Quarta, 16 de Maio de 2012

A Alpha Ville das Comunidades – a Alpha Vella

Bajonas Teixeira de Brito Junior*A idéia é boa. A execução, à moda das obras públicas do Rio, certamente será primorosa. E o apelo de marketing é inegável. Em breve, se nossas previsões estiverem corretas, o governo do estado deverá batizar …

Bajonas Teixeira de Brito Junior*


A idéia é boa. A execução, à moda das obras públicas do Rio, certamente será primorosa. E o apelo de marketing é inegável. Em breve, se nossas previsões estiverem corretas, o governo do estado deverá batizar o projeto como o Alpha Ville das Comunidades. E as comunidades, com a criatividade característica da alma carioca, o apelidarão de Alpha Vella. Condomínio fechado de segurança máxima.


Será que precisamos lembrar os diferenciais que tornarão Alpha Vella referência internacional de urbanização – a segurança reforçada com a ocupação da PM, a beleza luxuriante da cidade do Rio de Janeiro vista dos morros, o clima de floresta e a vista do mar? A secretária estadual de Ambiente, Marilene de Oliveira, formulou com lógica lapidar (tudo a ver com lápide), a idéia central:


“Qualquer terreno é cercado por muro de três metros de altura. Você mora num condomínio com muro de três metros. Uma comunidade como aquela é um condomínio. É natural que ele seja cercado por um muro de três metros.”


O estado que convivia com o crescimento desordenado das favelas agora irá conviver com os crescimento ordenado dos condomínios de luxo. Ou, para ser mais exato, de micro luxo. Um complemento ao sistema de microcrédito que, junto com Alpha Vella, vai mudar a cara da cidade. Assim, como a mudança na face da mãe do PAC, Dilma Rousseff, essa cirurgia plástica verbal deve solucionar os problemas mais urgentes da Cidade Maravilhosa. É verdade que as premissas da secretária do Rio, a mãe de Alpha Vella, talvez não sejam verdadeiras: muros não costumam ter 3 metros de altura, salvo, claro, os dos condomínio de alto luxo e os de presídios, casas de detenção e similares. Também é provável que o “você” a quem a secretária se refere, e que imaginamos ser o repórter que a entrevistava no momento, não more em um condomínio de luxo.


É sensato especular, porém, que, juntando a extinção da exigência dos diplomas para jornalistas com a nova paisagem urbana do Rio, não demore para que nosso bravo repórter venha, logo logo, a tornar-se um felizardo ocupante de Alpha Vella. 


Evidentemente um auxílio luxuoso gratuitamente ofertado pelo Estado não pode ficar restrito a uma minoria de privilegiados. Vai ser preciso expandir para as áreas em que a questão ambiental é menos relevante. Ficaria um pouco estranho se o trem bala, que vai custar aos cofres públicos os olhos da cara, atravessasse indômito a obscura zona que margeia a Linha Vermelha, até o momento uma cinzenta paisagem ladeada de comunidades, isto é, as antigas e ultrapassadas favelas.


E é preciso considerar também que se não se fizer aí condomínios com muros de três metros, no mínimo de três metros, os custos do trem bala serão evidentemente proibitivos, porque a bala não poderá ser qualquer, terá que ser bala de prata, blindada (alguém ainda duvida depois dos três feridos com o tiro que atingiu o metrô da Linha 2 na noite desta terça-feira, 14 de abril?). Mas, sobretudo, para usar um pouco da nomenclatura em voga, as subjetividades marginalizadas no cotidiano merecem ser reterritorializadas numa nova ambiência urbana: daí a necessidade dos condomínios de beira de trilho.


Às vezes penso que se o Rio de Janeiro existe e, principalmente, subsiste, tudo é possível. Se a idéia iluminada de João Havelange, homem que enxerga longe, de demolir o Maracanã para construir um estádio muito mais moderno pôde ser levada a sério (e ela certamente vai voltar e será executada mais cedo ou mais tarde); se o bom Lula investiu tanto dinheiro nas obras tão suspeitas para o Pan, o que tornou mais que merecida a salva de vaias que recebeu no mesmo local; se o trem bala, que só vai servir para  treinamento de tiro ao alvo, está virando objeto de culto (A idéia do século!, como exclamou eufórico um interessado); se foi proposto que a caveira do Bope se tornasse patrimônio cultural da cidade; se é possível mesmo que exista o Bope e a caveira símbolo do Bope; se as favelas estão sendo muradas e vão virar condomínios de segurança máxima, então qualquer delírio é possível.


Uma questão embaraçosa é: onde estão os intelectuais? Essa gente tão buliçosa está esperando o que para assinar o Manifesto? De certo, devem estar esperando a iniciativa de Cocco e Negri. Ou, quem sabe, Chomsky. Ou sei lá quem. A minha caneta está aqui na mão, positiva e operante, escorrendo tinta, pronta para o autógrafo, mas o Manifesto não aparece. Os intelectuais estão mudos e o manifesto tarda. Por isso, é claro, o nosso Emir Sader, venerável homem de esquerda, ainda não abriu o bico.


No caso de Cocco e da Universidade Nômade, pode ser que tenham saído de férias. Ou que estejam ocupados com algum seminário financiado pelo governo federal. Aqui em Vitória, volta e meia, vêm o Cocco e o Negri. São dias de festa. Infelizmente sou um homem muito ocupado e nunca pude ir a um desses espetáculos. Os auditórios ficam cheios. Tudo com ajuda de custo da prefeitura. No último, se não me engano, houve um certo buchicho à boca pequena, em tom de mágoa, porque o Negri, cujo nome veio estampado em um dos folders que recebi, não deu as caras. Andaram dizendo que não tinha vindo porque exigiu passagem de primeira classe e tapete vermelho no aeroporto. Enfim, sempre a mesma boçalidade ingrata da periferia.


De todo modo, a hora é boa. A idéia que eu dou para o Manifesto é que juntem nele três coisas: a feira de armas militares no Rio, que ensejou segundo os jornais a compra de um novo modelo de caveirão israelense; a construção do trem bala (esse “bala”, para quem não sabe, vem de tiro mesmo), e o Alpha Vella.


Para o carro militar Israelense, se entramos definitivamente em situação declarada de guerra, ou seja, se a Palestina é aqui, então o Manifesto deveria exigir a presença da Cruz Vermelha Internacional nos novos condomínios fechados. Em relação ao trem bala, poderia propor a mudança para Trem Míssil, e em relação a Alpha Vella, exigir guaritas a cada 100 metros (o que é supérfluo, porque esse acessório indispensável já deve estar previsto no projeto). Seja como for, o modelo poderia ser adaptado do Gueto de Varsóvia. Ou mesmo do muro que Israel está construindo no grande condomínio da Palestina.


Nisso tudo, o que vejo de positivo, de bastante positivo, aliás, é a reação da Federação das Favelas do estado, que parece ter sentido na pele o flagelo da novidade urbana, estranhamente implementada antes mesmo de ser proposta, pelo governo do estado. A dica que eu dou para a Federação é a seguinte: aproveitem o momento e não parem na questão do muro. Exijam que a munição do BNDES para o trem bala seja desviada (atenção, no português brasileiro o verbo desviar é muito ambíguo) para investimentos urbanos fundamentais (saneamento, educação, saúde) nos condomínios. Segurança não precisa, porque nunca houve tanta verba para a matança generalizada como nos dias do atual governo democrático. Aliás, o nosso ministro da Justiça (ia dizer, justiçaria), acha o nosso simpático Sérgio Cabral um bom nome para vice-presidente na chapa da Dilma. Essa opinião, se não me engano, foi a segunda de sua lavra depois que retornou das trevas, nas quais adentrou depois da maré negativa gerada pelo caso Cesare Battisti. O primeiro eu não lembro. O terceiro, de acordo com a imprensa em 23 de abril, foi ressaltar que o presidente do STF, Gilmar Mendes, tem um enorme “sentido de responsabilidade pública”.


*Bajonas Teixeira de Brito Junior é doutor em Filosofia, autor do ensaio, traduzido pelo filósofo francês Michael Soubbotnik, Aspects historiques et logiques de la classification raciale au Brésil (Cf. na Internet), e do livro Lógica do disparate.

10 Comentários

  1. LUANA RODRIGUES disse:

    Como podemos falar que vivemos em um mundo evoluido? Essa idéia de construir muro na favela é absurda. Será que voltamos no tempo? Esse muro na verdade separa os ideais de pessoas diferentes, RICOS X POBRES. Esconde a pobreza das favelas dos turistas e exclui mais ainda estes cidadãos que mais nessecita de trabalho e ajuda do governo e não de ser excluido literalmente da sociedade como se eles não fizessem parte dela. Realmente é lamentavél…
    Voltamos ao muro de BERLIM!!

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  2. Muros em favelas do RJ disse:

    Postado hoje no A PALAVRA É SUA DESTA PÁGINA

    05/10/2009 – 11h33

    Há no congresso brasileiro uma proposta de reforma eleitoral que dentre outras coisas prevê a instituição do voto em lista, que será preparada pelos partidos e oferecida aos eleitores já pronta. Ou seja, o voto não mais será no candidato e sim no partido que, com critérios próprios, escolherá “os cabeças de listas” e aqueles a quem delegará o mandato. O discurso é o do fortalecimento dos partidos. Na minha visão é uma maneira de voltar ao voto indireto; porque os caciques brasileiros, os donos dos partidos não abrirão mão do poder em benefício de ninguém. Isso quer dizer que se perpetuarão na vida pública a despeito de qualquer esforço da sociedade. É uma facada profunda na frágil democracia brasileira. O mais grave é que nesse momento de aprofundamento da crise política, o congresso que aí está não tem condições éticas e moral para tratar de tema de tal importância. Mudar a legislação eleitoral agora é, no mínimo, casuísmo. Certamente esse congresso irá legislar em causa própria porque a maioria dos seus membros corre sério risco de ficar sem mandato nas próximas eleições. É bem verdade que o projeto de mudança partiu do governo federal. Mas até aí nada demais, afinal, seus partidos de sustentação tem contribuído, e muito para os sucessivos escândalos que vêem alimentando o noticiário político nacional. Então, nada mais apropriado do que proteger aqueles que irão garantir em 2010 a continuidade desse modelo de gestão. E, mais que isso, que irão garantir que os votos dos eleitores sejam direcionados para os membros de um grupo fechado, despótico. E a democracia, onde fica? Ah! Ela é apenas um detalhe. “No mundo atual não cabe mais nenhum golpe de estado, nenhuma ditadura explícita. Porém uma “democracia oligárquica”, apesar de indecente pode ser tolerável”. Deve ser esse o pensamento político dos nossos governantes. Eles decidem e nós engolimos suas decisões, com algum estranhamento, mas sem oferecer resistência. Já estamos acostumados… Entretanto, ainda existem cabeças pensantes nesse país. Ainda existem instituições que perseguem a justiça e vigiam sua aplicação. Ainda existem homens de bem na vida pública brasileira. Ainda existem brasileiros comuns que pretendem ter um país onde as diferenças sejam diminuídas, onde os abusos sejam coibidos com o rigor da lei, onde as leis sejam criadas para todos e não em benefício de uns poucos. Ainda existem brasileiros que trabalham para que essa nação livre e soberana seja a Pátria de todos os seus cidadãos e não de uns poucos privilegiados. Ainda existem brasileiros que não se curvam diante do poder do Estado que trata o povo com desprezo, como se fossemos meros figurantes em um teatro de comédias. Tenho certeza que todos esses brasileiros, todas essas instituições erguerão a voz em protesto contra tais absurdos, contra esse golpe sorrateiro e mortal desferido contra a democracia brasileira. Não quero contestar a reforma eleitoral. Não. O Brasil precisa que a lei seja adequada aos novos tempos. Protesto contra os agentes dessa mudança que, a meu ver, não são idôneos, nem têm respaldo da população para instituí-las. Mormente em um contexto de escândalos e desprestigio de boa parte dos seus reformadores. Aliás, não posso admitir qualquer mudança na lei eleitoral que não passe primeiro pela transformação do voto obrigatório em voto livre. Porque não acabar com essa instituição oriunda do regime fechado? Porque manter a obrigatoriedade do voto em uma democracia? Será porque os políticos não são capazes de, com discursos e propostas, levar o eleitor às urnas? O voto obrigatório é a única maneira de fazer o eleitor sair de casa para se manifestar por algum candidato? Porque não realizar um plebiscito para saber o que pensa o povo brasileiro a respeito do voto obrigatório? Porque não pedir ao povo que escolha entre voto livre e obrigatório? Entre regime de lista fechada e o modelo atual? As respostas podem ser fatais para a maioria dos políticos brasileiros. É por isso que não fazem consulta pública sobre tais assuntos. É por isso que não acabam com o voto obrigatório. Estariam cometendo suicídio político. Em uma verdadeira democracia o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Então, se o povo que reforma eleitoral (é o que dizem nossos representantes), que ela comece enterrando o voto obrigatório. Esse deve ser o princípio de tudo. Sem acabar com a obrigatoriedade do voto, tudo que fizerem será em benefício próprio e não do povo brasileiro. Carlos gama http://WWW.carlosgama2006.blogspot.com

    Carlos Gama
    carlosgama_2006@yahoo.com.br

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  3. Muros em favelas do RJ disse:

    Postado hoje no A PALAVRA É SUA DESTA PÁGINA

    05/10/2009 – 11h33

    Há no congresso brasileiro uma proposta de reforma eleitoral que dentre outras coisas prevê a instituição do voto em lista, que será preparada pelos partidos e oferecida aos eleitores já pronta. Ou seja, o voto não mais será no candidato e sim no partido que, com critérios próprios, escolherá “os cabeças de listas” e aqueles a quem delegará o mandato. O discurso é o do fortalecimento dos partidos. Na minha visão é uma maneira de voltar ao voto indireto; porque os caciques brasileiros, os donos dos partidos não abrirão mão do poder em benefício de ninguém. Isso quer dizer que se perpetuarão na vida pública a despeito de qualquer esforço da sociedade. É uma facada profunda na frágil democracia brasileira. O mais grave é que nesse momento de aprofundamento da crise política, o congresso que aí está não tem condições éticas e moral para tratar de tema de tal importância. Mudar a legislação eleitoral agora é, no mínimo, casuísmo. Certamente esse congresso irá legislar em causa própria porque a maioria dos seus membros corre sério risco de ficar sem mandato nas próximas eleições. É bem verdade que o projeto de mudança partiu do governo federal. Mas até aí nada demais, afinal, seus partidos de sustentação tem contribuído, e muito para os sucessivos escândalos que vêem alimentando o noticiário político nacional. Então, nada mais apropriado do que proteger aqueles que irão garantir em 2010 a continuidade desse modelo de gestão. E, mais que isso, que irão garantir que os votos dos eleitores sejam direcionados para os membros de um grupo fechado, despótico. E a democracia, onde fica? Ah! Ela é apenas um detalhe. “No mundo atual não cabe mais nenhum golpe de estado, nenhuma ditadura explícita. Porém uma “democracia oligárquica”, apesar de indecente pode ser tolerável”. Deve ser esse o pensamento político dos nossos governantes. Eles decidem e nós engolimos suas decisões, com algum estranhamento, mas sem oferecer resistência. Já estamos acostumados… Entretanto, ainda existem cabeças pensantes nesse país. Ainda existem instituições que perseguem a justiça e vigiam sua aplicação. Ainda existem homens de bem na vida pública brasileira. Ainda existem brasileiros comuns que pretendem ter um país onde as diferenças sejam diminuídas, onde os abusos sejam coibidos com o rigor da lei, onde as leis sejam criadas para todos e não em benefício de uns poucos. Ainda existem brasileiros que trabalham para que essa nação livre e soberana seja a Pátria de todos os seus cidadãos e não de uns poucos privilegiados. Ainda existem brasileiros que não se curvam diante do poder do Estado que trata o povo com desprezo, como se fossemos meros figurantes em um teatro de comédias. Tenho certeza que todos esses brasileiros, todas essas instituições erguerão a voz em protesto contra tais absurdos, contra esse golpe sorrateiro e mortal desferido contra a democracia brasileira. Não quero contestar a reforma eleitoral. Não. O Brasil precisa que a lei seja adequada aos novos tempos. Protesto contra os agentes dessa mudança que, a meu ver, não são idôneos, nem têm respaldo da população para instituí-las. Mormente em um contexto de escândalos e desprestigio de boa parte dos seus reformadores. Aliás, não posso admitir qualquer mudança na lei eleitoral que não passe primeiro pela transformação do voto obrigatório em voto livre. Porque não acabar com essa instituição oriunda do regime fechado? Porque manter a obrigatoriedade do voto em uma democracia? Será porque os políticos não são capazes de, com discursos e propostas, levar o eleitor às urnas? O voto obrigatório é a única maneira de fazer o eleitor sair de casa para se manifestar por algum candidato? Porque não realizar um plebiscito para saber o que pensa o povo brasileiro a respeito do voto obrigatório? Porque não pedir ao povo que escolha entre voto livre e obrigatório? Entre regime de lista fechada e o modelo atual? As respostas podem ser fatais para a maioria dos políticos brasileiros. É por isso que não fazem consulta pública sobre tais assuntos. É por isso que não acabam com o voto obrigatório. Estariam cometendo suicídio político. Em uma verdadeira democracia o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Então, se o povo que reforma eleitoral (é o que dizem nossos representantes), que ela comece enterrando o voto obrigatório. Esse deve ser o princípio de tudo. Sem acabar com a obrigatoriedade do voto, tudo que fizerem será em benefício próprio e não do povo brasileiro. Carlos gama http://WWW.carlosgama2006.blogspot.com

    Carlos Gama
    carlosgama_2006@yahoo.com.br

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  4. Muros em favelas do RJ disse:

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    10/05/2009 – 11h33

    Há no congresso brasileiro uma proposta de reforma eleitoral que dentre outras coisas prevê a instituição do voto em lista, que será preparada pelos partidos e oferecida aos eleitores já pronta. Ou seja, o voto não mais será no candidato e sim no partido que, com critérios próprios, escolherá “os cabeças de listas” e aqueles a quem delegará o mandato. O discurso é o do fortalecimento dos partidos. Na minha visão é uma maneira de voltar ao voto indireto; porque os caciques brasileiros, os donos dos partidos não abrirão mão do poder em benefício de ninguém. Isso quer dizer que se perpetuarão na vida pública a despeito de qualquer esforço da sociedade. É uma facada profunda na frágil democracia brasileira. O mais grave é que nesse momento de aprofundamento da crise política, o congresso que aí está não tem condições éticas e moral para tratar de tema de tal importância. Mudar a legislação eleitoral agora é, no mínimo, casuísmo. Certamente esse congresso irá legislar em causa própria porque a maioria dos seus membros corre sério risco de ficar sem mandato nas próximas eleições. É bem verdade que o projeto de mudança partiu do governo federal. Mas até aí nada demais, afinal, seus partidos de sustentação tem contribuído, e muito para os sucessivos escândalos que vêem alimentando o noticiário político nacional. Então, nada mais apropriado do que proteger aqueles que irão garantir em 2010 a continuidade desse modelo de gestão. E, mais que isso, que irão garantir que os votos dos eleitores sejam direcionados para os membros de um grupo fechado, despótico. E a democracia, onde fica? Ah! Ela é apenas um detalhe. “No mundo atual não cabe mais nenhum golpe de estado, nenhuma ditadura explícita. Porém uma “democracia oligárquica”, apesar de indecente pode ser tolerável”. Deve ser esse o pensamento político dos nossos governantes. Eles decidem e nós engolimos suas decisões, com algum estranhamento, mas sem oferecer resistência. Já estamos acostumados… Entretanto, ainda existem cabeças pensantes nesse país. Ainda existem instituições que perseguem a justiça e vigiam sua aplicação. Ainda existem homens de bem na vida pública brasileira. Ainda existem brasileiros comuns que pretendem ter um país onde as diferenças sejam diminuídas, onde os abusos sejam coibidos com o rigor da lei, onde as leis sejam criadas para todos e não em benefício de uns poucos. Ainda existem brasileiros que trabalham para que essa nação livre e soberana seja a Pátria de todos os seus cidadãos e não de uns poucos privilegiados. Ainda existem brasileiros que não se curvam diante do poder do Estado que trata o povo com desprezo, como se fossemos meros figurantes em um teatro de comédias. Tenho certeza que todos esses brasileiros, todas essas instituições erguerão a voz em protesto contra tais absurdos, contra esse golpe sorrateiro e mortal desferido contra a democracia brasileira. Não quero contestar a reforma eleitoral. Não. O Brasil precisa que a lei seja adequada aos novos tempos. Protesto contra os agentes dessa mudança que, a meu ver, não são idôneos, nem têm respaldo da população para instituí-las. Mormente em um contexto de escândalos e desprestigio de boa parte dos seus reformadores. Aliás, não posso admitir qualquer mudança na lei eleitoral que não passe primeiro pela transformação do voto obrigatório em voto livre. Porque não acabar com essa instituição oriunda do regime fechado? Porque manter a obrigatoriedade do voto em uma democracia? Será porque os políticos não são capazes de, com discursos e propostas, levar o eleitor às urnas? O voto obrigatório é a única maneira de fazer o eleitor sair de casa para se manifestar por algum candidato? Porque não realizar um plebiscito para saber o que pensa o povo brasileiro a respeito do voto obrigatório? Porque não pedir ao povo que escolha entre voto livre e obrigatório? Entre regime de lista fechada e o modelo atual? As respostas podem ser fatais para a maioria dos políticos brasileiros. É por isso que não fazem consulta pública sobre tais assuntos. É por isso que não acabam com o voto obrigatório. Estariam cometendo suicídio político. Em uma verdadeira democracia o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Então, se o povo que reforma eleitoral (é o que dizem nossos representantes), que ela comece enterrando o voto obrigatório. Esse deve ser o princípio de tudo. Sem acabar com a obrigatoriedade do voto, tudo que fizerem será em benefício próprio e não do povo brasileiro. Carlos gama http://WWW.carlosgama2006.blogspot.com

    Carlos Gama
    carlosgama_2006@yahoo.com.br

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  5. severian disse:

    Muito se fala em controlar o aumento das favelas, da criminalidade, da diminuição do desemprego, entre outras situações que nenhum governante vai fazer. Projetos, esses eleitoreiros só servem para mepreiteiras faturarem milhões com obras. Outra coisa, querem controlar o aumento das favelas, pq, então não param de vender cimento? ferro, areia? material da tigre? aí, ninguém se mete são indústrias de peso. Mandam na economia do páis.

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  6. Natália disse:

    Sou estudante de Jornalismo no interior do Estado de São Paulo.
    Como estudante aprendi sobre a história do Brasil e nela incluem-se as diferenças entre classes sociais e a formação das favelas.
    Colocar um muro cercando a favela é mais uma demonstração da diferença gritante no nosso país.Poderíamos considerar esse muro como o "Muro de Berlim Brasileiro".
    No século XXI, com tanto desenvolvimento e aprimoramento de tecnologia é uma vergonha termos que separar fisicamente cidadãos para mostrarmos qual é o seu papel na sociedade.

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  7. Lucas Moreira disse:

    Olá!Tenho 18 anos e sou estudante de Jornalismo em Ribeirão Preto/SP.Fico muito chateado quando vejo uma notícia como essa.A Sociedade colocando muros para "esconder" a desigualdade que existe em nosso país atualmente.Ao invés de tentarem solucionar ou até mesmo amenizar esta triste situação de indiferença social,colaboram cada vez mais para esta divisão entre ricos e pobres.Particularmente daria o nome a esta ação de "muro da vergonha".

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  8. Bruna disse:

    Meu nome é Bruna Roberta, estou na primeira etapa do curso de Jornalismo na UNAERP em Ribeirão Preto-SP. É inaceitável o que estão querendo fazer no Rio de Janeiro, murar uma favela para esconder a pobreza dos olhos dos outros cariocas, com a justificativa de que a favela é como se fosse um condomínio, por isso é natural um muro de três metros circundando-a. Quem dera se as favelas brasileiras fossem como condomínios e tivessem todas as benfeitorias que eles possuem. A impressão que o governo brasileiro nos passa é que é muito mais fácil você camuflar a pobreza do que fazer políticas sérias com o intuito de erradicar definitivamente a pobreza, as condições precárias de moradia, saneamento básico, saúde e educação. Esse muro irá enfatizar ainda mais o conceito de desigualdade social. Vários países estão se iludindo acreditando que a construção de muros irá resolver os problemas que existe há décadas. Primeiro foi a Alemanha, depois EUA e Israel. Agora o Brasil quer aderir a essa “moda” também. É óbvio que essa não é uma boa solução, mas mesmo assim, nada é feito para destruir essa idéia desastrosa. Onde estão os intelectuais, os universitários, os jovens e as pessoas de bom-senso para manifestar contra esse absurdo?

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  9. Bruna disse:

    Meu nome é Bruna Roberta, estou na primeira etapa do curso de Jornalismo na UNAERP em Ribeirão Preto-SP. É inaceitável o que estão querendo fazer no Rio de Janeiro, murar uma favela para esconder a pobreza dos olhos dos outros cariocas, com a justificativa de que a favela é como se fosse um condomínio, por isso é natural um muro de três metros circundando-a. Quem dera se as favelas brasileiras fossem como condomínios e tivessem todas as benfeitorias que eles possuem. A impressão que o governo brasileiro nos passa é que é muito mais fácil você camuflar a pobreza do que fazer políticas sérias com o intuito de erradicar definitivamente a pobreza, as condições precárias de moradia, saneamento básico, saúde e educação. Esse muro irá enfatizar ainda mais o conceito de desigualdade social. Vários países estão se iludindo acreditando que a construção de muros irá resolver os problemas que existe há décadas. Primeiro foi a Alemanha, depois EUA e Israel. Agora o Brasil quer aderir a essa “moda” também. É óbvio que essa não é uma boa solução, mas mesmo assim, nada é feito para destruir essa idéia desastrosa. Onde estão os intelectuais, os universitários, os jovens e as pessoas de bom-senso para manifestar contra esse absurdo?

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