Moreira Franco é o quinto ex-governador do Rio de Janeiro a ser preso

O ex-ministro Moreira Franco (MDB) é o quinto ex-governador do Rio de Janeiro a ser preso. Moreira e o ex-presidente Michel Temer foram presos na manhã desta quinta-feira (21) por determinação do juiz Marcelo Bretas, que conduz a Operação Lava Jato no Rio. Os dois são acusados de receber propina de empreiteira em troca de contratos para realização de obras na usina de Angra 3.

Com o revés do emedebista, todos os ex-governadores eleitos do Rio de Janeiro vivos já foram presos ao menos uma vez. Dois deles estão na cadeia: Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos também do MDB e implicados na Lava Jato. Também passou pela prisão o casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus.

Outra peculiaridade no estado chama a atenção: todos os ex-presidentes da Assembleia Legislativa do estado desde 1995 também foram alvos de prisão.

Sérgio Cabral já foi condenado a cerca de 200 anos. Ele está preso desde novembro de 2016 por causa de diversas acusações da Lava Jato e operações dela derivadas. O ex-governador, que está na penitenciária de Bangu 8, admitiu que recebeu milhões de reais em propinas.

Pezão foi o único, entre os “colegas”, que foi preso ainda no exercício do mandato, em novembro de 2018, a menos de dois meses do fim de sua gestão. Ele é acusado de dar continuidade ao esquema criminoso de corrupção atribuído a Cabral.

Já Garotinho e Rosinha foram presos em novembro de 2017 por crimes eleitorais. Aquela foi a terceira prisão de Garotinho no período de um ano. Em 2016, na Operação Chequinho, que apura esquema de compra de votos envolvendo o programa social Cheque Cidadão em Campos dos Goytacazes (RJ). A segunda foi em setembro de 2017, após condenação por fraude eleitoral. Ele passou à prisão domiciliar com uso de tornozeleira.

Para o cientista político Antônio Marcelo Jackson, dois elementos se destacam na política do Rio de Janeiro.

“Quando se fala nas características da política no estado do Rio de Janeiro, duas coisas se destacam: a primeira, que o eleitor fluminense sempre tendeu ao voto conservador, elegendo representantes cujos interesses estão majoritariamente vinculados a empresas ou negociantes cujos os escrúpulos são duvidosos, e, a segunda, que na única vez em que esse eleitor optou por um candidato à esquerda no naipe ideológico (Leonel Brizola), esse representante em seu segundo mandato apresentou as lideranças do crime organizado aos interesses da política, à época da construção da Linha Vermelha. A contar daí, a representação política, seja do governador, seja dos deputados estaduais ou mesmo federais e senadores, é facilmente ligada às ações à margem da Lei”, avalia o professor da Universidade Federal de Ouro Preto (MG).