Delegados da PF vão à Justiça contra federação de policiais que indicou relação com deputada

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal vai tomar medidas judiciais contra a entidade que representa os policiais federais devido à acusação de que teria fornecido informações privilegiadas à deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

A cada dia, desde a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, o clima fica mais tenso dentro da Polícia Federal.

> Federação de policiais federais pede investigação sobre vazamento de operação

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) rebateu no início da noite nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que aponta suposta estreita relação da deputada Carla Zambelli com os delegados.

“Irresponsável”

Segundo a Fenapef, a deputada poderia ter tido informações privilegiadas sobre operações.

A Associação dos Delegados da PF afirma ‘repudiar veementemente a irresponsável nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), em razão das graves e infundadas ilações sobre possível vazamento de informações de investigações por parte da Associação’”.

A entidade destaca ainda que “no momento em que a Polícia Federal é colocada involuntariamente no centro do debate político, nada mais danoso para o órgão do que a utilização desse ambiente para se criar instabilidades por rixas classistas que nada colaboram com a defesa da instituição”.

Veja a íntegra da nota da ADPF:

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que há 43 anos representa os delegados da Polícia Federal e tem um histórico de defesa ética e séria da instituição, repudia veementemente a irresponsável nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), em razão das graves e infundadas ilações sobre possível vazamento de informações de investigações por parte desta Associação.

No momento em que a Polícia Federal é colocada involuntariamente no centro do debate político, nada mais danoso para o órgão do que a utilização desse ambiente para se criar instabilidades por rixas classistas que nada colaboram com a defesa da instituição.

A ADPF defende há muitos anos a criação de um sistema de proteção para a Polícia Federal baseado em autonomia e mandato para o Diretor Geral do órgão. Uma blindagem essencial contra possíveis interferências políticas que ameacem uma instituição de Estado respeitada pela sociedade brasileira.

Na defesa dessa pauta que interessa ao Brasil, a Associação contou e conta com o apoio público de diversos parlamentares, movimentos sociais, instituições e grande parte da população brasileira.

Em 2017, toda essa mobilização voluntária, de caráter nacional, resultou na entrega de mais de setecentas mil assinaturas de apoio à Proposta de Emenda Constitucional que prevê autonomia para a Polícia Federal.

Dentre esses apoiadores, está a então líder do movimento social “Nas Ruas”, Carla Zambelli, atualmente deputada federal pelo estado de São Paulo. Apoio este recebido às claras e de maneira institucional.

A ADPF se orgulha de ter conseguido demonstrar às mais diferentes correntes políticas e da sociedade civil organizada a necessidade de proteção da instituição.

Importante esclarecer que a ADPF não se confunde com a instituição Polícia Federal, não tendo acesso a informações referentes a qualquer investigação ou operação policial em andamento.

Aliás, é uma regra da diretoria da Associação se manter distante de fatos investigados e não se manifestar sobre inquéritos ou apurações em andamento.

A ADPF atua na defesa da Polícia Federal e sempre condenou, de forma intransigente, qualquer tipo de vazamento de informações sigilosas, por quem quer que seja.

Os responsáveis por revelação de qualquer segredo profissional devem ser processados e demitidos, sem prejuízo das sanções cíveis e penais cabíveis.

Para tanto, a Associação espera uma investigacão rigorosa para revelar se houve esse tipo de crime e seus eventuais autores a qualquer tempo e, no caso concreto, para servir como mais um elemento que comprove a atuação maliciosa contra a ADPF.

A ADPF, independentemente da apuração, irá imediatamente tomar as medidas judiciais cabíveis para que os dirigentes da Fenapef provem as insinuações que fizeram ou respondam pelas leviandades lançadas publicamente e entendam que divergências classistas não estão acima da ética, da moral, tampouco do nome e da credibilidade da Polícia Federal.

Diretoria da ADPF, 26 de maio de 2020.

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