General responsável pelo plano de educação de Bolsonaro defende que escolas digam a “verdade” sobre 64

O general Aléssio Ribeiro Souto, um dos responsáveis pelo plano de educação em um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que deve ser feita uma revisão nos currículos e bibliografias das escolas. Ele defendeu que deve ser dita a "verdade" sobre o regime militar de 1964, expondo as mortes dos dois lados. “Quando você trata dos problemas e das mortes – e a guerra traz mortes – tem de tratar dos dois lados”, disse.

Segundo Aléssio, foram levantadas 14 “ideias básicas” para o Ministério da Educação. Elas incluem a valorização dos professores, motivação dos alunos, treinamento de professores, alteração da formação das licenciaturas, revisão completa dos processos educacionais da base curricular, efeito emprego dos recursos.

O general disse que é “muito forte a ideia de revisão dos processos curriculares, das bibliografias”. “Isso precisa ser muito cuidado para não termos absurdos que vimos na TV como livros distribuídos para crianças de sete anos que deixa mães estupefatas”, disse Aléssio. “A escola tem de tratar do problema, mas não tem de influenciar para uma direção ideológica. E, nesse sentido, estamos colocando uma revisão completa dessas questões curriculares.”

O objetivo, disse, é “impedir que tenhamos na escola a orientação de um determinado partido ou corrente ideológica em dado momento”. “Foi pregado pelo Bolsonaro que ele vai combater num eventual governo dele a ideologização das escolas, a transmissão das questões relacionadas à sexualidade, à ideologia de gênero, que é um direito inalienável dos pais. Ele transmitiu isso e por isso me convenceu de que eu poderia contribuir para a campanha dele”, o assessor de Bolsonaro.

Questionado sobre a visão, já manifestada, de que os livros de história não retratam a “verdade” sobre 1964, o general disse que só aceita debater aspectos do regime “à luz da liberdade e de praticar a verdade, a coragem e a ética”.

“Não tenho medo de debater com transparência. No período de 1945, cerca de 400 e poucos brasileiros morreram para derrotar o nazismo. Em 1964, houve 450 mortes dentre aqueles que queriam implantar a ditadura do proletariado. Mas houve 117 mortes daqueles que não queriam. Quando você trata dos problemas e das mortes – e a guerra traz mortes – tem de tratar dos dois lados. Existe a verdade, quer se queira ou não. E ela nem sempre tem sido retratada. Com frequência, minhas filhas chegam em casa falando coisas que não posso aceitar. Mas não está no livro de história, está na boca do professor”, disse.

Em entrevista ao portal Uol no mês passado, o general disse que os livros de história que não trazem “a verdade” sobre o 64 devem ser eliminados.

“A base da democracia é a liberdade, a verdade, a coragem e a ética. Qualquer livro de história tem que falar que os militares pegaram o Brasil na 42ª economia do mundo e trouxeram para o patamar de oitava”, disse na entrevista. Questionado sobre uma mudança no conteúdo dos livros de história em relação a 64, o general respondeu: “Os livros que não trazem a verdade têm de ser eliminados das escolas brasileiras”.

Ao Estadão, ele disse ainda não entrar na questão do “golpe” porque é “algo menor”.  “Há quem diga que o afastamento da Dilma, feito no âmbito do Congresso e do Poder Judiciário, foi golpe. Felizmente, o povo mineiro disse para ela: você não estava falando a verdade. Impediram que ela fosse eleita. A questão da palavra golpe me parece menor. Agora, sonegar para crianças de dez, 12, 16 anos o que ocorreu? Não concordo. Não gostaria de falar mais sobre o assunto”, disse o general.

Aléssio defendeu o financiamento dos estudos, mas disse que a política de cotas é um “remendo” e que deve prevalecer a ideia do mérito.

“Elas [cotas] estão sendo necessárias para alguns e mal utilizadas por outros para resolver um problema de má gestão governamental. Nossa proposta é a prevalência do mérito”, disse. “Pobre branco de olhos azuis não tem direito? Existem no Nordeste e no Rio Grande do Sul. No meu dicionário, não pode ter cor para o ser humano. Que tal se, em vez de cota, propiciarmos ensino adicional, correção dos erros existentes, complementariedade?”

O general também defendeu o “resgate da autoridade do professor” e a valorização da profissão. “É absolutamente inaceitável a agressão ao professor. Isso tem de ser reprimido”, disse Aléssio. “Aquele que ameaçar agredir o professor, que dirigiu a palavra mal dita para o professor, tem de haver repressão. Democrática.”

Leia a entrevista completa no Estadão. 

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