PF vai investigar assassinato de líder indígena no Maranhão

A Polícia Federal vai investigar o assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajara na Terra Indígena de Araribóia, no Maranhão. Ele foi morto com um tiro no rosto nessa sexta-feira (1º) em confronto com madeireiros na região de Bom Jesus das Selvas, dentro da própria reserva indígena. "Não pouparemos esforços para levar os responsáveis por este crime grave à Justiça", afirmou neste sábado (2) o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Além de Paulino, o líder indígena Laércio Souza também sofreu ferimentos graves ao ser baleado nas costas e nos braços. As primeiras informações são de que eles foram alvos de uma emboscada feita por madeireiros e grileiros. Os dois fazem parte de um grupo de agentes florestais indígenas chamado de "Guardiões da Floresta", que reúne 180 indígenas e realiza ações noturnas contra madeireiros desde 2012. Há suspeita de que um dos autores do ataque também morreu.

Alvo de madeireiros, a terra indígena também abriga uma etnia de recente contato e outra parte ainda não contatada, a dos awá-guajá. A líder indígena Sônia Guajajara, que foi candidata a vice-presidente da República na chapa de Guilherme Boulos (Psol) ano passado, pediu a apuração do caso e um basta ao que chamou de genocídio institucionalizado e derramamento de sangue.

Entidades socioambientais também cobraram Justiça e denunciaram a situação de abandono dos indígenas.

"Invadidas por grileiros e madeireiros, as terras indígenas do Maranhão têm sido palco de uma luta assimétrica, onde pequenos grupos de Guardiões optam por defender, muitas vezes com a própria vida, a integridade de seus territórios. Paulino e Laércio são as mais recentes vítimas de um Estado que se recusa a cumprir o que determina a Constituição Federal", protestou o Greenpeace.

"Com as próprias mãos, os guajajara da Terra Indígena Araribóia lutam para proteger seu território da invasão de madeireiros. Com muita luta, resguardam a existência de indígenas isolados que dependem da floresta para sobreviver", lamentou o Instituto Socioambiental.

> As sete mentiras antiambientais de Bolsonaro na ONU

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!