Eleição para o Senado em MT tem disputa concorrida e busca por apoio de Bolsonaro

Além de prefeitos e vereadores, o estado de Mato Grosso vai eleger no próximo dia 15 de novembro um senador em eleição suplementar para preencher a vaga da senadora cassada Juíza Selma Arruda (Podemos). Dos 11 candidatos interessados em ter um assento no Senado até 2026, uma possui apoio público de Jair Bolsonaro e outros três buscam colar sua imagem ao presidente.

Eleita na esteira do bolsonarismo, a Juíza Selma teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos crimes de caixa dois e abuso de poder econômico na campanha de 2018. A Comissão Diretora do Senado declarou a perda de mandato da senadora em abril. Inicialmente, a eleição solteira ocorreria em abril, mas foi adiada em razão da pandemia de covid-19 e vai coincidir com o pleito municipal.

O atual ocupante interino da vaga, o senador “tampão” Carlos Fávaro (PSD), tenta se efetivar no cargo. Ele foi o terceiro colocado no pleito de 2018 – que elegeu dois senadores por estado – e recebeu aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar a cadeira da senadora cassada até a realização de novas eleições.

Ele conta com o apoio público do governador do estado, Mauro Mendes (DEM), que gravou vídeo afirmando que Fávaro já mostrou “muita eficiência e competência” em seus cinco meses no Senado e obteve recursos significativos para o estado via emendas parlamentares. Apoiado ainda pelo ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, Fávaro também procura mostrar proximidade com o presidente. O senador interino aproveitou visita de Bolsonaro ao estado em setembro para se encontrar com ele e divulgar fotos dos dois nas redes sociais.

Com apoio público do presidente desde a convenção partidária que confirmou seu nome, Coronel Fernanda (Patriota) é a candidata oficial de Bolsonaro. Em propaganda eleitoral na TV, ela exibiu um vídeo do presidente listando motivos para elegê-la. “Por que Fernanda? Ela é policial militar, é mulher e é evangélica também. Então, se associa perfeitamente àquilo que nós queremos”, diz Bolsonaro.

A aparição de Bolsonaro na propaganda ultrapassava o limite permitido para os apoiadores, que é de até 25% do tempo permitido em cada programa ou inserção. Bolsonaro aparecia em oito dos 23 segundos a que a candidata tem direito, então sua participação foi retirada.

O comercial foi retirado do ar, mas o vídeo ainda pode ser encontrada em redes sociais. Além disso, a candidata do Patriota continua utilizando Bolsonaro como principal ativo da campanha e reforçando que conta com seu apoio. O presidente, inclusive, vem declarando em lives que ela é a sua candidata.

Apesar da existência desse apoio público, Bolsonaro é cortejado por outros candidatos. Vice-líder do governo na Câmara, o deputado federal José Medeiros (Podemos) também busca se associar ao bolsonarismo, citando apoio de parlamentares da base e se vendendo como “senador de direita”.

“José Medeiros é o único candidato a senador que coloca o Mato Grosso e o mato-grossense acima de tudo e Deus acima de todos”, diz propaganda eleitoral, parafraseando slogan da campanha de Bolsonaro em 2018. Ele também já divulgou vídeo ao lado de um dos ministros mais bem avaliados do governo, Tarcísio Freitas, da Infraestrutura.

José Medeiros ocupou uma cadeira no Senado entre 2015 e 2019, como suplente, na vaga de Pedro Taques, que se licenciou para assumir o governo do estado. Em 2018, ele se elegeu para a Câmara dos Deputados, mas agora tenta retornar ao Senado.

Autor da ação solicitando retirada da propaganda da Coronel Fernanda com Bolsonaro, o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB) exibe alinhamento com os dois senadores de Mato Grosso, Jayme Campos (DEM) e Wellington Fagundes (PL). Ele terá como suplente o ex-governador Júlio Campos (DEM), irmão do senador do DEM.

Em propaganda eleitoral, o ex-prefeito de Sinop e ex-deputado federal promove discurso antipetista, em que reitera a defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e diz que auxiliou Bolsonaro quando eram colegas na Câmara.

“A diferença dessa relação de apoio é que todos aí querem a ajuda do presidente Bolsonaro. Diferente disso, eu já ajudei o presidente Bolsonaro. Quando lutei pelo impeachment, quando lutei pelos temas que hoje estão em pauta na mesa do presidente Bolsonaro”, diz o tucano.

No outro extremo do Bolsonaro, a esquerda contempla os nomes do Procurador Mauro (Psol) e do ex-deputado estadual Valdir Barranco (PT).

Demais candidatos

A candidatura do ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques, que deixou o PSDB e foi para o Solidariedade, foi barrada pela Justiça Eleitoral. Taques informou que vai entrar com um recurso suspensivo contra a impugnação da candidatura dele determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). A Justiça considerou a pendência de multa eleitoral de R$ 50 mil para indeferir o registro do ex-governador na disputa à vaga de senador.

Outros candidatos que concorrem à cadeira no Senado são Sargento Elizeu Nascimento (DC), Reinaldo Morais (PSC), Euclides Ribeiro (Avante) e Feliciano Azuaga (Novo).

Pesquisas

O dois principais institutos de pesquisa do país – o Ibope e o Datafolha –não devem realizar pesquisas de intenção de voto dos mato-grossenses para a disputa ao Senado. Uma versão inicial desta matéria continha dados da pesquisa aplicada pela empresa Segmenta a pedido da Rádio Mega FM, porém os números foram retirados porque a pesquisa foi impugnada pela Justiça Eleitoral, conforme decisão publicada ontem (28) que pode ser acessada aqui.

O pedido de impugnação da pesquisa foi feito pela coligação PSDB/DEM/PL/PTC e alegava que pesquisa alterava os nomes dos candidatos registrados, o que pode influenciar nas respostas. O candidato registrado com o nome PEDRO TAQUES foi mencionado apenas como TAQUES e o candidato registrado como NILSON LEITÃO, foi apresentado ao entrevistado apenas como LEITÃO, enquanto que os demais candidatos foram apresentados coma utilização do nome conforme registrado junto ao TRE/MT.

Na pesquisa Segmenta/Rádio Mega FM, o candidato Carlos Fávaro aparecia como líder de intenções de voto. Como ele vinha divulgando o resultado em suas redes sociais, o juiz Armando Biancardini Candia determinou suspensão das publicações relacionadas ao levantamento, sob pena de multa de R$ 50 mil.

Um levantamento registrado pelo portal Olhar Direto realizou 597 entrevistas entre os dias 24 e 26 de outubro, porém se restringiu à população de Cuiabá. A pesquisa é quantitativa com técnica survey de opinião. Na capital, o Procurador Mauro (Psol) aparece com 13,2% das intenções de voto, seguido da Coronel Fernanda, com 10,7% das intenções de votos. Em seguida, a lista traz Carlos Fávaro, que aparece com 10,1% das intenções de votos dos cuiabanos.

Logo em seguida aparecem os seguintes candidatos: Nilson Leitão (9,4%); Pedro Taques (8,7%); Elizeu Nascimento (6,4%); José Medeiros (3,5%); Euclides Ribeiro (0,8%); Valdir Barranco (0,7%); Feliciano Azuaga (0,3%); Reinaldo Moraes (0,2%). Do total de entrevistados, 30,2% não souberam ou responderam ao questionamento e 5,9% votariam em branco, nulo ou nenhum. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a inscrição MT-03106/2020.

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