Vídeo: aos prantos, militar venezuelana sequestrada pede a Maduro que não ataque indígenas

Quatro integrantes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) são reféns de indígenas venezuelanos nas cercanias da cidade de Santa Elena, na fronteira com o Brasil. Eles foram sequestrados depois que duas pessoas da etnia Pemon foram mortas ao tentar impedir o bloqueio militar à chegada de ajuda internacional. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a tenente Grecia Del Valle Roque Castillo, uma das sequestradas, faz um apelo ao presidente Nicolás Maduro e ao ministro da Defesa, Padrino López, para que impeçam atos de violência contra os indígenas.

Aos prantos, Grecia pede desculpas à comunidade local e conta que fala como mulher e mãe de um menino de 11 anos. "Presidente, veja o que está acontecendo, veja que não podemos fazer nada", afirmou. “Não quero um futuro assim para meu filho. Presidente, olha o que está acontecendo”, acrescentou, sem conseguir concluir o raciocínio. Na sequência do vídeo, ela se dirige ao ministro da Defesa.

“Padrino López, meu general, pense bem, não atue de forma violenta. O povo indígena não está sendo nada mau. Somente nos mantém aqui. Mas, por favor, pense no que vai fazer, não tome ações ruins, não use as armas contra povos indígenas que não estão fazendo nada”, apelou. O vídeo foi divulgado no Twitter pela jornalista venezuelana Sebastiana Barraez, especializada em conflitos militares.

No último conteúdo publicado em seu Facebook, no último dia 18, a tenente compartilhou um texto intitulado "Uma mulher com filhos não é para qualquer um". Diz o texto: "Uma mulher com filhos não é para qualquer um, elas sabem sim o que querem, conhecem o sacrifício, o amor, a entrega. Não procuram um pai para seus filhos como alguns pensam. Muitas decidiram estar sozinhas por não aguentar quem não vale a pena e é admirável vê-las seguir adiante. Elas sempre vão brilhar com ou sem homem ao lado".

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Maduro x Guaidó

Nesta tarde, o autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, subiu em um caminhão de ajuda humanitária do lado colombiano da fronteira e fez um apelo aos militares. "Aos militares que estão do lado certo da Constituição, vamos acabar com a usurpação para que a Venezuela encontre o caminho da prosperidade respeitando direitos humanos", afirmou.

O presidente Nicolás Maduro não aceita o envio de doações dos Estados Unidos, do Brasil e da Colômbia solicitadas por Guaidó, alegando que a medida é uma tentativa de interferência externa na política do país. O líder oposicionista, que é o chefe da Assembleia Nacional, se autodeclarou presidente sob o argumento de que houve fraude no processo que garantiu novo mandato a Maduro.

O governo brasileiro enviou dois caminhões com mantimentos e remédios até a fronteira na cidade da Pacaraima. O acesso, porém, está fechado desde a noite de quinta por decisão do presidente venezuelano. As autoridades brasileiras sustentam que não vão entrar em confronto, mas vão insistir no que chamam de ajuda humanitária. Os dois veículos chegaram no fim da manhã na cidade, vindos de Boa Vista, e lá permanecem.

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Confronto

Nessa sexta, houve confrontos entre militares e manifestantes na fronteira entre os dois países. Duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas. Pelo menos sete venezuelanos feridos tentavam cruzar a fronteira e foram conduzidos para hospitais em Boa Vista. As vítimas são indígenas.

O conflito, conforme relatos, ocorreu a 60 quilômetros da fronteira, na região Gran Sabana, onde há uma comunidade indígena da etnia Pemon, favorável à ajuda humanitária internacional.

A Secretaria de Saúde de Roraima informou que cinco feridos foram baleados e transportados em ambulâncias venezuelanas autorizadas a cruzar a fronteira. Eles estão sob observação médica no Hospital Geral de Roraima. De acordo com a secretaria, cinco pacientes tiveram de passar pelo centro cirúrgico. Os demais venezuelanos foram atendidos no setor do Grande Traumas e permanecem em observação.

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