A alma petista e o engano das paixões

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Comentários (2)
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  • RômuloJ. Vieira

    Comentário sem retoques esse do Fabio!

  • Fábio

    Texto excelente, um dos melhores que já li aqui no portal.
    O lulismo, fenômeno medonho, é multifatorial. Diversas ocorrências o explicam ao meu ver: 1ª) o culto à personalidade; 2ª) o fato de o PT reunir todas as características de uma seita; 3ª) a ideologia para alguns; 4ª) o pragmatismo antiético daqueles que lucraram de alguma forma com o PT no governo e pouco se importam com a corrupção (o que chamo de malufismo 2.0); e 5ª) a dificuldade em autocrítica. Esse último fator talvez seja o principal e se misture com todos os outros, e nisso concordo muito com o artigo.
    Lula é obviamente um farsante, mas daqueles bem convincentes. Emílio Odebretch disse em sua delação aquilo que muitos já sabiam: desde sua época de sindicalista ele fazia jogo duplo: um discurso trabalhista para enganar incautos, enquanto se refestelava com os patrões. Se um bilionário o qualifica como “bon vivant”, não sou eu quem vou discordar.
    E as pessoas acreditam em Lula porque desejam acreditar em algo. O brasileiro, sem muita cultura política e vivendo em um país de eternas crises, está sempre pronto a se agarrar a um salvador, a um messias, o que dá espaço a todo tipo de demagogo populista. Lula é o maior deles. Ele construiu essa narrativa, de contornos bíblicos, do líder operário, e muita gente embarcou nessa farsa (porque queriam embarcar; as pessoas são enganadas porque assim o desejam, porque querem acreditar em alguma coisa). Abandonar essa crença é algo doloroso. Alguns tem sabedoria e honestidade intelectual para isso, a exemplo do Gabeira e do Eduardo Jorge, mas são a minoria.