Advogados jogam responsabilidade para Marcos Valério

No segundo dia de sustentações orais para os réus, defesas rejeitam a compra de votos da base aliada, admitem caixa 2, mas dizem que tudo o que houve era operado pelo publicitário mineiro

Se no primeiro dia de sustentações orais as defesas procuraram, em primeiro lugar, atacar a peça acusatória elaborada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o segundo dia foi de se eximir de culpa e empurrá-la para outro lado. Os advogados dos réus que formam com Marcos Valério o chamado núcleo operador do mensalão trataram de jogar sobre ele a responsabilidade pelo que eventualmente foi feito com o PT e seus aliados. Os defensores negaram a tese da acusação – de montagem de um esquema para compra de apoio ao governo – e admitiram o crime de caixa 2 de campanha. Mas disseram que tudo foi feito por Marcos Valério. Ele seria o responsável pela arquitetura dos empréstimos feitos, segundo os advogados, para quitar dívidas de campanha.

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O argumento usado pelas defesas de que o dinheiro era usado para pagamento de dívidas de campanha é contestado pela PGR. Na acusação, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que os valores foram usados para comprar o apoio político de partidos da base. Na sexta-feira (3), antes de pedir a condenação de 36 envolvidos com o esquema, ele citou volumes endereçados a legendas como PP, PL (hoje PR) e PTB.

Primeiro a subir na tribuna ontem (7), Castellar Guimarães Filho, advogado de Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério na SMP&B, rejeitou qualquer ato de Cristiano com o mensalão. De acordo com Castellar, Cristiano era encarregado apenas da parte criativa da agência de publicidade, não tendo influência na administração e nas finanças. Para o advogado, os depoimentos tomados durante a fase de investigação não conseguiram apontar qual a participação do publicitário.

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Já o segundo defensor a subir à tribuna, Paulo Sérgio de Abreu e Silva, afirmou que seu cliente, Rogério Lanza Tolentino, não sabia do destino de três cheques que supostamente financiaram a compra de votos da base aliada. Os cheques assinados por ele foram entregues à cúpula do PP. O advogado disse também que ele nunca participou da negociação de empréstimos no Banco BMG. Ele admitiu, no entanto, que Tolentino praticou caixa 2, crime eleitoral que recebeu multa como punição.

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Ordens

Já os advogados de Simone Vasconcellos, ex-diretora financeira da SMP&B, e de Geisa dos Santos, ex-gerente financeira da agência, apresentaram os mesmos argumentos. Segundo os dois, elas cumpriam ordens de Marcos Valério, não tendo autonomia para determinar o valor nem como o dinheiro seria gasto. “Simone estava cumprindo ordens. Era isso que ela fazia, nada mais”, afirmou Leonardo Isaac Yarochewski, advogado de Simone.

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As sustentações orais foram encerradas com a intervenção do advogado José Carlos Dias, responsável pela defesa da ex-presidenta do Banco Rural Kátia Rabello. De acordo com o defensor, ela não era responsável pelos empréstimos feitos pela agência de publicidade de Marcos Valério mais tarde repassados ao PT. Ele disse também que Kátia cobrou do publicitário o pagamento dos empréstimos.

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Adiamento

Antes de o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, chamar um intervalo na sessão, a ministra Cármen Lúcia informou aos colegas que não estaria presente no restante da sessão. Segundo ela, compromissos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ela preside, não tinham como ser adiados. Ela adiantou que já tinha pedido cópias dos áudios e vídeos das duas sustentações orais que ainda faltavam para a “primeira hora do dia de amanhã”.

No entanto, os advogados não se sentiram satisfeitos. Em nome dos colegas, José Carlos Dias apresentou uma questão de ordem pedindo o adiamento da sessão, que iria continuar sem o quorum completo. Isto está previsto no regimento interno do STF. Para os defensores, no entanto, o direito de defesa se sobrepõe ao regulamento do tribunal. Mesmo assim, por unanimidade, os ministros rejeitaram o pedido e continuaram a sessão.

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