Wassef usou proximidade com Bolsonaro para favorecer concessionária, diz revista

Reportagem da revista eletrônica Crusoé publicada nesta sexta-feira (25) diz que o advogado Frederick Wassef usou a proximidade com Jair Bolsonaro para intermediar negociações de interesse de agentes privados.

De acordo com a revista, o ex-advogado da família Bolsonaro agendou reuniões entre o presidente e João Villar Garcia, presidente do conselho de administração do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), que procurava obter um acordo para reequilibrar o valor do contrato de concessão. O advogado teria recebido R$ 5 milhões para prestar o serviço para o administrador.

A concessionária travava uma negociação com o governo desde 2012, quando assumiu a concessão do aeroporto. Ela alega que só recebeu 20% da área prevista e  foi afetada pela redução de 80% da tarifa na carga.

Wassef também organizou encontros de Garcia com representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O administrador do aeroporto conseguiu firmar um acordo com o Poder Executivo para devolver a concessão para uma nova licitação, com um pagamento de uma indenização cujo valor será decidido posteriormente em arbitragem.

De acordo com a reportagem, o acordo impediu um processo que estava em fase final na Anac para extinguir o contrato, o que levaria a companhia a decretar falência, com  R$ 3,5 bilhões de dívidas com a agência reguladora e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em nota enviada à Crusoé, Wassef disse que o fato de advogar para o presidente da República e para o senador Flávio Bolsonaro "não me impede de ter minha vida normal e continuar exercendo minha profissão com demais clientes, não existindo qualquer restrição ou ilegalidade no regular exercício da advocacia".

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Também nesta sexta, em desdobramento da Operação E$quema S, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Wassef, o ex-presidente do Sesc Rio de Janeiro, Orlando Diniz; o empresário Marcelo Cazzo e os advogados Luiza Nagib Eluf e Marcia Carina Castelo Branco Zampiron.

Segundo o MPF, eles são acusados de peculato e lavagem de dinheiro, cometidos a partir do desvio de R$ 4,6 milhões das seções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e da Federação do Comércio (Fecomércio). Até o momento, o Congresso em Foco não conseguiu localizar as defesas dos denunciados.

Segundo a denúncia, Wassef recebeu R$ 4,5 milhões por meio do escritório de Luiza Eluf. O ex-advogado de Bolsonaro foi contratado para atuar como uma espécie de informante de Orlando Diniz e lidar com escrivães de polícia. Em nota enviada ao Congresso em Foco, a defesa de Luiza descartou qualquer envolvimento dela com irregularidades (veja a íntegra mais abaixo).

Wassef se aproximou de Bolsonaro em 2014, após o atual presidente ter sido reeleito para deputado federal. Nas eleições de 2018, o advogado passou a ser um homem de confiança de Bolsonaro e dos filhos e participou dos bastidores da campanha presidencial e continuou em contato permanente com a família.

Wassef é dono da casa em Atibaia (SP) onde, em junho, foi preso o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro que é investigado no caso das rachadinhas, um suposto esquema de desvio de salários de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual. Após Queiroz ser encontrado pelas autoridades judiciais na casa de Wassef, o advogado deixou o caso de Flávio Bolsonaro e também deixou de advogar  para o presidente da República.

Veja a íntegra da nota da defesa de Luiza Eluf:

"A advogada Luiza Eluf recebeu com absoluta perplexidade a notícia do oferecimento da denúncia. Ela sempre trabalhou de forma correta e transparente, com atuação rígida nos termos da Lei. Repentinamente, é surpreendida com uma perseguição desvinculada da realidade. A defesa já havia feito contato com o Ministério Público Federal e solicitado que ela fosse ouvida presencialmente e aguardava que a data fosse marcada.

As advogadas Izabella Borges e Maíra Fernandes, que defendem Luiza Eluf, acreditam que a Justiça do espetáculo pode causar infinitos danos ao país! Luiza Eluf reforça que não praticou crime algum, que o serviço foi prestado conforme contrato, as notas emitidas, os tributos recolhidos, e sua inocência será comprovada."

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