“Negro foi escravizado porque índio é preguiçoso”, diz procurador. Deputados repudiam

O procurador de Justiça do estado do Pará, Ricardo Albuquerque da Silva, afirmou que o negro foi escravizado porque os índios que estavam no Brasil eram preguiçosos. “Problema da escravidão no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje. O índio preferia morrer do que cavar mina, do que plantar para os portugueses”, disse o procurador em áudio divulgado na internet. Deputados lançaram nota de repúdio nesta quarta-feira (27).

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O áudio do procurador foi gravado durante uma palestra para os alunos de direito no auditório do Ministério Público. Na visão do procurador, não existe dívida nenhuma com quilombolas porque ele não tem navio negreiro. “A gente não tem culpa de nada. E aqui, professora, eu vou falar uma coisa que talvez muita gente não goste. Mas é o seguinte: eu não acho que nós tenhamos dívida nenhuma com quilombolas. Nenhum de nós aqui tem navio negreiro”, disse.

“Isso tem que ficar claro, ora! Me desculpa você aí, mas se na minha família não tem nenhuma pessoa que tenha ido buscar um navio negreiro lá na África, como é que eu vou ter dívida com negócio de Zumbi, esse pessoal. Agora tem que dar estrutura para todo mundo, tem que dar terra pra todo mundo, mas é porque é brasileiro, só isso”, completou.

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Em resposta para a TV Record, o procurador confirmou que o áudio é dele, mas que a fala divulgada nas redes sociais é apenas um trecho de uma conversa de aproximadamente 1h20 e que ele disse, por mais de uma vez durante a palestra, que todos são iguais perante a lei.

Em nota de repúdio, deputados afirmaram que o procurador Ricardo Albuquerque da Silva, demonstrou profundo preconceito, racismo e desconhecimento histórico. Assinaram a nota a presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, Joenia Wapichana (Rede-RR), o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Hélder Salomão (PT-ES), vice-presidente da mesma frente Camilo Capiberibe (PSB-AP), o líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, Nilto Tatto (PT-SP), o coordenador do Fórum Permanente em Defesa da Amazônia, Airton Faleiro (PT-PA), o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rodrigo Agostinho (PSB-SP), a líder da Minoria, Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), os deputados José Ricardo (PT-AM) e Bira do Pindaré (PSB-MA).

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Veja a nota de repúdio na íntegra:

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