Senadores pedem ao TSE cassação da chapa Dilma-Temer como solução para a crise política

Temer confirma o encontro, mas nega ter incentivado "compra de silêncio" de Cunha

 

O senador Otto Alencar (PSD-BA) e um grupo de senadores que se autodeclaram independentes vão solicitar formalmente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, a convocação extraordinária de uma sessão plenária da corte com o objetivo de antecipar o julgamento do processo de crime eleitoral da chapa encabeçada por Dilma e Michel Temer, em 2014. Eles vão pedir ao TSE que casse o peemedebista, que assumiu o mandato há pouco mais de um ano, como saída para a crise política.

A medida, segundo ele, obrigaria o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a convocar imediatamente uma eleição indireta para um mandato tampão até o pleito de 2018, como prevê a Constituição. “Essa é a solução mais rápida e menos traumática para o país. Temos de fazer uma cirurgia rápida, de emergência”, disse Otto Alencar. Apoiam a ideia dele senadores como Cristovam Buarque (PPS-DF), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Alvaro Dias (PV-PR).

Otto Alencar acredita que o país não pode atravessar mais um processo de impeachment por ser muito demorado, com abertura de comissão processante e votação em plenário nas duas Casas. “Isso pode demorar seis meses ou mais e o país não aguenta isto”, argumentou Alencar. “O presidente perdeu as condições de governar”, concluiu.

Temer foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono do Grupo JBS, incentivando-o a continuar o pagamento de mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba, para que ele não fizesse delação premiada. A PF filmou a entrega de dinheiro repassado pelo dono da JBS ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que assessorava Temer até recentemente.

A conversa foi gravada pelo empresário. Joesley também gravou o diálogo em que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) lhe pediu R$ 2 milhões para pagar advogado. O dinheiro, entregue a um primo do senador, foi rastreado. Com base na delação dos empresários, o ministro Edson Fachin, do STF, determinou o afastamento de Aécio e Rocha Loures do mandato e a prisão de Andréa Neves, irmã do tucano.

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