Aliado de Bolsonaro, Major Olimpio diz que governo é lento e não tem projeto

Um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro no Senado, o líder do PSL, Major Olimpio (SP), vê como como o seu maior obstáculo. "Quem mais obstrui as pautas do governo é o próprio governo", disse Olimpio ao Congresso em Foco. O senador vê "encrencas" criadas pelo Executivo e atribui à administração federal a relação conturbada entre Legislativo e Executivo.

A dificuldade de relacionamento com o governo é, segundo ele, cada dia maior. "O Executivo não tem facilitado muito as coisas e mais do que isso: tem dificultado a si próprio", queixou-se ele.

Reformas

Olimpio criticou a lentidão do governo em apresentar suas propostas e disse ser impossível reformar o sistema tributário sem a contribuição do governo. "Se amarrasse os projetos nas costas de uma tartaruga manca, já tinha dado tempo de chegar do Executivo para o Legislativo. Não acho que seja timing, eu acho que não tem projeto", disse.

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"A interlocução política do governo com o Congresso é totalmente truncada, então fica muito difícil", criticou. Na leitura do senador, o que depender exclusivamente do Congresso pode ser tocado adiante. Como exemplos de projetos que podem tramitar de forma independente estão o novo marco legal do saneamento e a autonomia do Banco Central. Para o líder, o primeiro já poderia ter sido aprovado faz tempo, visto que já vem sendo analisado pelo Congresso há meses. Já a autonomia do Banco Central está no momento certo para ser votada, acredita ele.

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Manifestação de 15 de março

Segundo o líder do PSL, depois do vídeo em que o presidente convoca para as manifestações, o entendimento do lado do Congresso é de que Bolsonaro está potencializando uma mobilização contra o Congresso. "Eu não acredito que seja isso, não foi a intenção dele, mas é o que fica parecendo. Fica meio estranho", disse.

Olimpio afirmou que apoia atos democráticos pró-governo, mas pondera que não participa de manifestações contra poder constituído, contra o Congresso ou contra o Supremo. "Eu não vou apagar incêndio com gasolina. Não vou pras ruas dizer que tem que fechar o Congresso e depois na segunda-feira eu tô usando o microfone do Congresso. Quem é parlamentar e fala em fechamento do Congresso é um tremendo dum hipócrita."

O senador disse ainda esperar que o próprio presidente mude a data do ato para outro momento, em função das recomendações do Ministério da Saúde para que as pessoas evitem aglomerações.

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