Mourão leva bronca de Bolsonaro, recua de crítica a 13º e reclama de pressão

O general da reserva e vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Hamilton Mourão, recuou nas críticas a direitos de trabalhadores e que vieram a público nesta quinta-feira (27), em vídeo que se multiplica durante o dia em diversas redes sociais (assista abaixo). Mourão afirmou que “o contexto era outro” em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Após sua fala repercutir negativamente, Bolsonaro, que é ex-capitão do Exército, foi ao Twitter desautorizar o vice, afirmando que a fala de Mourão era uma “ofensa a quem trabalha” e de vinda de alguém que “confessa desconhecer a Constituição”. Ambos os direitos estão previstos na Carta Magna de 1988. O 13º salário também é lei desde 1962 e consta da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Depois da bronca pública, em um primeiro momento Mourão disse ter sido “mal interpretado”. Mas, ao ser lembrado pela reportagem de que a palestra foi gravada, passou a dizer que o contexto era diferente.

"Eu não posso mexer e nem posso falar nada até porque eu recebo, né?", disse Mourão à Folha.

Ele afirmou ainda que estava falando sobre o custo Brasil e sobre “eficiência gerencial”. “Qualquer gerente e qualquer empresário, e os próprios governos têm que poupar ao longo do ano para que possam pagar o 13º, é uma questão de eficiência gerencial”, acrescentou.

Veja a íntegra da palestra de Mourão na CDL Uruguaiana:


Pouco antes de tecer as críticas aos direitos dos trabalhadores, Mourão faz ponderações sobre priorizar gastos e a realização de uma reforma tributária com diminuição de desonerações.

Durante a palestra, realizada ontem (quarta, 26) na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), Mourão disse também que os direitos assegurados aos trabalhadores em décadas de conquistas são “jabuticabas” – ou seja, só ocorrem no Brasil – e “mochila nas costas de todo empresário”.

“Se a gente arrecada 12 [meses] e pagamos 13? E [o país] é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais", disse o general da reserva.

À revista online Crusoé, o general reclamou das críticas às declarações que tem dado. “Estou mais acostumado a dar tiro nos outros, não a levar tiro.” Ele também se queixou de ser alvo constante de “tiro, porrada e bomba” de “todo mundo”.

 

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