STF pede explicações de Jucá antes de autorizar novo inquérito contra o líder do governo no Senado

Jefferson Rudy/Ag. Senado

De acordo com a PGR, o senador é suspeito de receber propina de R$ 5,1 milhões ao longo de três anos por ter ajudado a fechar contrato entre os Correios e a Confederação Brasileira de Tênis

 

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 20 dias para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), prestar esclarecimentos para decidir se abre novo inquérito por corrupção e peculato contra o senador. A Procuradoria-Geral da República quer apurar se o peemedebista intermediou, de maneira ilícita, um contrato entre os Correios e a Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Indicado esta semana para integrar o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador já acumula oito inquéritos no Supremo.

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em São Paulo, a ex-contadora da CBT Kátia Freitas Mueller apresentou documentos sobre irregularidades envolvendo a confederação. Entre eles, havia uma anotação: “Contato em Brasília: – 1 verba que vai direto para um senador”. Segundo a PGR, as apurações indicam que o dinheiro era destinado a Romero Jucá.

A suspeita é de que o senador recebeu propina correspondente a 10% do acordo firmado entre os Correios e a CBT. O contrato previa o repasse anual de R$ 17 milhões, entre 2014 e 2016. Nesse caso, a PGR quer investigar se Jucá recebeu R$ 1,7 milhão em propina por ano (R$ 5,1 milhão em três anos).

Oito inquéritos

O senador já é alvo de oito investigações no Supremo. No Inquérito 3989, da Lava Jato, Jucá responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Também é investigado nos inquéritos 329721162963 por crimes eleitorais, de responsabilidade e contra a ordem tributária, apropriação indébita previdenciária e falsidade ideológica.

Apenas em 2016, quatro inquéritos (4211426743264347) foram instaurados na Corte contra o senador. Em ampla maioria, as investigações são por crimes de corrupção passiva e ativa, ocultação de bens e formação de quadrilha.

Um dos procedimentos diz respeito à origem e ao destino de R$ 100 mil jogados para fora de um carro por um de seus auxiliares momentos antes de ser abordado pela polícia. O ato ocorreu durante a campanha eleitoral de 2010. O assessor disse que o dinheiro seria usado na campanha de Jucá.

O senador teve uma brevíssima passagem pelo Ministério da Previdência no início do governo Temer. Caiu uma semana depois de ter assumido, logo após a divulgação de áudios entre ele e o ex-senador Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro que fez acordo de delação premiada. Entre outras coisas, Jucá defende a saída da ex-presidente Dilma Rousseff para “estancar a sangria” da Lava Jato.

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