Verba retida da Ciência ajudaria a combater covid-19, diz especialista

Os principais representantes da Ciência e Tecnologia no Brasil denunciam que recursos importantes destinados ao setor não estão sendo aplicados e que poderiam estar ajudando muito no enfrentamento à pandemia por coronavírus.

“R$ 25 bilhões destinados ao Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia não podem ser utilizados para pesquisa, produção de vacinas e medicamentos para o combate à covid- 19, pois foram caracterizados, nos últimos anos, pelo Orçamento Federal, como reservas para o pagamento de juros e ganhos de capital financeiro”, chama a atenção o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich.

Ele e outras referências importantes do setor científico do país participaram do debate O Valor da Ciência, da Tecnologia e da Inovação como política de Estado, que faz parte do Ciclo Diálogos, Vida e Democracia, uma série de videoconferências promovidas pelo Observatório da Democracia.

O Orçamento Federal de 2020 travou R$ 5,1 bilhões (R$ 0,8 bilhão do Ministério da CT&I e R$ 4,3 bilhões do Fundo Nacional de C&T - FNDCT) carimbando-os como Reserva de Contingência.

Esse recurso disponível poderia ser utilizado, imediatamente, para o controle da infecção de covid-19, ampliando o número de diagnósticos e tratamento de casos”, afirma o coordenador do evento, Alexandre Navarro , vice-presidente da Fundação João Mangabeira e ex-secretário nacional de Ciência e Tecnologia (C&T).

Soft Power

A cada 1% de gasto em pesquisa e desenvolvimento gera um crescimento adicional no PIB de 9,92%, incorporação de valor em bens e serviços muito superior ao resultado do desembolso em outras áreas, como defesa, 0,03% e infraestrutura (0,01%), segundo Levy Economics Institute - EUA, 2017.

“Há o conhecimento científico que chamamos de soft power. Ele supera o poder de tanques e mísseis. Precisamos de um Ministério das Relações Exteriores no Brasil que compreenda o valor da Ciência para as relações internacionais do país”, defende Davidovich, que é doutor em Física pela Universidade de Rochester (EUA) e membro da Academia Mundial de Ciências.

Ele aponta como exemplo o conhecimento científico desenvolvido pela Embrapa e pela Fiocruz, que projetaram o Brasil internacionalmente.

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