Alvo de operação da PF, ex-senador Aloysio Nunes deixa cargo em São Paulo

Alvo de diligências da Polícia Federal, que deflagrou a 60ª fase da Operação Lava Jato nesta terça-feira (20), o ex-senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) comunicou seu desligamento presidência da InvestSP em carta ao governador de São Paulo (veja reprodução abaixo), o também tucano João Doria. Além de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Aloysio, a PF prendeu o engenheiro Paulo Vieira de Souza, apontado como operador financeiro do PSDB.

Ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer (MDB), também alvo da Lava Jato, Aloysio foi anunciado por Doria ainda em dezembro de 2018 para chefiar a agência paulista de promoção de investimentos. O órgão está sob a responsabilidade da Secretaria da Fazenda, Planejamento e Gestão do governo de São Paulo, estrutura comandada pelo também ex-ministro de Temer Henrique Meirelles (Fazenda).

Na carta para Doria, Aloysio se disse surpreendido pelas ações da PF. “Não tive até agora acesso aos autos de inquérito em que sou investigado, mas o fato incontornável é a repercussão negativa desse incidente, que me mortifica a mim e à minha família, e que também pode atingir o governo de Vossa Excelência”, explicou o tucano, dizendo-se tranquilo em relação ao restabelecimento da “verdade”.

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“Já mobilizei a competente defesa jurídica que foi orientada por mim a prestar irrestrita colaboração com as autoridades para cabal esclarecimento dos fatos. Tenho certeza que a verdade me beneficiará, embora somente ao final de um processo de duração imprevisível”, alegou ainda Aloysio, encerrando a carta com um afago a Doria. “Esteja certo, senhor governador, da gratidão e da estima que lhe deve este seu amigo.”

 

 

Sem foro privilegiado desde o término de seu mandato de senador, em 31 de janeiro, Aloysio é investigado por ter recebido, no Natal de 2007, em um hotel em Barcelona (Espanha), um cartão corporativo vinculado a uma conta mantida por Paulo Vieira na Suíça. De acordo com o Ministério Público Federal, o cartão foi emitido um mês após a Odebrecht ter repassado para essa conta cerca de 275 mil euros.

Já Paulo Vieira, ex-diretor da Dersa (empresa paulista de infraestrutura rodoviária) em governos do PSDB, é acusado de manter R$ 100 milhões em espécie que, segundo o MPF, foram utilizados pela Odebrecht para pagar propina a políticos e abastecer campanhas eleitorais entre 2007 e 2017. Segundo a investigação, a empreiteira devolvia o dinheiro para o operador por meio de empresas e contas bancárias registradas no exterior. A Justiça determinou o bloqueio dos recursos financeiros dos investigados.

 

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