Copom mantém Selic em 2% e interrompe ciclo de cortes nos juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano, na mínima histórica. A decisão segue a linha do esperado pelo mercado e foi tomada por unanimidade.

Com a manutenção da taxa básica, se interrompe uma sequência de cortes feitos pelo Copom na esteira das preocupações com o impacto do coronavírus na economia global. Em agosto, a redução foi de 0,25 ponto percentual, passando de 2,25% a 2% ao ano. Houve uma sequência de nove cortes seguidos, dos quais cinco haviam ocorrido em 2020.

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Em comunicado sobre a decisão, os membros do comitê avaliam que a inflação deverá se elevar no curto prazo, impactada pela alta nos preços dos alimentos. “O Comitê avalia que a inflação deve se elevar no curto prazo. Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade”, diz o texto.

A autoridade monetária também não descarta novos cortes na Selic, apesar de esse não ser o cenário base. Ela ressalta que segue monitorando a trajetória de inflação e a trajetória fiscal do país.

Também é pontuado que a retomada da atividade nas principais economias tem resultado em um ambiente relativamente mais favorável para economias emergentes. “Contudo, há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da pandemia da covid-19.”

Os membros do comitê, presidido pelo chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, observam que os indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial da atividade econômica brasileira. “Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”.

Reformas

O Copom avalia que perseverar no processo de reformas estruturantes é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. E ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Os juros são usados pelo BC como uma instrumento para controlar a escalada da inflação ou estimular a economia. Quando a inflação está alta, a estratégia adotada é de elevação dos juros para reduzir o consumo e forçar uma redução dos preços. Por outro lado, quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

Em 2020, a meta para a inflação estipulada pelo governo é de 4%, havendo um intervalo de tolerância de 1,5 para cima e para baixo, permitindo uma variação entre 2,5% e 5,5%.

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