Psol entra com representação contra Gilmar Mendes

Partido quer saber por que ministro só falou sobre a conversa com Lula agora, mais de um mês depois do ocorrido. Também questiona o fato dele considerar normal pegar carona em jatinhos de terceiros

O Psol protocolou hoje (30) representação na Procuradoria Geral da República contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, questionando a sua conduta no episódio da guerra de versões da conversa que teve com o ex-presidente Lula.

De acordo com Gilmar Mendes, o ex-presidente, numa conversa ocorrida no escritório do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, o teria constrangido para que ajudasse a adiar o julgamento do mensalão. Em troca, Lula atuaria para evitar que a CPI do Cachoeira investigasse viagem feita por Gilmar Mendes à Alemanha em que se encontrou com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Havia a suposição de que, na volta, Gilmar Mendes teria aceitado uma carona de São Paulo para Brasília num avião pago pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Para o Psol, as atitudes de Gilmar Mendes no episódio são questionáveis. Primeiro, o partido questiona por que o ministro do STF levou mais de um mês para dar sua versão da corrida que teve com Lula. “A sua reação de permanecer em silêncio, inclusive diante da assertiva de que tal constrangimento seria estendido aos demais membros do STF, deve ser apurada”, destaca-se na representação.

Leia a íntegra da representação do Psol

Outros destaques de hoje no Congresso em Foco

Sobre a viagem, Gilmar Mendes negou que tenha voado no jatinho cedido por Cachoeira, mas afirmou que se tivesse sido oferecida a carona, não consideraria nada de “anormal” aceitá-la. Para o Psol, “há, sim, algo de anormal em um ministro do Supremo Tribunal Federal aceitar caronas aéreas em aviões particulares. A função jurisdicional, assim como qualquer outra função pública, exige absoluta cautela em aceitar qualquer favor e nítida separação entre o público e o privado.”

Assim, a bancada do Psol pede a investigação dos fatos e que, se comprovada conduta indevida, seja adotada pela PGR as medidas cabíveis, no âmbito administrativo, civil ou penal.

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