Domingo, 30 de Abril de 2017

Colunistas

O vaivém do Ministério da Cultura

“Enquanto a existência do ministério for considerada necessária, a cultura não existirá pelas próprias pernas. Nossa cultura será sempre uma ficção para poucos. Ou uma ficção para muitos”

MinC

Acabou o Ministério da Cultura. Voltou o Ministério da Cultura. E o Brasil permanece um país que de fato está pouco se lixando para a cultura. Enquanto a existência do ministério for considerada necessária, a cultura não existirá pelas próprias pernas. Nossa cultura será sempre uma ficção para poucos. Ou uma ficção para muitos, transmitida sem parar em pequenas telas. Enquanto faltar mercado e sobrar Estado, não haverá solução à vista. Nem a prazo. Enquanto faltar educação e renda, a cultura é eventual, gratuita, desimportante, baseada em critérios pouco criteriosos. Enquanto a cultura for usada para elevar ou lavar a alma ideológica, estamos perdidos. Suspensos no espaço. Com ministério, sem ministério, com mistério, sem mistério.

Pequeno príncipe

Uma lágrima que vem da memória. Purple rain nas tardes das telas dos anos 1980. Kiss nas noites dançantes do mesmo período. Você não precisa ser rica para ser a minha garota. Você não precisa ser cool para governar o meu mundo. Você não precisa assistir a Dinastia para ter uma atitude. E o desfecho real: você não precisa saber inglês para me dar um beijo.

Inferno

O goiano André de Leones é um dos mais talentosos escritores que fazem a recente literatura brasileira. Ele tem 36 anos e acaba de publicar seu quinto romance, Abaixo do paraíso. A história acompanha o protagonista Cristiano por Goiânia, Anápolis, Brasília e Silvânia, lugar mítico da infância do autor. A morte volta a ser tema, a morte (em vida) por falta de opção, a morte por irresponsabilidade (por exemplo, nas estradas), a morte pelas próprias mãos. Difícil saber para onde De Leones irá a partir daqui, porque Abaixo do paraíso é bastante maduro, autoconsciente e, por que não, divertido.

De boa

Uma nota de surpresa para o último disco de David Bowie, que roda no carro sem parar. Som estranho, que se movimenta esfumaçado, ao vento.

Espanto

Ainda gosta apenas de Niemeyer? Experimente conhecer a arquitetura da iraquiana-britânica Zaha Hadid. Primeira mulher a ganhar o Prêmio Pritzker, em 2004, Hadid morreu no último 31 de março. Deixa uma obra estupenda, de fazer cair o queixo do brasiliense (mal) acostumado com as suas próprias curvas.

Teoria da corda

Em tempos de muito tênis na tela da tevê, o leitor pode encontrar conforto e inquietude nos textos de David Foster Wallace (1962-2008). Autor de clássicos do jornalismo esportivo, Wallace foi tenista relativamente bem ranqueado no circuito juvenil norte-americano. Por lá, foi publicado o volume String Theory, com a reunião do melhor do autor sobre o esporte, incluindo análises estéticas inconfundíveis do jogo do suíço Roger Federer. Uma beleza.

Vale lembrar que o tênis é central para a obra-prima de Wallace, Graça infinita.

Notas publicadas originalmente na coluna Cabeça, assinada por Sérgio de Sá na Revista Congresso em Foco.

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