36 de idade, e bagagem de muito mais

Como o Capitão Nascimento de Tropa de elite, Wagner chegou ao auge do reconhecimento de público e crítica. Mas sua carreira vai bem além disso

Berenice Seara, especial para o Congresso em Foco

É quase impossível falar em Wagner Moura e não lembrar do rosto distorcido pela raiva do Capitão Nascimento. O personagem-símbolo da série Tropa de Elite, do diretor José Padilha, é daqueles que colam. E, ao que tudo indica, não descolam jamais.

Mas é injustiça com esse ator de 36 anos – e bagagem de muito mais – ficar só no oficial do Bope e em suas frases de efeito, que viraram bordão pelo país afora. Wagner, nascido em Salvador e criado em Rodelas, no sertão da Bahia, tem uma carreira produtiva, consistente e premiada no cinema, mas também na TV e no teatro.

Começou nos palcos ainda no colégio, mas chegou a se formar em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia – ao lado do deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), aliás.

A virada na carreira aconteceu com a peça A máquina, de João Falcão. Foi seu primeiro sucesso de crítica e de público no eixo Rio-São Paulo, que abriu as portas para ele e dois também talentosos amigos dos tempos de Salvador, os atores Lázaro Ramos e Vladimir Brichta.

Com a retomada do cinema brasileiro, Wagner colecionou personagens marcantes, em filmes como Abril despedaçado, de Walter Salles; As três Marias, de Aluizio Abranches; Deus é brasileiro, de Cacá Diegues; Nina, de Heitor Dhalia; O homem do ano, de José Henrique Fonseca; e O caminho das nuvens, de Vicente Amorim.

Para participar do bem-sucedido Carandiru, de Hector Babenco, mandou uma fita em que lia trechos do livro de Dráuzio Varella. Convocado para participar dos testes, acabou ganhando o papel do emocionante presidiário, traficante e viciado em drogas Zico.

Na TV, começou em Carga pesada, levado por Antônio Fagundes, companheiro de cena em Deus é brasileiro. Fez  o humorístico Sexo frágil e emendou com sua primeira novela, A lua me disse, de Miguel Falabella. Mas explodiu mesmo em 2007, com Paraíso tropical, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Na pele do vilão Olavo Novaes, e em tórrida parceria com a prostituta Bebel (Camila Pitanga), Wagner ficou conhecido em todo o Brasil.

Depois de um tempo afastado dos palcos, voltou à cena em 2009, encenando e produzindo Hamlet, de Wiliam Shakespeare. A peça, dirigida por Aderbal Freire Filho, dividiu a crítica.

Como se fosse pouco, ele resolve se arriscar em… música! Em 2008, retomou a banda Sua Mãe, fundada com amigos em 1992. Como vocalista, participou do Circo do Edgard e do Altas horas, de Sérgio Groisman; estreou em 2009 um site no portal da MTV e em 2010 lançou seu primeiro CD. O cara é assim. Não para nunca.

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