Bolsonaro fala de investigação sobre Flávio: “Querem me atingir? Eu abro meu sigilo. Não vão me pegar”

Nos Estados Unidos para receber uma homenagem, o presidente Jair Bolsonaro comentou nesta quinta-feira (16) as investigações sobre seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), afirmando que a intenção é prejudicar o seu governo.

"Façam justiça! Querem me atingir? Venham pra cima de mim! Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem que ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar", afirmou em Dallas, no Texas.

Ele foi questionado sobre as novas informações em torno das investigações que atingem seu filho e disparou críticas à imprensa e aos governos do PT.

O Ministério Público do Rio de Janeiro considera haver indícios de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio quando deputado estadual no Rio entre 2007 e 2018.

O MP indica uma valorização excessiva de imóveis com lucros, pela venda deles, que chegaram a 292% - vendidos por quase o triplo do valor de compra. As investigações falam, ainda, que o gabinete do senador tem características de organização criminosa.

Em nota enviada ao Congresso em Foco, o senador se disse "vítima de seguidos e constantes vazamentos de informações" e negou os números citados na matéria da Veja. "Os valores informados são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais. Sempre declarei todo meu patrimônio à Receita Federal e tudo é compatível com a minha renda", respondeu.

Para o presidente Jair Bolsonaro, os investigadores cometeram "ilegalidade" com a quebra de sigilo, e agora buscam "dar um verniz de legalidade" às apurações. "É a jogadinha, quebraram o sigilo bancário dele [Flávio] desde o ano passado e agora, para dar um verniz de legalidade, quebraram oficialmente o sigilo dele. Mais, se eu não me engano, 93 pessoas [...] O objetivo, querem me atingir. Quebrou o sigilo bancário desde o ano passado. Isso aí é ilegalidade. O que diz a jurisprudência? Eu não sou advogado, nulidade de processo. Fizeram aquilo pra prejudicar".

Bolsonaro afirmou ainda há insatisfação com seu governo e, por isso, perseguições. "Desde o começo do meu mandato o pessoal está atrás de mim o tempo todo, usando a minha família, quebram o sigilo de uma ex-companheira minha, que eu estou separado há 11 anos dela, que nunca foi empregada no gabinete isso. Por que isso? Eu me pergunto, por que isso? Qual a intenção disso?"

E atacou a imprensa: "Grandes setores da mídia, ao qual vocês [repórteres] integram, não estão satisfeitos com o meu governo que é um governo de austeridade, é um governo de responsabilidade com o dinheiro público, é um governo que não vai mentir e não vai aceitar negociações, não vai aceitar conchavos para atender interesse de quem quer que seja. E ponto final", completou o presidente.

 

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