Presidente do PSDB de SP cobra oposição a Bolsonaro e reclama de ala governista

O presidente do diretório paulista do PSDB, Marco Vinholi, defendeu em entrevista ao Congresso em Foco nesta quinta-feira (11) que o partido assuma uma postura de oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

"Aqueles que não querem que o PSDB fique na oposição, como o deputado Celso Sabino [deputado tucano do Pará e articulador de votos para Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara eleito com o apoio do governo], trabalham para criar uma grande nuvem de fumaça em torno do tema. A pergunta é: o PSDB quer ser oposição ao governo Bolsonaro assim como nós fazemos?", disse Vinholi, que também é secretário de Desenvolvimento Regional do governador João Doria (PSDB).

Em resposta, o deputado Celso Sabino disse que o governador de São Paulo "usa assessores pagos com dinheiro público para tentar diminuir e atacar a todos que pensam diferente dele".

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Doria provocou uma crise no partido esta semana ao tentar substituir Bruno Araújo na presidência do PSDB e voltar a pedir a expulsão do ex-presidente da sigla, o deputado Aécio Neves (MG).

Os dois assuntos foram abordados em jantar promovido na segunda-feira (8) por Doria e que contou com a participação de Vinholi, do ex-senador Aloysio Nunes, do líder do PSDB na Câmara, Rodrigo de Castro (MG), do secretário particular do governador paulista, Wilson Pedroso, do presidente do PSDB, Bruno Araújo, do deputado Samuel Moreira (SP), e do presidente da Assembleia de São Paulo, Cauê Macris.

Vinholi negou que haja movimento para Doria ser presidente do PSDB e elogiou Bruno Araújo. "Grande parceiro, do governador e nosso", disse.

Críticos de Doria reclamam da postura dele e lembram que ele apoiou Bolsonaro em 2018.

"Ninguém até hoje questionou a postura de oposição do PSDB ao governo. Apenas o governador de São Paulo insiste em prestar esse desserviço ao partido. A obsessão do senhor João Doria em reafirmar, diariamente, que é oposição ao presidente Bolsonaro talvez seja um esforço inconsciente (ou não) para tentar apagar da sua memória, e da memória dos brasileiros, a sua mudança de nome nas últimas eleições, de João Doria para Bolsodoria", escreveu Aécio Neves em nota.

O presidente do PSDB-SP disse que a manifestação do governador sobre a expulsão de Aécio foi uma opinião pessoal e que não vai ser enviado novo pedido de afastamento do mineiro.

Congresso em Foco: o que foi tratado no jantar promovido por Doria na segunda-feira?

Marco Vinholi: o foco fundamental da conversa: PSDB na oposição. O foco é esse, todo outro tipo de diálogo foi paralelo a isso, sem a importância que teve a questão do PSDB na oposição, esse é o cerne da questão. É uma questão comungada por vários quadros históricos do partido, pela militância, uma parte considerável das bancadas, pela imensa maioria dos movimentos do partido. Esse é um entendimento fundamental. Questão de eleição interna do PSDB é uma discussão interna, o Doria não fez nenhuma manifestação [para presidir o PSDB]. Não existiu nenhuma manifestação dele nesse sentido, muito pelo contrário, aproveito para registrar o excepcional trabalho que Bruno Araújo vem fazendo, grande parceiro, do governador, nosso.

Aqueles que não querem que o PSDB fique na oposição, como o deputado Celso Sabino, trabalham para criar uma grande nuvem de fumaça em torno do tema. A pergunta é: o PSDB quer ser oposição ao governo Bolsonaro assim como nós fazemos? Essa é uma pauta legítima de todos nós. Questões internas das eleições do partido, tudo isso não tem a relevância política que tem essa questão da oposição. Não foi nem definido o calendário interno do PSDB, isso é legítimo, aqueles que quiserem, enfim, o Bruno, aproveito para registrar mais uma vez, é um grande presidente de um grande partido nosso. O que tenta o Sabino nesse momento é misturar as coisas.

Não é só Celso Sabino que não quer ser oposição. Grande parte da bancada do PSDB no Congresso tem proximidade com o governo.

É ele quem tem dado as declarações.

Tem deputados do partido que não se manifestam, mas são governistas, inclusive com aliados indicados para cargos.

Eu desconheço, o que tenho visto na prática é o Sabino, que é governista, que está fazendo um movimento para o PSDB não ir para a oposição. Isso tem que ficar muito claro sobre a visão dos fatos.

O PSDB tem que definir o que é. Vejo nos quadros históricos essa manifestação, em quadros importantíssimos, posso citar Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes, posso citar tantos quadros fundamentais, a militância do partido, grande parte dos parlamentares tem se manifestado dessa forma. O conjunto do partido, pela importância que tem, parlamentares, senadores, todos juntos discutir esse tema. Esse tema é fundamental para o partido discutir nesse momento. Se vai ser um partido de oposição por entender que o governo Bolsonaro tem ido contra nosso programa partidário, contra aquilo que a gente acredita para o país, é isso que está em jogo.

Doria falou em afastamento de Aecio, mas isso já não foi votado pelo partido?

O governador segue com a mesma manifestação que ele teve desde o início desse processo, de que defende o afastamento dele para fazer sua defesa afastado. Mas registro que isso é uma decisão do partido, ele respeita a decisão do partido, sempre disse isso e disse mais uma vez. A opinião dele é essa, é isso que ele entende como necessário, ele colocou até mesmo o preenchimento desse campo, junto com o Sabino, mais governista, como uma questão a aprofundar. Ele manifestou a opinião dele, que é legítima, mas respeita o que a decisão partidária avaliar sobre esse tema.

Vai ser enviada nova solicitação de expulsão dele?

Não vai ter, foi uma manifestação dele sobre o tema, assim como sempre se manifestou.

Como foi a reunião com ACM Neto na terça-feira?

Ele teve essa conversa com o DEM, uma boa conversa, em torno dessa relação procurar construir para o futuro a formação de um centro democrático que foi importante para esse começo de ano.

Há preocupação de Doria com uma aproximação entre DEM e Bolsonaro?

É a posição deles, eles que vão acertar, mas no entorno dessas questões, a relação com o MDB, mantiveram as portas abertas e nós também.

O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, vai sair do DEM para ir ao PSDB?

É algo que ele vai definir, foi feito o convite, o governador já se manifestou e é algo que ele vai definir ao longo das próximas semanas.

Acredita que haverá prévias para escolha do candidato do PSDB ao Planalto ou será por aclamação?

Devemos aprofundar a discussão ao longo desse próximo período, buscar sempre um consenso das ações, todos os membros do partido são livres, o PSDB tem uma tradição democrática que nós respeitamos e vamos construir em conjunto, mas evidentemente sempre buscando o consenso nas ações.

Rodrigo Garcia vai ser apoiado pelo PSDB como candidato ao governo de São Paulo em 2022?

O Rodrigo é um ótimo quadro. É óbvio que é um passo de cada vez para chegar até lá. Se o governador João Doria tiver sua candidatura a presidente, Rodrigo no cargo se torna um excepcional candidato à reeleição.

Como andam as conversa com o MDB?

Temos tido bastante conversas, sempre muito próximos ao MDB, sempre muito salutar e mantido uma relação muito boa, consideramos eles um partido do centro democrático.

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