Reunião do PSDB sobre Aécio Neves teve pedido de revisão de código de ética

A reunião da executiva nacional do PSDB que arquivou nesta quarta-feira (21) os pedidos de expulsão do deputado federal Aécio Neves foi marcada por gritos e aplausos. Em alguns momentos do encontro a discussão chegou até sobre uma revisão do código de ética (íntegra)  tucano aprovado há três meses.

A discussão foi superada e houve o consenso de que o código recém-criado será mantido.

Foram analisados no relatório do deputado Celso Sabino os pedidos de expulsão do diretório municipal (íntegra) e estadual (íntegra) de São Paulo. Há ainda uma representação do PSDB de São Bernardo do Campo (SP).

Os gritos mais efusivos durante o debate foram da deputada federal Bruna Furlan (SP), aliada de Aécio, e do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, favorável a expulsão do mineiro da legenda.

Os tucanos começaram a chegar na sede do partido em Brasília por volta das 14h30 e os debates terminaram às 19h06.

A decisão foi por ampla maioria. Somente votaram contra o  prefeito Orlando Morando, o deputado Samuel Moreira, o tesoureiro do partido, Cesar Gontijo, e o secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido.

Segundo presentes na reunião, as cinco horas de duração não foram por conta da discussão sobre o mérito da expulsão de Aécio, mas porque uma grande quantidade de tucanos queria falar e expor suas opiniões.

Pelo menos metade do tempo de discussão foi para decidir se seria analisada apenas a representação municipal do PSDB-SP ou também a estadual, que foi encaminhada para a Executiva na véspera do encontro.

Foi decidido que o relatório de Celso Sabino também incluiria o pedido do PSDB do estado de São Paulo.  Cesar Gontijo tentou adiar a reunião para a representação  fosse analisada com mais calma.

No entanto, a reunião teve apenas um intervalo e em meia hora Sabino modificou o parecer para incluir o outro pedido de expulsão. Ele negou ambos.

Aliados de Aécio declararam estarem otimistas desde o início das discussões sobre a expulsão de Aécio e classificaram o resultado desta quarta-feira como uma vitória do PSDB.

A tentativa de expulsão de Aécio foi patrocinada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que quer expurgar os quadros tucanos envolvidos em corrupção para ganhar prestígio eleitoral nas eleições presidenciais de 2022.

De acordo com deputados presentes na reunião, o nome de Doria não foi citado durante as cinco horas de conversas. Eles afirmaram também que não há uma divisão no PSDB entre aqueles que apoiam a projeto presidencial de Doria e aqueles que são próximos de Aécio.

O deputado Samuel Moreira, um dos votantes contrários ao arquivamento do pedido de expulsão,  disse que ainda é cedo para avaliar se o partido sai unido ou dividido depois desse processo.

Código de ética

Antes de sair do presidência do PSDB em maio deste ano, Geraldo Alckmin criou um conselho de ética no partido que prevê a expulsão de filiados condenados na Justiça.

Um interlocutor de Aécio afirma que para a expulsão acontecer é preciso alterar o código de ética ou esperar o tucano ser condenado na Justiça.

Apesar de não ter sido condenado, o ex-candidato a presidente nas eleições de 2014 foi alvo de pelo menos nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal após ser citado na delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS.

Somente um desses casos evoluiu e transformou o mineiro em réu, que é o que trata do empréstimo de R$ 2 milhões pedido pelo tucano para bancar sua defesa na Lava Jato.

O ex-ministro da Cidades e ex-deputado federal Bruno Araújo assumiu o comando do partido em maio uma eleição sem concorrentes e apadrinhado pelo governador de São Paulo, João Doria.

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