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DF tem chapa “puro gênero” com duas mulheres na disputa ao governo

A corrida ao Palácio do Buriti, sede do governo de Brasília, ficará marcada pelo ineditismo. Neste sábado (28), em convenção realizada na capital federal, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) oficializou os nomes de Fátima Sousa e Keka Bagno para a disputa de governadora e vice, por aclamação. Mais de 250 filiados e simpatizantes participaram do evento, que também serviu para formalizar candidaturas para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com 24 nomes, para a Câmara dos Deputados (15) e para o Senado (2).

A candidata ao governo, Fátima Sousa, é professora e já dirigiu a Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília (UnB). Já a postulante ao posto de vice-governadora – ou "co-governadoria", na nomenclatura escolhida pelo partido –, Keka Bagno, integra o Conselho Tutelar de Brasília. O termo, diz a legenda, é referência ao estilo de governo, com base em liderança compartilhada e para além da "hipótese legal de substituição em caso de vacância".

Segundo a assessoria de comunicação do Psol, a principal proposta do partido é o poder compartilhado com o povo, o que inclui reativação de conselhos de políticas públicas, como reza a legislação vigente no DF – em destaque, o Conselho de Representantes Regionais, criado há 25 anos por meio da Lei Orgânica do DF e nunca posto em funcionamento. "Esses conselhos devem ser eleitos diretamente, segundo o programa de governo do Psol, e terão a prerrogativa de indicar uma lista tríplice para escolha dos administradores regionais", acrescenta a assessoria.

"Os administradores regionais não vão para a nossa mesa para fazer a negociação imunda da velha política. Aquele que lá estiver deve ter legitimidade para ser porta-voz de um governo democrático, progressista, e essencialmente popular", discursou Fátima Sousa, cuja candidatura foi apoiada por movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Em seu discurso, a candidata à co-governadoria lembrou a memória de Marielle Franco, vereadora executada no Rio de Janeiro em 14 de março. Representante do Psol na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Marielle foi homenageada no início da convenção. "Nenhuma de nós mais vai tombar. [...] Não temos medo de mudar o Distrito Federal. Não estamos sozinhas e temos uma coligação que é muito grande: é Psol, é PCB, é MTST, é movimento negro, povos indígenas, população LGBT e a juventude. Eles que se cuidem", declarou Keka Bagno, primeira mulher negra a compor uma chapa para disputar o governo de Brasília.

Ex-candidato ao governo em três ocasiões, Toninho do Psol desta vez vai disputar uma vaga na CLDF. O mesmo fará Fábio Felix, assistente social, ex-presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do DF e ativista LGBT. Como o Congresso em Foco mostrou em 22 de outubro do ano passado, Fábio é primeiro presidente declaradamente gay de um partido no DF.

O Psol aproveitou o evento para anunciar a proposta de "candidatura coletiva", em que quatro ativistas de diversos movimentos sociais compartilharão, uma vez vez eleitos, salário e decisões do mandato. O titular do mandato compartilhado será o ativista ecossocialista Thiago Ávila, que poderá exercer o mandato com Airy Gavião, Eduardo Borges e Nádia Nádila.

Desistência determinante

A eleição no DF teve uma reviravolta, recentemente. Membro do Partido da República (PR), Jofran Frejat liderava a disputa pelo comando do Palácio do Buriti, com cerca de 25% das intenções de voto, até desistir do pleito. no último dia 17. Ex-secretário de Saúde do DF, Jofran diz que sua decisão é irreversível e que os atores envolvidos na corrida eleitoral o "desestimularam muito".

Com a saída de Jofran da peleja, o atual mandatário se beneficia e pode herdar parte dos eleitores do desistente. Disputando a reeleição, Rodrigo Rollemberg (PSB) vinha figurando em segundo lugar nas intenções de voto. Além de Fátima Sousa, estão no páreo Eliana Pedrosa (PPS), Paulo Chagas (PRP), Chico Leite (Rede), Izalci Lucas (PSDB), Alexandre Guerra (Novo), Joe Valle (PDT), Alírio Neto (PTB), Wanderley Tavares (PRB) e Júlio Miragaya (PT).

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