Haddad pede “arco de alianças” contra retrocesso; capitães mandarão no país, diz Bolsonaro

Há 13 dias para o segundo turno, os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) deram continuidade ás respectivas campanhas em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, nesta segunda-feira (15). Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o petista falou à imprensa e defendeu um "grande arco de alianças" contra a candidatura do adversário, que ele considera como "ameaça às instituições" e um retrocesso democrático. Já Bolsonaro, em visita à sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Rio de Janeiro, disse que "capitães" passarão a "mandar no Brasil" caso ele seja eleito.

"Eu reputo que a ameaça é muito grande. O ‘bolsonarismo’ é uma ameaça concreta às instituições. Pelo Brasil democrático eu estaria disposto a qualquer tipo de gesto. Eu faço gestos todo o dia. [...] Um governo nosso teria que ser um governo mais amplo do que nunca para garantir uma transição do atual estado de coisas para uma normalidade democrática, em que as pessoas possam discutir com naturalidade as propostas", declarou Haddad, que concedeu entrevista à Rádio Bandeirantes.

O petista voltou a lamentar a onda de violência e intolerância que tem marcado a corrida presidencial. "Há muita violência. As pessoas estão com medo de se manifestar. Os poucos que se manifestam recebem constrangimento imediato", declarou.

Já Bolsonaro foi ao quartel da Polícia Militar no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio, sede do Bope, acompanhado de assessores na manhã desta segunda-feira (15). A visita foi fechada à imprensa, mas a equipe do deputado divulgou nas redes sociais vídeo com trecho do encontro (veja abaixo).

"Estou dando continência para o coronel, mas quem vai mandar no Brasil serão os capitães", afirmou Bolsonaro, em saudação ao tenente-coronel Alex Benevenuto encerrada com o grito de "caveira", palavra de ordem que caracteriza a tropa de choque.

Veja:

 

Capitão da reserva do Exército, Bolsonaro também mencionou a bancada parlamentar que, impulsionada por sua popularidade, foi formada depois das votações de primeiro turno, em 7 de outubro. "Nós temos a segunda maior bancada em Brasília e isso vem de gente como vocês. Temos que acreditar e tentar mudar, buscar fazer a coisa certa. Isso é possível – afinal de contas, não temos outro caminho", discursou o deputado militar.

Reta final

Tanto Bolsonaro quanto Haddad miram as possibilidades de elevar seus percentuais de votação, por meio da conquista de eleitores em regiões e campos político-ideológicos específicos. Ambos têm índice de rejeição que superou os 40% dos entrevistados em pesquisas de intenção de voto no primeiro turno.

Com 46,03% dos votos válidos (contra 29,28% de Haddad) no primeiro turno, Bolsonaro agora busca conquistar votos no Nordeste, onde foi derrotado pelo petista em todos os estados – no Ceará, perdeu inclusive para Ciro, ex-governador do estado que superou também Haddad na votação de 7 de outubro. Pesa contra o deputado as acusações de que ele daria início a uma nova era de militarismo no Brasil e de que seu discurso é responsável, em alguma medida, pelos registros de violência protagonizados por seus eleitores Brasil afora.

Já o ex-prefeito de São Paulo tenta diminuir a alta rejeição ao PT em boa arte do território nacional. O antipetismo é alto principalmente nas regiões Sudeste, onde estão três dos maiores eleitorados do país (SP, MG e RJ), e Sul, em que pesem a condenação e a prisão do ex-presidente Lula, desde 7 de abril cumprindo pena de mais de 12 anos em Curitiba (PR). Outro desafio do petista é evitar a migração de votos de outros candidatos alinhados às chamadas direita e centro-direita brasileiras, em partidos como PSDB e Novo, e conquistar o eleitorado que anulou ou votou branco e nulo no primeiro turno.

 

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