Colunistas

Uma seleção esperta dos melhores discos do ano

O que vem aí embaixo é minha lista maluca de discos que mais gostei este ano. Foi um exercício de autoanálise feito enquanto andava de bicicleta por Brasília. Acho que a Ermida Dom Bosco pode ter influenciado o resultado. Não existe imparcialidade em bê-ésse-bê. Aí vai.

Screws - Nils Frahm

 

Nils Frahm é um pianista alemão de formação clássica. Apesar de ter estudado Chopin e Rachmaninov, é mais fácil ouvir ecos dos minimalistas Terry Riley e Philip Glass nas músicas dele.

No começo deste ano conheci Felt, disco lançado em 2011, que tem uma história curiosa. Para não incomodar os vizinhos, Nils decidiu cobrir as cordas do seu piano com feltro e se esforçava para tocar suavemente nas teclas. Decidiu então gravar essa experiência. O que se ouve é uma mistura de ruídos do instrumento, a respiração do músico e barulhos indecifráveis, envolvendo as melodias econômicas e incríveis do compositor.

Este ano ele lançou Screws. E a história desse disco é a seguinte: depois de quebrar o polegar da mão esquerda ele teve que cancelar uma turnê. Mas não conseguiu parar de tocar e cada dia antes de dormir gravava uma música. Terminou com nove, uma para cada dedo.

Screws está disponível para download gratuito e pode ser baixado aqui.


 

Déjenme Llorar - Carla Morrison

 

 

Carla Morrison é uma mexicana de 26 anos, que lançou em 2010 Mientras Tú Dormías, um disco simples de músicas delicadas mas devastadoras. Com influência de doo-wop e soul dos anos 60 ela conseguiu chamar atenção com suas letras viscerais escondidas em harmonias inofensivas.

O segundo disco, Déjenme Llorar, segue com a mesma proposta do primeiro, mas tem arranjos bem mais espertos e produção mais cuidadosa. Esse álbum rendeu à Carla Morrisson dois Grammys latinos e uma legião de fãs.

Déjenme Llorar não foi lançado no Brasil, mas dá pra comprar no iTunes ou na Amazon.


 

151a - Kishi Bashi

 

Kishi Bashi (Kaoru Ishibashi) é um violinista que já gravou e arranjou vários discos de bandas alternativas norte-americanas. Este ano ele lançou seu primeiro solo, 151a. São canções estranhas, com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mesmo assim é bem fácil e gostoso de ouvir.

Uma dessas músicas, Bright Whites, é tão grudenta que chegou a ser escolhida para um comercial do Windows 8. Sintetizadores grandiosos, violinos, muitas vozes e palmas. Não dá pra ficar muito melhor que isso.

151a não foi lançado no Brasíl, mas dá pra baixar no iTunes ou na Amazon


Entre os brasileiros, meu destaque vai para Onagra Claudique, uma dupla de voz e violão de São Paulo, que apareceu com um EP que me deixou curioso pra saber o que eles vão aprontar daqui pra frente. A música mais interessante é “Papo lampinho”. Ó só:

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Sobre o autor

Felipe Aguiar

Felipe Aguiar

* Sócio-gerente do Congresso em Foco, é músico (toca nas bandas Onze e Tiro Williams) e graduando do curso superior em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Também já atuou como produtor cultural.

Outros textos de Felipe Aguiar.

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