Acusação sobre mensalão é artificial, diz Thomaz Bastos

Ex-ministro da Justiça, que defende um dos acusados na Ação Penal 470, rejeita ideia de que havia uma quadrilha atuando. Procurador-geral diz que provas são "robustas"

Ex-ministro da Justiça do governo Lula, Márcio Thomaz Bastos criticou nesta sexta-feira (3) a acusação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso do mensalão do PT. Para o advogado, que defende José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural, a junção de "tudo isso é artificial". "É uma quadrilha na qual muitos dos integrantes não se conhecem", disse Bastos, antes de a sessão de hoje começar no Supremo Tribunal Federal (STF). Neste momento, Gurgel faz, no plenário do Supremo Tribunal Federal, a sua sustentação oral.

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Segundo Bastos, os últimos dois anos, quando o inquérito virou ação penal, foram bons para as defesas dos acusados. Ele acredita que o período serviu para os advogados dos réus conseguirem provas para absolvê-los. Mesmo assim, ele evita fazer qualquer prognóstico para o próximo mês. E adianta que ainda não tem "nem um rascunho" de como será sua sustentação oral na próxima semana. Ele terá uma hora para defender o ex-diretor do Banco Rural.

"Conjunto coeso de provas"

No início da sua sustentação oral hoje, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defendeu a investigação realizada pelo Ministério Público. Ele ressaltou que são "milhares de documentos" presentes nos autos, e que dezenas de perícias foram realizadas. Destacou também a participação da Controladoria Geral da União (CGU), do Banco Central, da CPI dos Correios e do Instituto Nacional de Criminalística (INC) no processo. "Têm-se enfim um conjunto coeso de provas", afirmou.

"Foi sem dúvida o mais atrevido e escandaloso caso de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil", disparou Gurgel. Para o PGR, uma "sofisticada organização criminosa" foi responsável por "macular a República" com o objetivo de "comprar apoio parlamentar". "O desafio da PGR é dar concretude, com base na substanciosa prova, que o fim não justifica os meios. A robustez da prova colhida faz risível a assertiva (de que o mensalão é delírio do MP)", afirmou.

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