Erro gráfico prejudica candidatos a diplomata

Itens fora de ordem confundem concorrentes ao cargo mais glamoroso do Poder Executivo

Nem o glamoroso concurso do Itamaraty está a salvo de denúncias de irregularidade. Um erro de impressão em quatro questões na prova de diplomatas, aplicadas no último domingo, provocou confusão e informações desencontradas. A seleção prevê o preenchimento de 30 vagas para terceiro secretário, cargo que tem remuneração inicial de R$ 12,9 mil. A concorrência foi uma das maiores dos últimos anos: 214,1 inscritos por vaga.

As provas foram divididas nos turnos matutino e vespertino. De acordo com relato de candidatos ao SOS Concurseiro/Congresso em Foco, quatro perguntas tinham ordem errada de impressão das opções. Ou seja, ao invés da ordem alfabética “a, b, c, d”, os itens estavam aleatórios “a, c, d, b”, por exemplo. Houve casos também de questões foram da ordem número: em vez de "1, 2, 3, 4", as questões estavam numeradas como "1, 3, 4, 2", por exemplo. Ao perceber o equívoco, ainda pela manhã, muitos inscritos se manifestaram e solicitaram explicações aos fiscais de prova que responderam com alternativas desencontradas.

“Uns informaram que nada poderiam fazer, que todas as instruções estavam no caderno de questões; outros disseram para ignorar o erro e preencher as respostas conforme aparecem os itens; e, ainda, houve fiscais que, para nos tranquilizar, garantiram que perguntas seriam anuladas”, comenta um candidato de 24 anos que fez prova no Rio de Janeiro e prefere o anonimato.

Ao chegarem para a segunda etapa de provas, no período vespertino, os concorrentes encontraram avisos escritos nos quadros das salas de aula informando que houve um erro de impressão na questão 55. Novamente, as explicações mais confundiram que solucionaram o impasse.

Nem todos os 6,5 mil inscritos concurso passaram por esse transtorno. Com a mescla de itens feita pelo sistema que criou cinco tipos de cadernos, houve variação na quantidade de questões com problemas de impressão. “No meu caso, apenas uma questão tinha problema. Em outros, as quatro estavam problemáticas”, relatou uma das concorrentes, que preferiu não se identificar. Ela realizou a prova “sequencial: 021” no Colégio Leonardo da Vinci, na Asa Norte, em Brasília e encontrou incoerência na questão 15, de Política Internacional.

 

Quebra de isonomia

As reclamações dos candidatos em Brasília e no Rio de Janeiro configuram quebra de isonomia, segundo o professor Rodrigo Francelino. Para ele, o ideal seria a reaplicação das provas para todos os candidatos. “Estamos falando de um dos cargos mais importantes do Poder Executivo. Quando há uma discriminação na aplicação das provas motivada por um erro na gráfica, tem-se um problema, a quebra do princípio de isonomia”, explica.

A melhor solução talvez fosse anular o concurso, mas o custo poderia ser muito alto. “Um concurso como este tem um alto custo. Desconheço os detalhes no contrato do MRE com o Cespe, mas reaplicar as provas poderia gerar um alto custo para o Governo”. Como alternativa para reestabelecer a igualdade de competição, ele sugere a anulação das questões que apresentaram desordem nos itens para todos os candidatos. ”É a opção mais coerente”.

Investigação

O Cespe/UnB, organizadora responsável pelo concurso garante que está investigando os relatos. Em nota, a empresa informou que “está averiguando as atas de sala de aplicação das provas da primeira fase do concurso [...] em busca de registros de incidentes durante a aplicação. Caso seja constatada alguma anormalidade, serão tomadas as devidas providências para evitar prejuízos aos candidatos”.

A organizadora também esclareceu que “os candidatos contaram com período de interposição de recursos, das 9h do dia 28 às 18h do dia 29, relativos às questões da prova objetiva. A avaliação dos recursos será feita por banca competente, que analisará a necessidade de anulação de alguma questão”.

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