza de que o Brasil reclama por mudanças e exige novas transformações. O país vive hoje mais do mesmo. Estagnamos. Nas necessárias reformas estruturais, perdemos uma década. Nosso solidário legado ao Brasil está se exaurindo.

Desafios já vencidos estão de volta, como a inflação, o desarranjo econômico, a perda da nossa credibilidade. E isso está acontecendo porque, muitas vezes, como agora, falta aos governos o que deveria ser a sua principal matéria-prima: a coragem. Coragem para não se render às conveniências do momento. Coragem para fazer o que precisa ser feito. Com a marca do improviso, com truques contábeis, de remendo em remendo, o país viu-se aprisionado em uma armadilha. Uma armadilha de baixo crescimento, inflação alta e exportações em declínio.

De progressivo desajuste das contas públicas, reduzidos investimentos e baixa produtividade. E de um apagão logístico que sintetiza a perda de competitividade de nossas empresas e nossas indústrias, sufocadas pelo peso dos impostos e por uma burocracia paralisante.

Sem visão de futuro, os governos do PT legaram às novas gerações uma economia doente. Empregos de má qualidade, pibinho atrás de pibinho, uma indústria que ameaça desaparecer, num indesejável e perigoso processo de desindustrialização.

Para superar este cenário, é preciso romper com o corporativismo imobilista e com o intervencionismo exacerbado que vêm travando o investimento público e afugentando o privado.

Precisamos de uma nova política industrial, para reerguer a indústria e integrá-la às grandes correntes do comércio internacional. Não vamos chegar lá com trocas de impostos, créditos subsidiados para os amigos do poder e a escolha de vencedores que são perdedores. Ou mudamos ou corremos risco de perder muitas das conquistas que exigiram sacrifícios enormes aos brasileiros.

Senhoras, senhores, meus amigos, conhecemos bem os grandes desafios do país. Sabemos que a pobreza é um conjunto de privações que ultrapassa, em muito, a privação apenas da renda, como quer nos fazer crer o governo do PT. É, sobretudo, a privação de oportunidades. De direitos.

Criamos os primeiros programas de transferência de renda e defendemos a manutenção desta política social. Mas queremos mais. Queremos que os brasileiros tenham condições de se libertar da dependência do Estado e realizar seus próprios sonhos. Queremos que os brasileiros tenham condições de escolher o caminho que querem seguir.

O PSDB defende um governo que não se limite apenas à gestão diária da pobreza, mas crie condições efetivas para a sua superação. Não venceremos a miséria com marketing e propaganda oficial.

Como o ‘seu’ Francisco Rodrigues e a sua família, que vivem no interior do Maranhão, numa das 3,5 milhões de moradias do país que não têm sequer banheiro, vão acreditar que a miséria acabou, como quer nos fazer crer o governo federal?

Como é possível falar no fim da miséria quando milhões e milhões de brasileiros não ganham sequer um salário-mínimo? Quando milhões de brasileiros não conseguem estudar?

Não há mágica: um país só é rico se tem boa educação. Apenas a educação de qualidade garante ao cidadão a sua verdadeira emancipação.

Para não irmos muito longe, aqui na América do Sul só o Suriname tem média de escolaridade tão baixa quanto a dos nossos estudantes. Temos a mais alta taxa de evasão e quase 4 milhões de nossas crianças e adolescentes ainda estão fora da escola. O que acontece com a educação infantil ilustra o descompasso entre o que se promete nos palanques e a realidade.

A presidente da República prometeu construir 6 mil creches, mas o governo admite ter entregue até hoje apenas 612. É preciso fazer diferente. É possível fazer melhor. Entendemos que é hora de elevar os investimentos em educação.

Desenvolver currículos adequados às realidades regionais e aos desafios que o mundo contemporâneo impõe às crianças e aos jovens. Apoiar os professores, premiar o mérito e as melhores iniciativas, sempre de forma pactuada com estados e municípios. A nossa experiência em Minas nos ensinou que com comprometimento, ousadia e metas responsavelmente pactuadas podemos avançar muito.

Me orgulho em poder dizer que Minas tem hoje, segundo o IDEB, a melhor educação básica do país! E aqui aproveito a oportunidade para homenagear um dos mais bem preparados homens públicos do Brasil, o extraordinário governador Antônio Anastasia, que está conduzindo Minas Gerais a um novo futuro.

Amigos, se a educação é o principal problema a ser enfrentado para transpor o fosso do atraso social que ainda existe entre nós, o que dizer da saúde? E falo especialmente dos serviços oferecidos à população mais idosa.

A situação dos hospitais continua dramática, as filas no atendimento persistem, o dinheiro é mal gasto e os casos de desvios de recursos públicos se sucedem. Ao mesmo tempo, iniciativas importantes como a consolidação do SUS, os medicamentos genéricos, os mutirões de saúde e as políticas de prevenção perderam atenção.

Como aceitar que mais de R$ 40 bilhões de recursos disponíveis no Orçamento da União tenham simplesmente deixado de ser aplicados na saúde nos últimos anos, apenas por pura incompetência? Quanto mais cresce a necessidade, mais diminui a solidariedade do governo federal com os brasileiros: em 2000, a União respondia por 44% dos gastos em saúde. Hoje este percentual caiu para 36%.

É preciso fazer melhor. E fazer melhor neste caso é questão de correta escolha de prioridades.

O PSDB defende a aplicação do piso mínimo de 10% da receita federal em saúde, conforme previa a emenda constitucional 29, e melhorias na gestão compartilhada do sistema.

Se é preciso melhorar muito a educação e a saúde, é urgente devolver aos brasileiros a paz roubada pela insegurança das nossas grandes cidades, que se dissemina e avança também sobre as pequenas localidades do país, à bordo especialmente da gravíssima epidemia de crack.

Não é admissível que o governo federal continue a se omitir, cruze os braços e simplesmente lave as mãos diante da triste escalada da violência que vivemos e do desespero que aflige milhões de famílias brasileiras. Como aceitar que mais de 45 mil pessoas continuem a ser assassinadas por ano no Brasil? São mais mortos do que geram muitas guerras ao redor do mundo. Como aceitar que estados e municípios participem com 87% das despesas com segurança no país e a União, apenas com 13%? Como admitir que as despesas com segurança pública representem apenas 0,4% do total de gastos federais?

A grande verdade é que falta generosidade ao governo federal no enfrentamento das questões que realmente afetam a vida dos brasileiros. Chega de remendos, de improvisos, de omissões. O PSDB considera que a hora é de buscar as soluções inovadoras que a gravidade da situação na segurança pública requer. É preciso dar atenção à proposta do governador Geraldo Alckmin que aumenta o tempo de internação para a ressocialização de menores que cometem crimes mais graves.

Também não posso deixar de ressaltar a coragem que o governador de São Paulo tem demonstrado no enfrentamento da questão das drogas, em particular do crack, com medidas exemplares no tratamento de dependentes.

A União tem que assumir a luta contra a criminalidade e contra as drogas, e não deixá-la apenas nas mãos dos governos estaduais, muitas vezes impotentes diante da sofisticação do crime.

Minhas amigas, meus amigos, para que os desafios da educação, da saúde e da segurança sejam enfrentados e vencidos, é necessário, além de boa gestão, preocupação sincera com cada um dos brasileiros.

As urgências dos cidadãos se contrapõem aos desperdícios, à ineficiência, às obras que nunca terminam e aos programas que não produzem resultados. O Estado não faz a sua parte e ainda sufoca as iniciativas do setor privado. O Brasil da propaganda, insaciável em superar recordes, agora está prestes a bater o de número de ministérios. Um feito mundial!

A este respeito, faço minhas as palavras de um conselheiro da presidência da República, que melhor resumiu a incrível profusão de ministérios, muitos voltados apenas para cooptar apoio político para o governo: é burrice, loucura, irresponsabilidade!

Nunca se viu antes na história do país um nível tão ousado de aparelhamento e compadrio. Este é um governo dos amigos, com os amigos, para os amigos e pelos amigos.

Hoje, para onde quer que se olhe, vê-se um país refém da má gestão. Estão aí o PAC e a persistência do flagelo da seca no Nordeste, que nos envergonham e nos mantêm aprisionados no atraso das mazelas que se eternizaram na administração pública.

Como aceitar que, tantos anos depois, obras como a transposição do rio São Francisco, a ferrovia Norte-Sul e a refinaria Abreu e Lima, dentre tantas outras, ainda estejam longe de acabar, embora seus custos não parem de aumentar?

É como nos versos de Caetano Veloso: Tudo parece ainda em construção e já é ruína...

É preciso fazer diferente.

E, nesse momento, quero saudar os companheiros governadores do PSDB cujas administrações trazem uma marca em comum: planejamento, eficiência e respeito aos recursos públicos.

A administração pública deve honrar o dinheiro pago pelos cidadãos: fazer mais com os mesmos recursos, tratar com responsabilidade o bem público. E, principalmente: gastar menos com o governo, para investir mais nas pessoas. O bom servidor deve ser valorizado. O mérito e a competência devem ser premiados, acompanhados de metas claras e avaliações periódicas.

Em contrapartida, o país não pode mais ser condescendente com a ineficiência, os desvios, a má conduta. Os gastos correntes devem ser contidos e os investimentos, acelerados. Nossas estatais devem ser recuperadas para os brasileiros. Devem servir ao país e não a um governo.

Nesse contexto, não posso deixar de citar a Petrobras: a maior vítima e o maior exemplo dos equívocos, da falta de governança e do aparelhamento das empresas públicas empreendido pelo PT. Nos acusaram levianamente no passado de querer privatizar a Petrobras.

Isso nunca foi verdade. O que nós defendemos, ao contrário, é a reestatização da Petrobras. Tirá-la da orbita de um partido político e de grupos de interesse. E devolvê-la ao Estado brasileiro. Até para não comprometermos as enormes potencialidades que se descortinam com o pré-sal.

Amigos, precisamos fazer avançar a importância do Brasil no mundo. Temos hoje uma política externa que nos apequena e prescinde de alianças com os principais atores e economias globais. Como aceitar que nossa participação no comércio mundial esteja diminuindo e situe-se atualmente no mesmo patamar de 30 anos atrás?

É preciso promover uma integração que atenda aos verdadeiros interesses nacionais. Liberalizar o comércio de forma a permitir que nossas indústrias se abasteçam de insumos e matérias-primas mais baratas vindas do exterior e exportem produtos de maior tecnologia e valor agregado.

Devemos fazer um esforço consistente para inserir as empresas brasileiras nas cadeias produtivas globais, uma tendência da qual hoje estamos alijados.

Precisamos buscar mais acordos de livre-comércio, como vêm fazendo dezenas de países, incluindo alguns de nossos vizinhos. E redefinir os marcos da integração no âmbito do Mercosul, evitando que a rigidez das regras atuais nos aprisionem num abraço de afogados. Recuperar nosso papel de destaque no mundo também passa, evidentemente, por um maior protagonismo na questão ambiental. A agenda da sustentabilidade está no centro das nossas prioridades.

Deve fazer parte de toda e qualquer ação de governo, de cada compra governamental, de cada obra ou programa, desde sua formulação. Isso inclui a educação, a saúde, a infraestrutura e também a nossa política externa. O desenvolvimento sustentável deve ser prioridade e responsabilidade de todos que se preocupam com a qualidade do desenvolvimento e com a preservação da civilização humana.

Amigos e amigas, o Brasil simplesmente parou. As rodovias, ferrovias, portos e aeroportos não conseguem atender a demanda de um país que cresceu e quer se desenvolver. Como explicar que transportar um contêiner entre São Paulo e Santos custe tanto quanto levá-lo até a China?

Quem gera nossa riqueza não recebe a devida contrapartida do governo. É gente como o jovem Amador Trindade, caminhoneiro que enfrenta 2.400 km de estrada entre o Mato Grosso e o Paraná para levar nossa soja ao exterior, mas, por causa das péssimas condições de nossas rodovias, vê quase metade do valor perder-se pelo caminho.

Falta planejamento, falta prioridade. E país que não sabe escolher suas prioridades corre o risco de virar um cemitério de obras inacabadas

É possível, é imperativo, fazer diferente. Fazer melhor. A participação da iniciativa privada precisa ser incentivada , com marcos legais claros e equilibrados. Com segurança jurídica, é possível estimular a realização dos investimentos essenciais ao Brasil.

Somos um país que precisa recuperar urgentemente a sua competitividade e aumentar a sua produtividade. Para isso, inovação é fundamental.

Mas, sem uma política adequada, investimos pouco em pesquisa e desenvolvimento e perdemos nossos melhores cérebros para centros avançados do exterior. Nós os queremos aqui!

Para sairmos do lugar, um caminho é vincular medidas de desoneração fiscal à imposição de contrapartidas na forma de aumento da produtividade, de maiores níveis de inovação e de maior eficiência energética, em consonância com a agenda da sustentabilidade.

Como nunca apostamos no pior, aplaudimos o que é bom. Por isso, dizemos: a taxa de desemprego atualmente registrada no país é um feito a ser comemorado.

Queremos que o Brasil continue a ser o país do pleno emprego, mas não apenas de empregos de até dois salários-mínimos. Nos últimos anos, só temos gerado postos de trabalho nas faixas de remuneração mais baixas. Empregos mais bem pagos estão sendo extintos: perdemos quase 900 mil apenas nos últimos dois anos. É preciso buscar a expansão da qualificação profissional, a recuperação da indústria, a elevação dos investimentos em ciência e tecnologia. E dar um salto decidido na melhoria da educação, no combate às desigualdades regionais, na diminuição da carga tributária que impede as empresas de contratar e sufoca o ímpeto empreendedor privado.

Companheiros, Vocês são testemunhas: não me canso de afirmar que a desigual distribuição dos recursos públicos entre as unidades da Federação tem se mostrado a origem de desequilíbrios que estão impedindo a solução de uma série de problemas brasileiros.

O governo central tem provocado o agravamento das distorções, disseminado o dissenso, incentivado a conflagração de embates federativos e simplesmente se omitido na hora de arbitrá-los.

O governo federal distribui incentivos punindo estados e municípios. É a verdadeira cortesia com chapéu alheio. O Brasil precisa adotar um modelo em que recursos e responsabilidades sejam mais bem compartilhados. Sair de um modelo centralizador e autoritário para um sistema que dê a estados e municípios maior autonomia, sem que tenham de se submeter ao jugo do poder central.

Companheiras e companheiros tucanos, somos a maior legenda de oposição do país e, ao mesmo tempo, temos a responsabilidade de governar quase metade da nossa população. Governamos, com ética e competência, oito estados e mais de 700 municípios, com o decidido apoio de bancadas parlamentares consistentes, nos planos federal, estadual e municipal.

Faço aqui, nesse instante, um reconhecimento especial aos colegas deputados federais e senadores que, com todas as dificuldades impostas à minoria, vêm exercendo com bravura e patriotismo a missão que nos foi delegada por milhões de brasileiros. Em todas as funções que honrosamente exercemos, fica evidente a responsabilidade e o respeito que temos pelo Brasil e pelos brasileiros. Esta é uma marca que o Brasil inteiro reconhece e até nossos adversários respeitam: onde o PSDB governa, governa bem.

O desafio de bem governar e o dever de fiscalizar como oposição redobra nossa responsabilidade para com o país. É uma experiência e um aprendizado.

Não fazemos o combate desleal e irresponsável que sofremos por parte de nossos adversários quando governávamos o Brasil. Jamais colocaremos as conveniências do partido à frente dos interesses do país. Acima e antes de tudo, nos move o amor pelo Brasil e pelos brasileiros.

Hoje, opor-se ao governo tornou-se quase uma heresia. Fiscalizar suas ações, um crime de

lesa-pátria. Cobrar-lhe moralidade e ética no trato da coisa pública, uma tentativa rasteira de golpe.

Pois afirmo a cada um de vocês: o PSDB não vai abrir mão de exercer a missão que recebeu dos brasileiros. Vamos continuar exercendo a oposição ao governo federal com firmeza de princípios e clareza de propósitos. Contem sempre com a minha voz firme em defesa dos valores, das crenças do PSDB, do caminho que acreditamos ser melhor para o país.

Amigos, há períodos na História em que é preciso coragem para fazer as mudanças necessárias. Quando isto não ocorre, os governos roubam de seu povo aquilo que é inestimável: o direito a um futuro melhor.

Nos últimos anos o governo brasileiro vem tomando decisões e somando equívocos que lançam sombra sobre o nosso futuro. Está na hora de o Estado voltar a servir a todos os brasileiros. É o próprio PT quem confessa seu fracasso, ao insistir em comemorar seus dez anos no poder. Anos durante os quais se beneficiou dos efeitos da herança bendita legada por nós e de uma favorável conjuntura econômica internacional.

Age assim na tentativa de esconder que os dois anos da atual presidente têm duas únicas marcas: o crescimento pífio e a inflação fugindo ao controle.

Amigos e amigas, tucanos de todo o Brasil. Aproxima-se o momento de construirmos uma nova agenda para fazer as transformações que o Brasil reclama.

O PSDB pensa e faz diferente.

Fazer diferente é fazer as reformas que o país precisa.

É oferecer aos cidadãos serviços públicos de melhor qualidade.

É gerar oportunidades para os brasileiros, para que possamos superar, definitivamente, a miséria.

Fazer diferente é recuperar o vigor que uma nação como a nossa merece ter; incentivar o trabalho e a produção; impulsionar a economia; destravar as amarras que emperram nosso desenvolvimento, tolhem nossa competitividade e estrangulam nossas melhores iniciativas.

É hora de atacar com a determinação dos governos responsáveis e o compromisso dos governos transformadores o grave conjunto de carências sociais que penaliza a vida dos brasileiros, especialmente dos mais pobres.

Temos o dever de não nos contentarmos com o que foi conquistado até aqui. Há um longo e difícil caminho a ser percorrido até que alcancemos o novo e tão sonhado patamar de desenvolvimento social e humano.

Para tanto, o Brasil reclama mais inconformismo, ousadia, vontade política de fazer. Aquela velha esperança que tem movido os homens em busca da verdadeira transformação.

É importante não perder de vista, jamais, que somos ainda portadores de uma imensa e vergonhosa dívida social.

Fazer diferente é valorizar o mérito e premiar o esforço. É opor-se ao inchaço da máquina pública, à malversação dos recursos pagos pelos contribuintes, à transformação do Estado num feudo partidário. É não compactuar com a ineficiência e a corrupção.

Fazer diferente é resistir à destruição de valores, ao pendor autoritário e ao desapreço pela democracia. É opor-se à obsessão por controlar a sociedade, as instituições e a imprensa. É combater a intolerância que tenta constranger os que não pensam de forma igual.

É não aceitar que Congresso, Judiciário, estados e municípios tenham que se submeter às vontades de um poder quase absoluto.

Mais unidos que nunca, nós, tucanos, vamos continuar a nossa caminhada, devotada a construir um Brasil para todos, sem divisões, sem sectarismos. Um Brasil em que sejamos todos “nós”. Um país em que não haja o “eles”, apontados com o dedo em riste. Um Brasil para negros, brancos, indígenas, para todas as etnias, para todas as crenças. Para jovens e idosos. Para homens, mulheres e crianças.

Um Brasil que respeita a diversidade e a inclusão, que valoriza a família, a solidariedade e a fraternidade. O PSDB acredita que é hora de mudanças, sérias, ousadas, corajosas. A hora é de fazer, de novo, o país avançar.

Meus amigos, minhas amigas, peço licença agora, ao final, para uma palavra pessoal.

Tornou-se comum dizer que somos filhos das nossas circunstâncias. Que somos filhos do nosso passado e pais do nosso futuro. Passado. Presente. Futuro.

Sinto, nesse momento, sobre os meus ombros a mão de meu pai, quem primeiro me ensinou que política e ética devem caminhar sempre juntas. E agradeço a ele, mais uma vez, pelo seu exemplo. Nos meus ouvidos, ouço a voz do meu avô, do nosso presidente Tancredo, que nos lembrava todo o tempo que, no serviço da pátria, há sempre lugar para todos. E, mais uma vez, com gratidão, agradeço a ele pela inspiração de todos os dias.

Olho para vocês, com os olhos do afeto e do respeito, e saúdo em cada um a sensibilidade de dona Ruth, a ousadia de Covas, a determinação do grande Teotônio, a integridade de Montoro, a dedicação de Richa.

Olho para cada um de vocês e renovo minha convicção de que, no amor ao Brasil, passado, presente e futuro se fundem em um só tempo: o sempre. É sempre tempo de construir, de transformar em realidade o sonho que juntos sonharam tantos brasileiros e que amanhece todos os dias nas ruas deste país.

Olho para vocês e sinto enorme orgulho de ser companheiro de sonhos e esperanças de cada um dos que aqui estão, dos que nos veem, dos que nos escutam.

E renovo, nesse momento, o meu compromisso: a partir de hoje, estarei caminhando ao lado de cada um de vocês, ombro a ombro. Estarei com cada um dos tucanos, em cada canto deste país, na defesa firme dos valores da ética, da honradez, da justiça social e da liberdade. E na resistência clara ao autoritarismo, ao compadrio, ao desrespeito ao interesse público.

Vamos, juntos, levantando a bandeira e os ideais da social democracia brasileira!

Hoje, juntos, começamos a escrever uma nova história.

Por justiça, ética e liberdade.

Pelo Brasil! Pelos brasileiros!

Viva o PSDB!"

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