José Dirceu divulga nota sobre sua condenação

O ex-ministro diz que acatará o resultado, mas não se calará sobre ele. Continuará lutando até provar a sua inocência

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu divulgou uma nota logo depois do final da sessão de hoje (10) no Supremo Tribunal Federal (STF), quando a maioria dos ministros manifestou-se a favor da sua condenação por corrupção ativa no julgamento do mensalão. Na nota, Dirceu diz que a decisão do STF, tomada “sob forte pressão da imprensa”, contraria o que dizem os autos do processo, “que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas” e a sua “inocência”.

STF condena José Dirceu por corrupção ativa
Tudo sobre o mensalão

Na nota, Dirceu lembra a perseguição que sofreu da ditadura militar, quando foi preso em 1968, durante a realização do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1969, Dirceu foi banido do país e retornou clandestinamente “para lutar pela liberdade do povo brasileiro”.

Depois de ter tido seu mandato cassado, em dezembro de 2005, Dirceu afirma, na nota, que se iniciou uma “ação orquestrada” que o transformou em “inimigo público número 1”. “Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção da inocência”.

Dirceu encerra a nota dizendo que acatará a decisão do STF, mas não se calará. “Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não deixarei me abater”.

Leia a íntegra da nota:

“AO POVO BRASILEIRO

“No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.

Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.

Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu”

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