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Feliz na Flip

"Ir pra Flip é correr pro abraço", escreve Nicolas Behr sobre a sua experiência na cidade que "respira maresia e poesia". O poeta aproveitou para fazer coro à onda de protestos

A Festa Literária Internacional de Paraty é o evento literário de maior prestigio no país. Agora na sua 10ª  edição, estima-se que cerca de 20 mil pessoas passaram pela cidade durante a semana que celebra a palavra, a escrita, a prosa, a poesia, o ensaio… Celebra a inteligência, enfim.

Fui a Paraty como convidado da Flip, e digo: é muito bom para o escritor. E  certamente para o público e para as editoras, também.  A cidade respira maresia e poesia.  É ótimo para o escritor pois ele tem contato com um público leitor muito exigente, conhece editores, faz contato com outros escritores e participa dos debates. Enfim, a escrita, essa atividade tão solitária, encontra seu público. Ir pra Flip é correr pro abraço.

Digamos que é o “momento pop” do escritor, com pessoas te reconhecendo na rua, pedido autógrafo. Uma semana na Flip equivale a meses e meses sem o ego a te perturbar. Pois quem cria sabe que o ego é o grande inimigo. E ele está sempre ali, choramingando, mendigando atenção.

E o ser é que cria. O ego só atrapalha.

O sucesso da Flip se deve a vários fatores: a localização, entre as duas maiores cidades brasileiras e a ótima (e caríssima) infraestrutura turística.  O time de convidados, inclusive internacionais, sempre de altíssimo nível (ops, foi mal…). Patrocinado pela iniciativa privada, que tem na Flip um ótimo retorno institucional, pela cobertura midiática do evento, com apoio estatal e recursos dos ingressos, a Flip mostra claramente que é preciso aporte financeiro de vulto para um evento cultural de tal envergadura. O  profissionalismo da festa é evidente.

O lugar para esse festival literário não poderia ser melhor. Charmosa, Paraty tem um  centro histórico bem preservado, deliciosamente livre dos carros. Uma mini Ouro Preto sem ladeiras. E à beira-mar. Mas o melhor mesmo é a ausência de carros no centro histórico, o que me encantou, repito.

A programação da Flip foi extensa e variada, sendo Graciliano Ramos o homenageado.  Quem não consegue ingresso, assiste  aos debates em telões. Atividades paralelas pululam aqui e ali. A Folha de S. Paulo, o Instituto Moreira Salles, o Sesc e a Livraria Cultura organizaram eventos gratuitos, que atraíram tanta gente que muitos assistiram aos debates do meio da rua.

E pra se atualizar, este ano a Flip encaixou na programação oficial o debate sobre as manifestações de rua. Houve até passeata, felizmente pacífica, nas ruas das cidade. Eu também entrei na onda e mostrei, durante a apresentação do debate  ‘Maus hábitos’, juntamente com os poetas Francisco Alvim e Zuca Sardan, cartazes como este: TARIFA ZERO PARA A POESIA!

Ou este: A POESIA PEDE PASSAGEM LIVRE!

Ou ainda: O POEMA LIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO! E muitos outros…

Ano que vem vou novamente. E recomendo demais.  Mas vai começando a economizar desde já. Os preços em Paraty, durante a Flip, são astronômicos.

 

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Sobre o autor

Nicolas Behr

Nicolas Behr

* Nicolas Behr é poeta e dono da Pau-Brasilia viveiro eco.loja. Nasceu em Cuiabá em 1958, e vive em Brasilia desde 1974. Três anos depois, publicou seu primeiro livro mimeografado e nao parou mais. Foi redator publicitário. Fundou e trabalhou em ONGs ambientalistas. Casado, três filhos. Adora Brasília. Site: www.nicolasbehr.com.br.

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