Sábado, 25 de Março de 2017

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Sem riquezas naturais, Suíça não sofre com racionamento de água, ao contrário do Brasil

“Enquanto no país europeu ”usinas hidroelétricas reversíveis têm um papel importante para garantir um suprimento estável de eletricidade em períodos de falta de água’”, Brasil depende de chuva para que as torneiras não sequem

A Suíça é um pequeno e pobre país encravado na Europa, desprovido de recursos os mais básicos que se possa imaginar. Lá não há riquezas naturais fabulosas, acesso ao mar ou mesmo espaço – falamos de um país de vales cercados por montanhas geladas.

Pois bem: buscando produzir energia farta e barata, e bem assim prevenir eventuais problemas de abastecimento, construiu-se no lago Mutt uma das maiores e mais fascinantes usinas hidrelétricas jamais vistas, do tipo reversível.

Conforme divulgado pela administração suíça, esta usina, com potência de 1.000 MW, e cuja barragem mede 1.025 metros, é a mais potente de seu tipo no país – segundo consta, há outras 15 em funcionamento. Custou US$ 2,1 bilhões, e seu lago armazena 25 milhões de metros cúbicos de água.

Tony Winston/Agência Brasília
Tony Winston/Agência Brasília

Em Brasília, crise hídrica gerou aumento na conta de água

Mas o que seria uma “usina reversível”? Com a palavra os próprios suíços: “Tais usinas possuem duas represas, uma na montanha e outra bem mais abaixo. A água do lado superior é conduzida para baixo sob pressão através das turbinas que geram a eletricidade. Em tempos de baixo consumo de energia, a água é bombeada de volta para o lago da montanha e lá represada”.

 

Esclareceu-se, finalmente, que “usinas hidroelétricas reversíveis têm um papel importante para garantir um suprimento estável de eletricidade em períodos de falta de água”.

Enquanto tal maravilhoso feito acontece naquele pequeno e pobre país, aqui neste tão grande e rico Brasil ainda dependemos de chuvas permanentes para que as torneiras de nossas casas não sequem!

Dada a quase total falta de investimentos em infraestrutura, qualquer alteração climática mais séria nos conduz aos racionamentos, rodízios etc.

E eis aí um quadro nacional: não faz muito tempo, visitei uma capital banhada pelo rio Amazonas (o maior do planeta em volume) que convivia há anos com a escassez de água potável! Uma cena surrealista, a de um rio cuja margem oposta quase não se vê banhando uma cidade sem água!

Escrevo estas linhas em desagravo a São Pedro, eterna e injustamente responsabilizado pelas torneiras secas que nos humilham enquanto país que se pretende minimamente administrado.

Mas peço desculpas, pois tenho que encerrar aqui – acabo de ouvir no noticiário que talvez meu bairro fique sem água no verão, e preciso procurar saber do que se trata. Fiquem em paz! Boa sorte!

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Sobre o autor

Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa

* Pedro Valls Feu Rosa, desembargador desde 1994, foi presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) no biênio 2012/2013.

Outros textos de Pedro Valls Feu Rosa.

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