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2013 não está perdido – o levante popular e a pergunta: para 2018, o que esperar?

Há exatos 4 anos, em junho de 2013, milhares de jovens saíram às ruas pedindo mudanças na política brasileira. Eles reivindicavam melhorias nos bens públicos oferecidos pelo Estado e o fim do sistema político corrupto. Suas reivindicações surtiram efeito imediato? ...

Há exatos 4 anos, em junho de 2013, milhares de jovens saíram às ruas pedindo mudanças na política brasileira. Eles reivindicavam melhorias nos bens públicos oferecidos pelo Estado e o fim do sistema político corrupto. Suas reivindicações surtiram efeito imediato? Certamente não, é só ver os noticiários.

Ainda assim, valeu a pena a mobilização? De modo antecipado, posso dizer que sim. Essas manifestações foram simbólicas por terem sido protagonizadas por jovens nascidos no período da redemocratização do país, e por replicarem onda de protestos semelhantes que ocorriam pelo planeta, a exemplos do Occupy Wall Street e da Primavera Árabe.

Além disso, elas serviram para evidenciar a internet como elemento importante de promoção da cidadania e da participação política, haja vista que a mobilização foi iniciada nas redes sociais, em especial no Facebook e no Twitter.

Segundo a pesquisa “Sonho Brasileiro da Política” – desenvolvida em 2014, com a finalidade de aferir o que mudou de fato na participação política dos jovens – 61% dos jovens estão mais dispostos à participarem da política, seja se mobilizando ou se informando do que está ocorrendo.

A pesquisa igualmente apresenta que as manifestações trouxeram como mudança concreta a conexão em rede dos jovens, que passaram a criar iniciativas de engajamento voltadas para a produção de conteúdo político educativo e para a criação de plataformas de debate, que sirvam para a troca de experiências cidadãs e para o fomento de ideias de impacto positivo na política brasileira. São exemplos claros disso o projeto Politize! e o Café com Política, ao qual eu tenho o prazer de coordenar.

Não obstante a estas mudanças, no ano seguinte (2014), período de eleições federais e estaduais, vimos alguns vícios políticos se repetirem. Como ilustração, na Câmara dos Deputados ainda mandam os caciques políticos, que são representados por eles próprios e pela bancada dos parentes, formada por familiares dos políticos mais antigos, em especial os filhos. Com isso, seguem sub-representados as mulheres, os negros e os jovens que não são herdeiros de legado político. Presentes ainda estão, infelizmente, as mesmas práticas políticas que aqueles milhares de jovens diziam ser contra.

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Pergunta recorrente em debates: “E para as eleições de 2018, o que esperar?”

Mas, sejamos francos, dava para esperar que as manifestações de 2013 conseguissem impactar, sobremaneira, o cenário político a curto prazo? Evidente que não.

As mudanças na política são constituídas por processos mais demorados, que precisam envolver também os cidadãos de baixa renda e com menor escolaridade e interesse pela política. Afinal, são eles que constituem, em termos percentuais, o maior número de eleitores do país. Para tanto, promover o senso de participação política demanda ainda mais fomento de iniciativas de engajamento, centradas em facilitar a interpretação do que está acontecendo no cenário político.

E para as eleições de 2018, o que esperar?

Esses últimos quatro anos trouxeram mais maturidade à participação política dos cidadãos brasileiros. Hoje, não são apenas as manifestações de rua que marcam essa participação, estão presentes também inúmeras iniciativas de educação política e de promoção de plataformas de debate, recheadas de propostas que podem auxiliar na transformação do cenário político. Ou seja, os meios de ação política dos jovens estão mais difusos e pautados pela cultura hacker, com enfoque na criação de soluções para os problemas políticos presentes.

Mesmo assim, é arriscado afirmar que as eleições de 2018 será um sucesso em termos de renovação política. Contudo, me arrisco a dizer que faremos melhor do que fizemos em 2014 – e assim sucessivamente nas próximas eleições. Conforme o título deste artigo, o legado de 2013 não está perdido e as mudanças que queremos virá de forma paulatina, porém progressiva.

Ademais, estive na semana passada em dois eventos que considero serem respostas democráticas às manifestações de 2013. No dia 20/06, participei de reunião na Comissão Especial de Reforma Política da Câmara dos Deputados. Estive lá para prestigiar o movimento Por uma Nova Democracia, que estava na Comissão para apresentar sua proposta de reforma política. O movimento reúne diversas entidades da sociedade civil, como o projeto Acredito, e defende uma pauta conjunta de propostas de renovação do cenário político.

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Vinícius Sousa, após debates: “Saí de ambos os eventos esperançoso”

Já no dia 22/06, o Café com Política realizou, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, edição de debate, com o tema “Reforma Política: que eleições queremos? Reunimos cerca de 30 pessoas, entre estudantes, jornalistas, analistas políticos, militantes partidários, servidores públicos e representantes de movimentos suprapartidários. Foram quase 3 horas de produtivo debate sobre as propostas de reforma política em tramitação, assim como sobre quais são as mudanças que os nossos participantes querem ver dentro do processo de reforma vigente.

Saí de ambos os eventos esperançoso, pois vi reunidas gerações diversas, juntas com a finalidade de pensar o país. Como diz o amigo Everardo Aguiar, no excelente livro Redes Sociais Locais, política é afetividade e participação. Portanto, é bom ver que estas mobilizações em redes têm sido amadurecidas com vigor, ainda que seus frutos não sejam percebidos de forma instantânea.

Não podemos viver reféns do imediatismo.

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Sobre o autor

Vinícius Sousa

Vinícius Sousa

Mestrando em Ação Política e Fortalecimento Institucional pela Universidade Francisco de Vitoria (Madrid). É colaborador dos movimentos Brasil 2030 e Virada Política"

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