Senadores ameaçam barrar indicações do Banco Central se juros não baixarem

O Senado sabatinou e aprovou nesta terça-feira (29) a indicação de Fabio Kanczuk para a Diretoria de Política Econômica do Banco Central (BC). Ao contrário do que normalmente acontece em indicações como essa, contudo, a votação foi marcada por cobranças e críticas. É que um grupo de senadores acredita que o Banco Central não vem tomando as medidas necessárias para reduzir os juros e prometeu barrar as próximas indicações do BC se as taxas cobradas pelos bancos não começarem a cair.

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As críticas às taxas de juros cobradas no Brasil começaram ainda pela manhã, durante a sabatina de Favio Kanczuk na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Primeiro a levantar a questão, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) ressaltou que, apesar de a taxa básica de juros (Selic) ter chegado ao menor patamar da história, os juros cobrados ao consumidor não acompanharam essa tendência de queda e seguem altos.

"O que podemos fazer para que os juros se tornem civilizados para a economia, para o consumidor e para as empresas na economia real? Esse spread não encontra paralelo no mundo", questionou o senador, que logo ganhou o apoio de Rose de Freitas (Podemos-ES) e Elmano Férrer (Podemos-PI).

O indicado para a diretoria do Banco Central elencou, então, algumas das razões que impedem a cobrança de juros semelhantes à taxa Selic, como a inadimplência e a falta de garantia. Mesmo assim, garantiu que o BC está trabalhando para resolver esse problema do spread através de medidas como o Cadastro Positivo e o aumento da concorrência no mercado financeiro.

Kanczuk ainda prometeu intensificar esse trabalho. Mesmo assim, não convenceu todos os senadores de que os juros vão cair nos próximos meses. Alguns dos integrantes da CAE disseram, então, que podem barrar futuras indicações se o problema não for sanado pelo Banco Central. Rose de Freitas chegou até a pedir que Kanczuk leve o "recado" ao BC.

"Que não passe mais nenhum diretor do Banco Central sem que tudo que for debatido e prometido seja cumprido", afirmou a senadora, que voltou a falar sobre a possibilidade de rejeitar o próximo indicado do BC na votação sobre Kanckuz no plenário do Senado. "Vários parlamentares se pronunciaram dizendo que não aprovarão qualquer outro nome que venha do Banco Central enquanto ele, em resposta a tudo o que propôs e ao apoiamento recebido, não pronuncie a esta Casa quais foram os desdobramentos das propostas apresentadas nunca cumpridas, haja visto o quadro em que nós estamos", afirmou Rose de Freitas.

Espiridião Amin (PP-SC) confirmou o descontentamento e disse que, na próxima indicação do BC, vai ter que "descontar essa frustração do brasileiro que não vê ação coerente para civilizar o juro". "Se a situação estiver a mesma, eu vou votar contra", prometeu. "Vamos dar um castigo. É preciso haver alguma sinalização nesse sentido", acrescentou Rogério Carvalho (PT-SE). Kátia Abreu também disse que engrossaria o número de votos contrários à indicação do BC.

Rogério Carvalho explicou que entende que o processo de redução de juros é complexo e falou que justamente por isso tem "dado um crédito ao governo", votando "sim" a todos os diretores do BC, mas disse que é preciso cobrar um retorno do governo. Oriovisto também cobrou uma posição do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que logo foi à tribuna informar que já havia falado com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, sobre o assunto. Ele prometeu ainda levar informações mais concretas sobre o assunto na próxima semana, dizendo que reduzir os juros é algo realmente importante, mas também complexo.

"Depois das manifestações na CAE, me dirigi ao presidente Roberto Campos e disse que o Senado não tolerava mais a permanência desses juros abusivos em relação ao cheque especial e ao cartão de crédito; que seria importante que o Banco Central pudesse acelerar medidas concretas no sentido de reduzir os juros desses dois produtos; e, por outro lado, que o Banco Central acelerasse para quebrar o oligopólio dos grandes bancos, no sentido de facilitar novos entrantes e no sentido de que o mercado de crédito possa ser democratizado, e a gente possa assistir à redução da taxa de juros para capital de giro e para investimento", afirmou Bezerra Coelho.

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