O MEC virou palanque

James Andrade *

No último domingo (26), fiz a prova do Enade, isto é, do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. Antes chamado de “provão”, ele avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação superior do país.

Estou indignado com as questões discursivas de cunho geral. Uma delas obriga você a defender políticas públicas com as quais não concorda para que sua resposta seja considerada certa. A outra, 100% feminista, obriga na prática a reconhecer que somente os homens são transmissores de sífilis.

Agência Brasil

Após prestar a prova do Enade, estudante se diz indignado com questão proposta na prova

Trata-se, no primeiro caso, de definir políticas públicas para troca de nomes de pessoas trans. Por que fazer isso, se temos tantos problemas mais graves para resolver?

Já existe uma política para as pessoas que precisam de assistência jurídica e não podem arcar com os custos: elas podem buscar a Defensoria Pública.

Se é trans e não tem condições de pagar um pedido judicial para trocar de nome, basta procurar a Defensoria. Se tiver recursos, pode pagar um advogado.

Nada dessa conversa de privilégio porque se diz trans!

São questões, portanto, que não cabem num exame que deveria aferir os conhecimentos acadêmicos dos alunos. Temas sujeitos a polêmicas desse tipo, em que você pode ser contra ou a favor, não deveriam ter lugar em uma avaliação séria.

Pessoalmente, estranho que o Ministério da Educação dê mais importância ao debate de políticas públicas voltadas para minorias quando a maioria enfrenta problemas gravíssimos, em diversas áreas, a começar pelo próprio setor educacional.

Não podemos ficar quietos assistindo o MEC transformar nossas escolas em palanque.

* James Andrade é estudante de Engenharia Elétrica na Faculdade Anhanguera, em Taguatinga (Distrito Federal).

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