Bolsonaro se beneficiou de campanha investigada, diz defesa de Bivar

Responsável pela defesa de Luciano Bivar e das candidatas que foram indiciadas sob a suspeita de terem atuado como laranjas do PSL em Pernambuco, o advogado Ademar Rigueira disse que o inquérito da Polícia Federal é frágil e se baseia em presunções. Ele afirma que não há provas de que Bivar foi beneficiado de forma irregular pelos recursos do fundo partidário e ataca: "Se teve algum beneficiado foi o presidente Jair Bolsonaro. O material impresso com esse recurso tinha a imagem dele e não de Bivar".

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Em conversa exclusiva com o Congresso em Foco, Ademar Rigueira disse que recebeu com surpresa a notícia de que a Polícia Federal decidiu nesta sexta-feira (29), após quase dez meses de investigações, indiciar Bivar e as candidatas Maria de Lourdes, Érika Santos e Mariana Nunes — todas do PSL em Pernambuco. Ele alega que não há nenhum elemento que comprove o desvio de recursos do fundo partidário destinados ao partido no estado, nem nenhum indício que ligue Bivar ao suposto esquema de candidaturas laranjas.

"Não tem nada provado nos autos. Ocorreu busca e apreensão, mas não tem nenhum elemento, porque o material gráfico foi produzido. O inquérito é muito frágil", afirmou Rigueira, acusando a Polícia Federal de ter concluído o inquérito com base em presunções. "A única coisa que vincula Bivar é um depoimento de Bebbiano que diz que liberou o dinheiro para Pernambuco a pedido de Bivar. Mas não tem nenhum elemento que prove que o dinheiro beneficiou Bivar. Eles partiram da presunção de que o dinheiro veio para beneficiar Bivar, mas não dizem como isso foi feito", alegou Rigueira.

 

 

 

O advogado ainda garante que todo o dinheiro recebido pelas candidatas que foram indiciadas nesta sexta-feira foram usadas em material publicitário na campanha eleitoral do ano passado. Maria de Lourdes, por exemplo, recebeu R$ 380 mil - a segunda maior cota do fundo partidário destinada ao PSL em Pernambuco, menor apenas que a do próprio Bivar - e diz ter empregado esse valor na produção de santinhos. Os santinhos foram produzidos em uma gráfica de pequeno porte a apenas quatro dias das eleições. O fato, aliado aos poucos votos recebidos por Maria de Lourdes (apenas 274), fizeram a candidata ter as contas rejeitadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). Mas Rigueira também questiona essa decisão e diz que o material foi produzido.

Ele ainda conta que, nesses santinhos, ao lado da imagem de Maria de Lourdes, estava estampado o rosto do presidente Jair Bolsonaro. "O material de publicidade de Maria de Lourdes é todo produzido com a imagem de Bolsonaro. Não tem material com o Bivar. Então, se teve algum beneficiado foi o presidente. Se for para falar de benefício com o material que foi produzido, com certeza Bolsonaro foi mais beneficiado", ataca o advogado.

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Rigueira diz que também há provas de que Érika Santos e Mariana Nunes fizeram campanha no ano passado. "É um absurdo presumir que eram laranjas por conta do valor do fundo partidário", reclamou.

O advogado, porém, diz que vai aguardar os encaminhamentos desse processo para poder se posicionar de forma oficial sobre o assunto. Ele explica que o indiciamento anunciado pela Polícia Federal nesta sexta-feira ainda será avaliado pelo Ministério Público Federal, que vai decidir se encaminha ou não essa denúncia à Justiça Eleitoral. "Vamos aguardar o pronunciamento do juiz competente", conclui Rigueira.

Advogado que tem auxiliado o presidente Jair Bolsonaro na criação do partido Aliança pelo Brasil, Admar Gonzaga classificou como lamentável, cínica e desrespeitosa a declaração da defesa de Bivar. "As pessoas têm que ter um pouco de respeito quando insultam a inteligência de outras pessoas trazendo uma acusação cínica dessa ordem porque não dá para imaginar que qualquer brasileiro que tenha uma inteligência mediana vá acreditar que um candidato à Presidência da República tem condições de controlar todas as propagandas que foram produzidas no Brasil e parece que nesse caso os indícios são fortíssimos de que as mulheres foram usadas para fazer desvio de dinheiro. Imaginar que um homem que foi esfaqueado e estava internado tenha produzido material para se beneficiar é de um cinismo e uma cara de pau sem tamanho", reclamou Gonzaga.

Ele acredita, então, que a intenção da defesa de Bivar com essa acusação é transferir a responsabilidade para o presidente. "Como se pode transferir a responsabilidade a alguém, a um candidato a presidente, se alguém colocar o rosto dele em algum lugar? Ele não tem condições de ficar controlando a campanha de todo mundo", disse o advogado de Bolsonaro, dizendo que deseja que toda essa questão das candidaturas laranjas do PSL seja esclarecida. "E que as pessoas responsáveis sejam rigorosamente responsabilizadas, porque é uma covardia o que fizeram com essas mulheres em benefício de alguém que já é rico e também é uma covardia acusar alguém que estava entre a vida e a morte no hospital", conclui Gonzaga.

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