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Supersalários para a casa grande, escravidão para a senzala

Semana passada​,​ o stf (supremo tribunal federal​, em minúsculo mesmo​)​ aprovou o relatório do ​ministro ​​calouro ​Alexandre Moraes​,​ permitindo que a remuneração ​total ​dos servidores públicos que acumular​em​ cargos e aposentadorias ultrapass​e​ o teto constitucional de ​R$​ 33​,7​ mil​, ​valor dos vencimentos de ministros do stf.

Essa decisão abrange todos os servidores públicos, inclusive eles (ministros do stf) e os juízes. É uma decisão que desrespeita a Constituição, portanto​,​ inconstitucional, ilegal​,​ e mais, imoral.

Essa decisão é um desdém, uma afronta a todo o povo brasileiro, principalmente aqueles, trabalhadores e trabalhadoras, que​,​ na véspera​,​ foram colocados no cadafalso.

A reforma trabalhista aprovada pelos golpistas nada mais é ​do ​que conduzir o trabalhador e a trabalhadora ao cadafalso da morte física para muitos e da indignidade para quase todos. É indigno o que os patrões e os deputados aprovaram na Câmara dos Deputados.

A decisão dos golpistas conduzirá o Brasil ao país dos abandonados, dos excluídos, aos que restarão viver na rua esperando um pão de alguma mão estendida.

Enquanto os ministros do stf votam, pode-se afirmar, em causa própria​,​ o outro poder, o legislativo, faz lei que privilegia os da Casa Grande e massacra os da Senzala. Não é outra coisa senão isso, a chamada reforma trabalhista. É um desdém.

Os deputados aprovaram que agora os patrões podem demitir todos de sua empresa e contratar outros para o lugar deles, com salários menores.

Podem contratar por hora de trabalho durante toda a vida de um trabalhador. Poderão contratar para trabalhar temporariamente​,​ e o trabalhador não terá emprego e salários fixos garantidos.

Pelo​ texto​ aprovado na Câmara​,​ o patrão vai contratar a pessoa por jornada de trabalho​,​ que poderá ser de 10, 12 ou mais horas. Adeus​,​ hora-extra.

Se antes era obrigado ​a ​ter uma hora de almoço, agora​,​ o trabalhador terá meia hora. Isto aumenta os estresses e as doenças.

Com a nova lei​,​ o patrão vai poder dizer até como você tem que se vestir, sem ele ter a responsabilidade de fornecer o uniforme da empresa. Imagino quantos se sentirão ridículos com as roupas que lhe imporão.

A nova lei, se aprovad​a​ no Senado​,​ acaba​rá​ com o transporte de empregados. As empresas não terão mais obrigação de pagar pelas horas de deslocamento. Isto prejudica quem mora mais longe: perderão tempo e dinheiro.

Pela proposta aprovada, adeus férias de 30 dias. Quem ditará as suas férias, se ​as ​tiver, serão os patrões, de acordo com as necessidades deles.

Os trabalhadores e trabalhadoras que trabalham com carteira assinada poderão ser demitidos e serem substituídos por terceirizados, mais baratos para os patrões, sem direitos e sem carteiras assinadas.

Nem as grávidas se livram da crueldade dos golpistas. Com a nova lei​,​ quem decide onde as grávidas (e as lactantes) trabalham é o médico da empresa. Só que o médico da empresa é um empregado da empresa ou um terceirizado, portanto​,​ ele vai decidir de acordo com o que o patrão mandar, caso contrário é ele que poderá ser demitido.

Você perderá seus direitos e não terá ​a quem reclamar. O contrato que você assinou vale mais que a lei. Isto é injusto: você est​á​ ​há ​um ano ou mais desempregado, precisa do emprego, pois sua família est​á​ passando fome. Nesta situação frágil, você assina qualquer contrato, mesmo que seja só para dar comida aos filhos. É quase a escravidão.

Quando você for demitido​,​ a rescisão do contrato não será mais feit​a​ pelo sindicato. O patrão pode fazer a rescisão do jeito que ele quiser, portanto o patrão manda e desmanda e a você lhe resta fornecer o pescoço para a corda.

Você​,​ trabalhador, foi golpeado por todos os lados e em todos os seus direitos. Se você recorrer à Justiça do Trabalho, terá que pagar. Antes​,​ era gratuita. Agora não é mais.

Todos os que (foram para a rua e bateram panelas) pediram “fora Dilma” e os que votaram (para tirar a Dilma) a favor do golpe são os que aprovaram direta ou indiretamente estas maldades contra os trabalhadores e trabalhadoras.

​No último dia​​ 28​,​ os trabalhadores e as trabalhadoras pararam o Brasil para lutar garantir seus direitos. Não pediram nada mais do que já t​ê​m.

Esta luta foi tratada com desdém pela mídia e pelo governo golpista.

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Sobre o autor

Dr. Rosinha

Dr. Rosinha

* Médico, com especialização em Pediatria, Saúde Pública e Medicina do Trabalho, destacou-se como líder sindical antes de se eleger vereador, deputado estadual e deputado federal. Também foi presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul). Exerce o quarto mandato na Câmara dos Deputados, pelo PT do Paraná.

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