Rui Costa Pimenta: “É preciso confiscar as grandes empresas”

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Rui Costa Pimenta: "A crise do capitalismo é que conduz ao socialismo"

Rui Costa Pimenta é daqueles candidatos à Presidência da República que, embora tenham figurado nas três últimas eleições, já entraram na disputa sabendo das chances quase impossíveis de vitória. Trata-se de um realismo demonstrado por ele mesmo nesta entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, durante uma espécie de jantar de campanha que reuniu outros candidatos de seu partido, o Partido da Causa Operária (PCO), em Brasília.

“Não alimentamos a ficção de que todos os candidatos estão na eleição concorrendo em bases iguais, com a mesma possibilidade de ganhar. Sabemos que não temos nenhuma possibilidade de ganhar, que estamos concorrendo aí não por uma escolha popular livre, mas contra poderosíssimas máquinas políticas, muito bem financiadas por grandes empresas”, disse.

Assista à entrevista:

A declaração de Rui, socialista, 57 anos, dá uma pista do perfil ideológico do jornalista por formação, tradutor e professor de inglês que abraçou a causa operária não só por vocação, mas graças a um longo histórico familiar. Paulistano, militante de esquerda desde a ditadura militar, faz da sua vida pública uma luta constante contra o chamado “grande capital” e as gigantes multinacionais que, em sua visão, corrompem a política e servem de combustível para as desigualdades sociais.

“O domínio dessas grandes empresas sobre a política é uma antítese de qualquer tipo de democracia, de participação popular. Nós defendemos uma política, digamos assim, socialista porque nos opomos a essa farsa de democracia que existe aí. Nós somos a favor de que o povo, efetivamente, decida, e que o Estado seja colocado a serviço do povo. Para isso, é preciso confiscar as grandes empresas e retirar delas o seu poder econômico e político”, argumenta Rui, cofundador de seu ex-partido, o PT, no ABC paulista.

Profissional de comunicação desde 1984 com atuação voltada para o movimento sindical (é editor do periódico Causa Operária), Rui dispensa à relação entre a denominada imprensa tradicional e a classe política “de direita” o mesmo tratamento que reserva ao PT, legenda da qual desembarcou em 1992 e que hoje qualifica como “esquerda burguesa”. Para ele, ambos os lados se beneficiam do poder financiador dos grandes operadores do mercado financeiro. Depois do desencanto com os rumos petistas, conseguiu apenas em 1996 a concessão do registro definitivo do PCO.

Embora entusiasta do ideário socialista, Rui admite uma espécie de crise na esquerda, especialmente em partidos que passam por divisão interna, como o Psol. Crítico ferrenho do capitalismo, sistema que classifica como “decadente e falido”, ele é calejado em tentativas de exercer mandatos eletivos. Não teve êxito em 1998, quando tentou o cargo de deputado federal; em 2000, quando tentou a prefeitura de São Paulo; e nas corridas presidenciais de 2002, 2006 e 2010. Nada que abale suas convicções, garante o candidato.

“Nas últimas duas ou três décadas, o mundo teve mais guerras do que todo o período anterior da Humanidade. Isso é um produto direto do capitalismo – a crise econômica, a proliferação da miséria, da fome, o ressurgimento da escravidão, tudo isso aí é o capitalismo. O que nós achamos é o contrário: que o socialismo está vigente não como um projeto na cabeça de uma pessoa, mas como decorrência de uma situação objetiva, real, que existe no mundo moderno. A crise do capitalismo é que conduz ao socialismo”, defende Rui, há quase 40 anos engrossando fileiras da “esquerda revolucionária”.

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