Oposição quer investigar esquema com governadores

Governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, também são alvos de requerimentos a serem apresentados nesta quarta-feira na CPI do Cachoeira

Os integrantes da oposição na CPI do Cachoeira, instalada nesta semana, querem apresentar nesta quarta-feira (25) requerimento para convocar integrantes da “organização criminosa” do bicheiro Carlinhos Cachoeira que anunciaram ter contatos com os governadores do Paraná, Beto Richa (PSDB), de Santa Catarina, Raimudo Colombo (PSD) e do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), a fim de comandarem as loterias inativas destes estados. Como mostrou o Congresso em Foco, dois dias depois do primeiro turno das últimas eleições, o consultor de jogos argentino Roberto Coppola enviou mensagem de correio eletrônico interceptada pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo em que diz ter tido conversas “boas” com Richa e Colombo. Na mesma conversa, Coppola assegura ter certeza que a loteria estadual seria reativada no Mato Grosso, onde Silval Barbosa (PMDB) tinha sido reeleito. No Paraná, o jogo não foi legalizado, mas em Mato Grosso a loteria, de fato, foi recriada em dezembro passado. Em Santa Catarina, o tema continua em estudo. Os três governadores negam relações com o bicheiro.

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Os deputados do PSDB na CPI, Fernanco Francischini (PR) e Carlos Sampaio (SP), apresentam hoje requerimento para convidar Coppola, o próprio Cachoeira e seu ex-cunhado Adriano Aprígio de Souza, primeiro destinatário dos emails. Em março de 2011, quando o governo de Santa Catarina ameaçava extinguir a empresa que comanda a loteria estadual inativa, as mensagens eletrônicas de Coppola foram encaminhas a Lenine Araújo, braço operacional de Cachoeira e administrador do sistema de contabilidade da quadrilha. Naquele momento, grampo telefônico mostra Cachoeira dizendo que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi a Santa Catarina reunir-se com Colombo para impedir a extinção da empresa estatal Codesc, que administra a loteria.

Perillo e Colombo negam que o assunto foi tratado na reunião. Depois dela, porém, a empresa continuou ativa. E o presidente da Codesc disse à imprensa catarinense que a reativação do jogo ainda está em estudo.

Francischini disse que o objetivo dele e de Sampaio é esclarecer a situação no Paraná. “Queremos saber como eles entraram no Paraná, quais os laços políticos deles, por que eles saíram de lá”, afirmou o deputado ao site. Os tucanos vão requisitar ainda o inquérito policial que investigou as ações do bicheiro Cachoeira no Paraná em 2004. “Queremos saber quem tem e quem não tem implicação”, disse Francischini.

Perillo e Agnelo

Para ele, a convocação do bicheiro e seus comparsas deve ser aprovada com tranquilidade pela CPI, embora seja necessário primeiro receber a íntegra do inquérito da PF. Da mesma forma, os tucanos entendem que será aprovado pela comissão o convite que vão apresentar para obterem o depoimento dos governadores Perillo e Agnelo.

O governador de Goiás pediu aos colegas do partido para ir à CPI. “Como o Agnelo vinha dizendo que queria ser o primeiro a ser ouvido, vamos franquear a ele essa oportunidade”, afirmou Francischini, para justificar o convite.

Telefonemas do grupo de Cachoeira mostram que Agnelo pediu um encontro com o próprio bicheiro, que intermediava interesses da construtora Delta, dona de contratos de coleta de lixo em Brasília. O governador da capital nega. O governo do Distrito Federal até fez uma auditoria que identificou pagamentos indevidos de R$ 9,5 milhões à Delta, mas o próprio governo não cobrou nenhum centavo disso, e até hoje mantém o contrato com a construtora, para serviços de limpeza urbana, como mostrou o Congresso em Foco.

Prisão mantida

Ontem, o braço direito de Cachoeira teve pedido de liberdade negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e continuará preso, assim como outros membros da quadrilha. O ministro Gilson Dipp negou habeas corpus aos advogados de Lenine Araújo.

Na tarde de ontem, delegados da Polícia Federal que acompanham a Operação Monte Carlo e a CPI do Cachoeira elogiavam o trabalho do juiz substituto da 11ª Vara Federal de Goiânia, Paulo Augusto Moreira Lima. Um deles relembrava que, em operações semelhantes, pressões sobre os magistrados fazem com que eles parem de autorizar pedidos de busca e apreensão nas residências dos acusados à medida que os trabalhos ganham notoriedade ou atingem aliados de políticos de expressão.

Outro delegado, colega de faculdade de Moreira Lima, relatou as pressões às quais o juiz de Goiânia teve de se submeter. Temendo sofrer processos administrativos internos por seu trabalho, Moreira Lima recorreu a conselhos de magistrados de tribunais superiores em Brasília, contou um desses investigadores. “A ministra lhe disse: ‘Faça seu trabalho de juiz, só isso’”, afirmou.

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