Após acordo com centrão, Alckmin muda posição sobre imposto e é criticado

Após fechar acordo com o chamado centrão, que agrupa DEM, PP, PR, PRB e o Solidariedade, e conquistar cinco minutos de tempo de televisão, o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) já teve que mudar de posição sobre um assunto polêmico para manter o apoio das legendas e virou o alvo de críticas dos demais postulantes ao Palácio do Planalto.

Na sexta-feira (20), o ex-governador de São Paulo entrou na primeira saia justa com os partidos aliados. Em sua página no Twitter, Alckmin escreveu que não iria revogar "nenhum dos principais pontos da reforma trabalhista". "Não há plano de trazer de volta a contribuição sindical", escreveu. A declaração causou mal-estar com o Solidariedade, ligado a centrais sindicais. O deputado Paulinho da Força aventou a possibilidade de sair do acordo e passar a apoiar Ciro Gomes (PDT).

O problema só foi minimizado quando Alckmin ligou a Paulinho da Força, na noite de ontem, e disse que o post na rede social havia sido uma "trapalhada" de sua equipe de comunicação. Assegurou ao aliado que irá estudar medidas para manter a viabilidade econômica de sindicatos, sem passar pela volta do imposto sindical. Com isso, o deputado resolveu retomar o apoio.

Para a campanha do tucano, a aliança com o centrão é vista como essencial para que o pré-candidato deslanche nas pesquisas eleitorais -- em que, até agora, não colheu bons resultados. Para o acordo ser firmado, porém, Alckmin teve que se comprometer com uma série de pautas do interesse dos partidos que integram o bloco, principalmente no plano econômico.

Depois da saia justa com os apoiadores, os demais presidenciáveis teceram uma série de críticas à formalização do acordo que beneficia o tucano.

Jair Bolsonaro (PSL) foi incisivo: "Quero parabenizar o Alckmin. Ele reuniu a nata de tudo que não presta no Brasil ao lado dele". Alvaro Dias (Podemos) também falou sobre o assunto: "Não creio que a solução seja esse amontoado de siglas em nome de tempo de TV que, muitas vezes, é para dar explicações das próprias incoerências mais do que apresentar propostas que dizem respeito ao interesse nacional", afirmou, ao Estado de S. Paulo.

Marina Silva (Rede) disse, em um vídeo, que sua campanha não faria alianças "oportunistas" e "aventureiras". Guilherme Bolos (PSOL) afirmou que o centrão é uma "soma de partidos que se unem no balcão de negócios". "Em troca de alguns minutos do horário eleitoral, Alckmin se alia a ex-presidiários como o Valdemar da Costa Neto e o Roberto Jefferson", comentou João Amoêdo (Novo).

O centrão tem mais de 160 deputados, um número que pode ser decisivo para o futuro presidente conseguir aprovar pautas de interesse do governo na próxima legislatura. Nas últimas semanas, o bloco estava indeciso entre apoiar Alckmin ou Ciro. O tucano levou a melhor porque Ciro foi considerado instável demais -- esta semana, ele xingou a promotora que pediu a abertura de uma investigação contra ele por injúria racial contra o vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM).

 

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