Mulheres jornalistas unem-se em favor de Tai Nalon, diretora do Aos Fatos

A jornalista Tai Nalon sofreu ataques machistas nas redes socias. A onda de mensagens aconteceu após a agência de checagem Aos Fatos divulgar que o procurador do Ministério Público Federal de Goiás Ailton Benedito disseminou informações não comprovadas sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19. A agência Aos Fatos atua com o objetivo de combater as fake news.

O procurador disse que vai processar Tai Nalon e alegou violação de seus direitos fundamentais de liberdade de expressão."As autodeclaradas 'agências de checagem de fatos', seus donos e seus empregados não têm imunidade a críticas nem à responsabilização jurídica pelos seus atos", disse por meio do Twitter.

Mais de 100 jornalistas do Brasil, de diversos veículos de imprensa, apoiaram Nalon e assinaram um Manifesto com as "mentiras e misoginia" ditas pelo procurador. Leia na íntegra:

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, abaixo assinadas, repudiamos com veemência os ataques sórdidos, mentirosos e misóginos proferidos em redes sociais pelo blogueiro Leandro Ruschel e pelo procurador do Ministério Público Federal Ailton Benedito, que vêm atacando e instigando ataques à jornalista Tai Nalon, diretora do Aos Fatos, uma das principais agências de checagem do País.

O Aos Fatos revelou que Ailton Benedito divulgou informações sem comprovação sobre o uso da cloroquina contra a COVID-19.

Além de disseminar mentiras e propagar o ódio e estigmas de cunho machista contra uma mulher, o que configura uma violência de gênero, o procurador Ailton Benedito está processando a jornalista Tai Nalon com uma tática conhecida internacionalmente como SLAPP (Strategic Law Suit Against Public Participation), que é uma estratégia na qual um grande número de ações são propostas em juízo, não com o intuito de obter a prestação jurisdicional pretendida na inicial, mas sim de tentar intimidar o réu e com isso, interditar o debate público.

É inadmissível que um membro do MPF aja em desacordo com a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.

Nós, jornalistas mulheres, temos o nosso direito de trabalhar e informar.

Toda jornalista tem o dever de apurar e checar falsidades, diga-se desinformação, vindas de qualquer autoridade.

Nós repudiamos a atitude do procurador e seus apoiadores. A sociedade brasileira deve se opor de forma veemente a este tipo de conduta, que torna-se cada vez mais grave e frequente, atentando contra a segurança das jornalistas.

Em defesa do jornalismo produzido por mulheres, pela democracia e liberdade de expressão, assinam por ordem alfabética:

 

Adriana Pimentel Bezerra, Agência Eco Nordeste

Adriana Czelusniak

Aline de Oliveira Rios, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná.

Andréa Morais – Ministério Público do Paraná

Ana Paula Mira, Universidade Positivo

Alessandra Petraglia, Meio

Ágatha Santos

Caê Vasconcelos, Ponte Jornalismo

Carolina Monteiro, Marco Zero Conteúdo

Carolina Oms, revista AzMina

Cristiane Rangel, ParanaPrevidência

Carolina Cattani – C Ideias de Comunicação

Cristina Rios – Urbs

Daniele Ribeiro Moura, Maré de Notícias

Denise Mello, Banda B

Elaíze Farias, Agência Amazônia Real

Eliane Brum

Elza Aparecida de Oliveira Filha, UTFPR

Érica Carnevalli, Meio

Edilma Rangel, Freelencer

Fernanda Baldioti, #Colabora

Fernanda Lara Peres Rangelov

Flávia Oliveira

Giulliana Bianconi, Gênero e Número

Helena Bertho, AzMina

Iris Brasil, Agência Amazônia Real

Jamile Santana, AzMina

Jeniffer Mendonça, da Ponte Jornalismo

Jess Carvalho, Plural

Jéssica Tamyres dos Santos, Ponte Jornalismo

Janaina Garcia, UOL

Kátia Brasil, Agência Amazônia Real

Katna Baran, Folha de S. Paulo

Kristiane Rothstein – Expressa Comunicação

Karla Losse Mendes – Conselho de Psicologia do Paraná

Lara Sfair, VivaVox

Lia Soares, Favela em Pauta

Liana Melo, #Colabora

Liliam Sampaio Cunha

Lia Rizzo, Universa/UOL

Lenise Aubrift Klenk – PUCPR

Maria Cecília Costa, Amazônia Real

Maria Elisa Muntaner, Ponte Jornalismo

Maria Teresa Cruz, Ponte Jornalismo

Mariana Franco Ramos, SindijorPR e De Olho nos Ruralistas

Marina Oliveira, Congresso em Foco

Maristela Machado Crispim, Agência Eco Nordeste

Mara Cornelsen

Maiara Bastianello – Band

Maigue Ghets

Mariana Czerwonka

Maria Celeste Correa

Melina Gunha

Mauren Luc, Plural

Maigue Gueths

Marina Menezes, Nexo

Marília Sena, Congresso em Foco

Maria Martha Bruno, Gênero e Número

Nádia Pontes

Natacha Cortêz

Natália Leal, Agência Lupa

Nina Weingrill, Énois

Natália Viana, A Pública

Natália Leão, Gênero e Número

Paula Guimarães, Portal Catarinas

Paula Miraglia, Nexo

Patrícia Guimarães Gil – ESPM

Rosiane Correia de Freitas, Plural

Renée Castelo Branco

Samira Castro

Schirlei Alves

Vandreza Amante, Portal Catarinas

Vanessa Barbara, New York Times

Vanísia Mangueira, Cebrasse

Valquíria Daher, #Colabora

Viviane Ongaro, Faculdades Opet

Vivian Faria, freelancer

Verônica Macedo

Assinaram também:

Sandra Nodari, Universidade Positivo

Cinthia Alves, Sintcom

Vanessa Ricetti Ricardo

Silvia Calciolari

Luciana Alves de Deus, Luadeus Comunicação

Debora Iankilevich

Ligia Gabrielli

Larissa Cavallin

Jaqueline Pereira

Juliana Bauerle Motta Peretti

Márcia Mendes Ribeiro

Petry Souza

Marluz Luz

Myrian Del Vecchio, Universidade Federal do Paraná

Cíntia Bruno, CB Comunicação

Rô Michels

Amanda Koiv

Raíssa Melo, Agência de Notícias da Favela

Elaine Felchaka

Melissa Bergonsi

Ane Meira Mancio

Veronica Macedo

Magaléa Mazziotti

Vivian Faria

Renata Guerra

Tayná Soares

Ellen Taborda, Correios

Raquel Cozer, Harper Collins

(para assinar o manifesto envie o e-mail para: jornalistas.mulheres2020@gmail.com)

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