Compras coletivas ainda patinam no mercado de concursos

Sites que oferecem descontos em materiais de estudo para seleções públicas ainda são pouco explorados no Brasil. Alguns até já saíram do ar

Wanessa de Almeida
Especial para o SOS Concurseiro/Congresso em Foco

Foi por acaso que a concurseira e jornalista Michelli Pessoa, de 27 anos, descobriu o Concurseiro Urbano , o pioneiro no ramo de sites de compras coletivas específicos para concursos públicos. Interessou-se de imediato pela proposta do portal e adquiriu um pacote de questões de raciocínio lógico e legislação do servidor federal por um bom preço.

“Tive a liberação do material no dia seguinte ao pagamento. Fiz um cadastro para baixar o material sem problemas. A dinâmica do site é boa, porque todo concurseiro sempre precisa de muito material para estudar”, diz Michelli. Assim como ela, milhares de estudantes de todo o Brasil já se cadastraram no Concurseiro Urbano para adquirir materiais com bons descontos.

O site completa dois anos no ar em janeiro de 2013 e faz parte do grupo Concurso Virtual, que oferece videoaulas com conteúdos sobre concursos públicos. Segundo o gerente comercial da empresa, Rubens Berlink, a ideia surgiu depois que sua equipe encontrou dificuldade para anunciar seus produtos em um grande portal de compras coletivas. Como não conseguiu espaço, decidiu investir no próprio serviço.

Assim como o Concurseiro Urbano, existem hoje outras páginas na internet que oferecem descontos com ofertas nacionais e regionais quando há um número mínimo de compradores. Geralmente, empresas do mercado de concursos públicos procuram o site para anunciar seus produtos e serviços. “Também buscamos ofertas interessantes para esse público e fazemos o contato. O Concurso Virtual também anuncia. É uma sinergia que leva muitas ofertas aos nossos alunos”, explica Rubens.

Apesar do retorno financeiro ainda estar aquém do traçado por seus idealizadores, a principal meta da empresa de São Paulo é alcançada a cada lançamento de oferta: ser uma ferramenta de auxílio para quem tanto almeja passar em um concurso público. “A nossa média de cadastros está em consonância com as ações de marketing que fazemos para divulgar o as ofertas do site. Aproximadamente 400 pessoas se cadastram por campanha. Portanto, quanto mais atrativas forem as ofertas, mais os cadastros crescerão”, espera o gerente comercial.

Com o Concurseiro Urbano, o mercado se abriu e outros sites também encontram nas compras coletivas uma tendência promissora para divulgar seus produtos e ampliar o número de cadastrados. É o caso do Beabá do Concurso, que, desde julho de 2011, corre atrás de parcerias para repassar descontos compatíveis com a realidade de quem vive de estudar para concursos públicos.

“Os descontos só são possíveis graças a boas parcerias, e principalmente, porque vários materiais são criados e confeccionados por professores, com vasta experiência, integrantes da nossa equipe”, conta Alison da Rocha Costa, coordenador geral do site.

Mas, para Michelli, o mercado ainda é pouco explorado, até pela falta de divulgação. “O serviço é bom, mas poderia ter mais materiais de áreas diversas, pois alguns se repetem. Tem concurso, por exemplo, que pede material específico, como o da área policial ou bancária, e nem sempre é fácil conseguir. Além disso, muitos amigos só ficaram sabendo dessas páginas depois que eu comprei”, justifica.

Precauções na compra

O que parecia ser um nicho de mercado promissor não se concretizou. Alguns sites de compras coletivas lançados em 2010, com o boom do segmento, já deixaram de operar. É o caso da Banca Maluca, do Educador Urbano e do Unidesconto. Outro que, apesar de estar no ar, não tem feito ofertas recentemente é o Q Concurseiro. A última postagem de promoção foi em janeiro deste ano.

Como toda compra pela internet, os especialistas recomendam cuidado na aquisição. "As pessoas estão comprando cupons sem conhecer o serviço. Apesar do desconto, é preciso se informar antes. Basta navegar no site ou ligar para ter esse retorno" – disse Victor Haikal, especialista em Direito digital, do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, de São Paulo.

Segundo o advogado, há algumas precauções para evitar problemas posteriores:

- Verifique a política de desistência da participação na compra coletiva;

- Conheça a política de privacidade do organizador da compra coletiva para saber o tratamento que este dará aos dados fornecidos;

- Fique atento à página de pagamento da oferta, checando se opera em ambiente de navegação segura e possui certificados digitais de segurança;

- Verifique se há telefone de contato ou endereço para que o consumidor possa reclamar, caso algo dê errado.

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