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Longe dos olhos, longe do coração – Um pedido de desculpa às crianças vítimas da barbárie sexual

Autor menciona diversos casos de abuso sexual e, ao lamentar os rumos da humanidade, recorre a pensadores como Thomas Jefferson. “Temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo”

Muito já se falou sobre crianças. De Joubert, ouvimos terem elas mais necessidade de modelos do que de críticas. De Mistral, o alerta de que o futuro delas é hoje – amanhã será tarde demais.

Meditei muito sobre esses pensamentos ao tomar conhecimento do caso do pai que abusava sexualmente de sua filha de apenas seis anos de idade, enquanto com ela assistia a filmes pornográficos. Acabou condenado a 18 anos de reclusão.

Há também o episódio do avô que mantinha relações sexuais com suas duas netinhas, uma de cinco anos de idade e a outra de sete anos. Viu-se condenado a cumprir uma pena de 33 anos de reclusão.

E que dizer do caso do padrasto que abusava da enteada? Quando o caso foi levado ao mundo das leis, a vítima, com apenas 14 anos de idade, já era mãe de dois filhos. Este drama resultou em uma condenação a 40 anos de reclusão.

Cito, em seguida, a vítima portadora de necessidades especiais estuprada pelo próprio irmão – que foi condenado a amargar 13 anos de reclusão.

Igualmente estuprada foi uma criança de apenas 11 anos de idade – seu próprio pai foi o culpado, após embriagá-la duas vezes. Por conta disso, cumpre pena de 13 anos de reclusão.

Um outro pai costumava chegar em casa bêbado e estuprar a filha, de apenas oito anos de idade. Denunciado pelo filho, acabou processado e condenado a cumprir uma pena de 9 anos de reclusão.

Não nos esqueçamos do padrasto que abusava sexualmente de suas duas enteadas – de 8 e 12 anos de idade – enquanto assistia a filmes pornográficos. Isto resultou em uma pena de 31 anos de reclusão.

Elza Fiúza/Agência Brasil

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Digno de menção, igualmente, o pai que abusou sexualmente de suas duas filhas, de 10 e 12 anos de idade – acabou condenado a 12 anos de reclusão.

Nem os meninos escapam: um, de apenas oito anos de idade, foi abusado sexualmente por um vizinho – que viu-se condenado a oito anos de reclusão.

Não menos pavoroso foi o caso do tio que estuprou sua sobrinha de apenas 11 anos de idade, quase que diariamente, ao longo de dois anos, engravidando-a. Recebeu uma condenação de 22 anos de reclusão.

Crime similar foi cometido pelo pai de outra menina, igualmente de 11 anos de idade – cuja condenação alcançou 15 anos de reclusão.

Recordemos, também, o episódio de abuso sexual praticado por um cidadão contra uma amiguinha de sua neta – que contava apenas nove anos de idade. O resultado foi uma pena de nove anos de reclusão.

Encerro com o caso do pai que começou a abusar sexualmente de sua filha quando esta contava apenas três anos de idade! Acabou condenado a cumprir 15 anos de reclusão.

Sabe o que há de chocante em todos esses casos? Compuseram a “rotina” de um único juiz de Direito, em um único Juizado, durante apenas sete meses de 2013! Ouvi dele, absolutamente chocado, a quantas anda nossa tão cristã civilização!

Foi quando fiquei a recordar trechos da famosa oração do pai de Bob Russell: “Ó Senhor, sabemos o que diz Sua palavra, ‘maldição aos que chamam o mal de bem’, mas é exatamente o que temos feito. Nós temos perdido o equilíbrio espiritual e invertido nossos valores. Nós temos cometido adultério e chamado a isto um caso. Nós temos aprovado a perversão e chamado a isto estilo de vida alternativo. Nós temos poluído o ar com profanações e pornografia, e chamamos a isto liberdade de expressão”.

Pois é. Que cada uma dessas crianças nos perdoe – afinal, nas palavras de Thomas Jefferson, “eu temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo”.

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Sobre o autor

Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa

* Pedro Valls Feu Rosa, desembargador desde 1994, foi presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) no biênio 2012/2013.

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