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FHC, um passo à frente na tentativa de derrotar o “mito”

"Para ganhar de Lula é preciso 'vender novidade'. Não interessa mais se o ex-metalúrgico será ou não candidato. Martirizado, candidato ou não, terá força desproporcional no pleito. Já escrevi que enfrentar Alckmin é covardia. O paulista 'é passado'"

Fernando Henrique Cardoso continua sendo o principal estrategista do campo conservador brasileiro. Sua cutucada pública em Alckmin demonstra que possui uma leitura correta e refinada do quadro político que vai se desenhando.

Não é fácil conseguir ler corretamente os ventos de dentro das máquinas partidárias. É natural que a visão acabe ficando turva, embaçada por jogos internos de disputas de micro poderes que servem a carreiras burocráticas, mas nada tem a ver com a disputa pelo poder real. O partidismo exacerbado cega, e costuma conduzir a erros que seriam evitáveis. Os tucanos estão presos no próprio ninho.

FH, longe destas estruturas, sente mais fácil o vento que sopra da sociedade. Ao colocar em xeque a candidatura do governador paulista à presidência e tentar ressuscitar Huck, ou inventar Pedro Parente, sinaliza que entendeu o óbvio.

Para ganhar de Lula é preciso “vender novidade”. Não interessa mais se o ex-metalúrgico será ou não candidato. Martirizado, candidato ou não, terá força desproporcional no pleito. Já escrevi que  enfrentar Alckmin é covardia. O paulista “é passado”. Na comparação de quem fez mais, de passado, Lula é imbatível no imaginário popular.

Lula só pode ser derrotado por alguém com quem a comparação seja impossível. Com alguém novo, ungido por um conjunto de forças poderosas. Alguém que fale e venda o futuro. Na disputa entre passado e futuro pode residir uma possibilidade. Só o “novo” pode derrotar Lula. FHC vê longe. Se terá sucesso é outra história.

>> País não vai tremer se Lula for preso, diz FHC

 

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Sobre o autor

Ricardo Cappelli

Ricardo Cappelli

Jornalista, especializado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi secretário nacional de Esporte Educacional e de Incentivo ao Esporte nos governos Lula e Dilma. Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), é tricolor e Vila Isabel de coração. Exerce atualmente o cargo de secretário chefe da representação no DF do governo do Maranhão

Outros textos de Ricardo Cappelli.

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