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Sem riquezas naturais, Suíça não sofre com racionamento de água, ao contrário do Brasil

A Suíça é um pequeno e pobre país encravado na Europa, desprovido de recursos os mais básicos que se possa imaginar. Lá não há riquezas naturais fabulosas, acesso ao mar ou mesmo espaço – falamos de um país de vales cercados por montanhas geladas.

Pois bem: buscando produzir energia farta e barata, e bem assim prevenir eventuais problemas de abastecimento, construiu-se no lago Mutt uma das maiores e mais fascinantes usinas hidrelétricas jamais vistas, do tipo reversível.

Conforme divulgado pela administração suíça, esta usina, com potência de 1.000 MW, e cuja barragem mede 1.025 metros, é a mais potente de seu tipo no país – segundo consta, há outras 15 em funcionamento. Custou US$ 2,1 bilhões, e seu lago armazena 25 milhões de metros cúbicos de água.

Tony Winston/Agência Brasília
Tony Winston/Agência Brasília

Em Brasília, crise hídrica gerou aumento na conta de água

Mas o que seria uma “usina reversível”? Com a palavra os próprios suíços: “Tais usinas possuem duas represas, uma na montanha e outra bem mais abaixo. A água do lado superior é conduzida para baixo sob pressão através das turbinas que geram a eletricidade. Em tempos de baixo consumo de energia, a água é bombeada de volta para o lago da montanha e lá represada”.

 

Esclareceu-se, finalmente, que “usinas hidroelétricas reversíveis têm um papel importante para garantir um suprimento estável de eletricidade em períodos de falta de água”.

Enquanto tal maravilhoso feito acontece naquele pequeno e pobre país, aqui neste tão grande e rico Brasil ainda dependemos de chuvas permanentes para que as torneiras de nossas casas não sequem!

Dada a quase total falta de investimentos em infraestrutura, qualquer alteração climática mais séria nos conduz aos racionamentos, rodízios etc.

E eis aí um quadro nacional: não faz muito tempo, visitei uma capital banhada pelo rio Amazonas (o maior do planeta em volume) que convivia há anos com a escassez de água potável! Uma cena surrealista, a de um rio cuja margem oposta quase não se vê banhando uma cidade sem água!

Escrevo estas linhas em desagravo a São Pedro, eterna e injustamente responsabilizado pelas torneiras secas que nos humilham enquanto país que se pretende minimamente administrado.

Mas peço desculpas, pois tenho que encerrar aqui – acabo de ouvir no noticiário que talvez meu bairro fique sem água no verão, e preciso procurar saber do que se trata. Fiquem em paz! Boa sorte!

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Sobre o autor

Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa

* Pedro Valls Feu Rosa, desembargador desde 1994, foi presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) no biênio 2012/2013.

Outros textos de Pedro Valls Feu Rosa.

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