Davi fala em politização do apagão no Amapá e diz que Josiel foi “prejudicado”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou nesta quinta-feira (12) que houve uma politização da crise de energia no Amapá e que o “o maior atingido com esse apagão” foi seu irmão, Josiel (DEM), candidato a prefeito da capital. A crise de energia no estado, após blecaute iniciado no último dia 3, gerou na capital um clima de confronto que tem ameaçado a eleição do irmão de Davi e que levou ao adiamento do pleito em Macapá.

“O maior atingido com esse apagão chama-se Josiel Alcolumbre, que ia ganhar a eleição no primeiro turno, que estava caminhando para ganhar em primeiro turno a eleição, que está hoje – nas pesquisas divulgadas e nas nossas pesquisas internas – em primeiro lugar, com praticamente o dobro na frente do segundo. Então, se tem alguém que foi prejudicado desde o dia do acontecimento chama-se o candidato Josiel, porque está sendo agredido por todos os candidatos”, disse Davi em entrevista à rádio Diário 90,9 FM.

Segundo ele, Josiel estava mantendo a dianteira e tinha “possibilidade concreta de vencer a eleição em primeiro turno disputando com mais oito candidatos”. As pesquisas do Ibope, porém, nunca mostraram o demista com mais de 50% mais um dos votos válidos, condição necessária para vencer a disputa em primeiro turno.

Davi também criticou os adversários de Josiel por terem pedido o adiamento do pleito dias atrás e agora estarem afirmando que o adiamento foi provocado por Davi por preocupação com o resultado das recentes pesquisas. A decisão do TSE pelo adiamento foi tomada poucas horas após a divulgação da pesquisa Ibope, que mostrou consequências negativas para a candidatura de Josiel.

Antes da crise de energia, os adversários vinham afirmando que não havia condições de realizar o pleito no próximo domingo em função do avanço da segunda onda da covid-19 no estado.

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Pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira (11) pela Rede Amazônica mostra que a candidatura de Josiel foi impactada pela crise. O levantamento foi realizado entre os dias 9 e 11 de novembro. Ele continua na liderança, mas perdeu nove pontos percentuais, caindo de 35% para 26% das intenções de voto, considerando apenas os votos válidos. Além disso, houve um significativo aumento da rejeição a seu nome entre o eleitorado, que agora atinge a marca de 36%.

“Enquanto alguns estavam agredindo a classe política, enquanto alguns estavam politizando uma tragédia, eu estava em Brasília buscando as soluções para o problema do Amapá”, se defendeu Davi. O presidente do Senado afirmou também que o envolvimento do governo federal mostra “força, prestígio, liderança, dedicação e reconhecimento” de seu trabalho.

Cerca de 80% da energia do estado foi restaurada. Em live transmitida pelas redes sociais ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o prazo de 10 dias do governo para que todo sistema seja restabelecido termina na próxima quarta-feira (18).

Eleição adiada

Hoje pela manhã, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referendou, por unanimidade, a decisão do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, de adiar as eleições municipais de Macapá, afetada por uma crise no abastecimento de energia elétrica desde a semana passada. A decisão atendeu a pedido do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amapá.

Segundo Barroso, a decisão ocorre “em razão da instabilidade do fornecimento da energia, do aumento expressivo da criminalidade e de sinais de convulsão social”.

O adiamento se dará “até que se restabeleçam as condições materiais e técnicas para a realização do pleito, com segurança da população”. O TSE ainda não definiu a data da nova eleição porque haveria dificuldades técnicas em processos como a inseminação de dados nas urnas, mas ordenou que os dois turnos ocorram ainda em 2020.

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